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Fenômeno raro faz pássaro extinto “renascer” em ilha do Oceano Índico

Compartilhe:     |  13 de maio de 2019

Cerca de 136 mil anos atrás, o atol de Aldabra foi inundado, o que acabou matando diversas espécies existentes nessa região do Oceano Índico – incluindo o enorme pássaro chamado Aldabra rail (Dryolimnas cuvieri). Contudo, recentemente, o animal “renasceu”, e é a única ave conhecida que não voa habitando esta região do Índico.

A causa desse fenômeno bizarro é um processo natural muito raro chamado evolução iterativa. Milhares de anos atrás, os Dryolimnas cuvieri de Madagascar migraram para a Ilha Maurícia, Ilha da Reunião e para as ilhas do atol de Aldabra. Nestas áreas, com a ausência de predadores, eles perderam a habilidade de voar, formando uma nova subespécie conhecida como Dryolimnas cuvieri aldabranus.

Durante a inundação há 136 mil anos, sem asas, os bichos não tinham como escapar e acabaram morrendo. Mas há 100 mil anos, uma era glacial provocou a queda do nível do mar, tornando a região de Aldabra mais uma vez habitável. Então, os Dryolimnas cuvieride Madagascar voaram para montar acampamento no atol, onde, ainda na ausência de predadores, eles perderam a habilidade de voar novamente.

Fósseis do pássaro Dryolimnas indicaram a falta de asas  (Foto: Julian Hume)

As espécies de Dryolimnas cuvieri de Madagascar conseguiram dar origem a duas diferentes subespécies que não voam. Isso é bem incomum. Cientistas da Universidade de Portsmouth e do Museu de História Natural, ambos no Reino Unido, chegaram a essa conclusão depois de analisar fósseis da ave de antes e depois da inundação.

“Este cenário pode parecer surpreendente, mas os Dryolimnas cuvieri são conhecidos por serem colonizadores persistentes de ilhas isoladas e podem evoluir rapidamente sem a necessidade de voar, caso existam condições adequadas”, escrevem os autores do estudo no periódico Zoological Journal of the Linnaean Society. “Portanto, é provável que a dispersão de Dryolimnas de Madagascar para a remota Aldabra tenha ocorrido em várias ocasiões.”

Os pesquisadores observam que uma espécie de iguana e vários lagartos também recolonizaram o atol, mas a maioria destes bichos foi posteriormente perdida, provavelmente devido à introdução de roedores invasores.

Segundo o portal IFL Science, a nova pesquisa marca a primeira vez que a evolução iterativa foi registrada em Dryolimnas cuvieri, e fornece um dos melhores exemplos deste fenômeno em aves.

Atol de Aldabra, no Oceano Índico (Foto: NASA/Wikimedia Commons)

“Somente em Aldabra, que tem o registro paleontológico mais antigo de qualquer ilha na região do Oceano Índico, há evidências fósseis disponíveis que demonstram os efeitos da mudança do nível do mar em eventos de extinção e recolonização”, explicou David Martill, professor da Universidade de Portsmouth.

“Estes fósseis únicos fornecem provas irrefutáveis ​​de que um membro da família de Dryolimnas cuvieri colonizou o atol, provavelmente vindo de Madagascar, e tornou-se independente de voar em cada ocasião”, acrescentou Julian Hume, do Museu de História Natural. “Isso sintetiza a capacidade dessas aves de colonizar ilhas isoladas e evoluir para a ausência de voo em múltiplas situações. “



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