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Fenômeno ocorre devido às variações verticais do aquecimento da superfície

Compartilhe:     |  2 de janeiro de 2021

A brisa do mar é uma corrente formada por ventos diurnos que sopram do oceano em direção ao continente. Ela está relacionada às diferenças entre os calores específicos da água e da areia e com o fenômeno de convecção, que pode ser entendido como um processo de transferência de calor. De acordo com estudos, a brisa do mar possui influência sobre o clima de diversos locais, incluindo da Grande São Paulo.

Vale ressaltar que calor específico é a quantidade de calor necessária para que cada grama de uma substância sofra uma variação de temperatura correspondente a 1 °C. Essa grandeza é uma característica de cada tipo de substância e indica o comportamento do material quando exposto a uma fonte de calor.

A água possui um alto calor específico, o que significa que ela precisa de uma grande quantidade de calor para variar a sua temperatura em 1 °C. Com isso, ela pode ser considerada uma boa condutora de calor. Assim, toda a energia emitida pelo Sol é dispersada para as camadas mais profundas do oceano, dificultando seu aquecimento.

A brisa do mar é mais pronunciada nos trópicos do que nas latitudes médias, principalmente em virtude da aceleração de Coriolis ser mais fraca nas áreas tropicais. Em latitudes maiores, essa aceleração desvia o vento, o que limita o alcance das brisas. Assim, os processos de mesoescala e de escala diurna, como as brisas, possuem mais importância nos trópicos.

Como ocorre a brisa do mar?

Como ressaltado anteriormente, a brisa do mar está associada às diferenças de calor específico entre a água e a areia e com o fenômeno de convecção. Durante o dia, a energia emitida pelo Sol provoca um aumento na temperatura da água e da areia. No entanto, como o calor específico da areia é menor que o da água, ela esquenta e esfria com mais facilidade. Sendo assim, a temperatura nas proximidades dela será maior que a temperatura nas proximidades da água.

Além disso, o ar sobre a areia será mais quente que o ar sobre a água, o que provoca uma diminuição da pressão atmosférica na plataforma continental. Com isso, pode-se concluir que a pressão do ar sobre a areia é menor que a pressão do ar sobre a água, causando um deslocamento de ar do oceano em direção ao continente.

À noite ocorre o processo inverso, que recebe o nome de “brisa terrestre”. No final do dia, a areia apresenta uma temperatura menor que a da água, o que faz com que o ar nessa região seja mais frio. Dessa maneira, a pressão do ar sobre a areia é maior que a pressão do ar sobre a água, causando um deslocamento de ar da plataforma continental em direção ao oceano.

Influência da brisa do mar em São Paulo

Um estudo realizado pela professora Flávia Noronha Dutra Ribeiro, docente do curso de Gestão Ambiental na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), indica que a brisa do mar apresenta influências sobre o clima da Grande São Paulo.

A especialista indica que a brisa proveniente do litoral pode mitigar as ilhas de calor que se formam na Região Metropolitana de São Paulo. Além disso, ela também pode interferir na qualidade do ar ao promover a dispersão temporária dos poluentes acumulados na atmosfera.

Dessa maneira, esse fenômeno é muito positivo para a cidade, principalmente em dias de inversão térmica, já que deixa a temperatura um pouco mais baixa, o clima mais úmido e o ar menos poluído. No entanto, a pesquisa reforça que esse efeito é temporário.

A entrada da brisa do mar provoca uma inversão térmica que deixa a Camada Limite Planetária (CLP), isto é, a faixa de ar mais próxima da superfície, mais estável, agindo como uma espécie de tampa na atmosfera. Assim, embora o ar limpo chegue, os poluentes continuam sendo emitidos e não conseguem se dispersar na vertical como deveria ocorrer.



Fonte: Equipe Ecycle



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