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Filadélfia pede luzes apagadas após arranha-céus causarem a morte de pássaros

Compartilhe:     |  31 de março de 2021

Programa “Lights Out Philly” quer limitar as luzes noturnas para que pássaros possam migrar

As luzes da Filadélfia podem não brilhar tanto nas próximas semanas.
O grupo Cidade do Amor Fraterno tenta evitar que milhões de aves migratórias que passam duas vezes por ano colidam com arranha-céus e caiam na calçada.
Bird Safe Philly anunciou na quinta-feira a iniciativa “Lights Out Philly”, um programa voluntário no qual muitas luzes externas e internas dos edifícios são desligadas ou diminuídas durante a noite da primavera e do outono.
O problema das luzes artificiais que atraem as aves para suas mortes na cidade não é novo. “Temos espécimes na coleção de ornitologia da academia de uma matança que aconteceu quando as luzes foram instaladas pela primeira vez na torre da prefeitura da Filadélfia em 1896”, disse Jason Weckstein, o curador associado de ornitologia da Academia de Ciências Naturais da Universidade Drexel.
O grupo, que inclui Audubon Mid-Atlantic, a Academia de Ciências Naturais da Universidade Drexel, o Clube Ornitológico de Delaware Valley e dois departamentos locais de Audubon foi formado após o maior evento de colisão em massa da cidade em 70 anos, que foi relatado em outubro passado. Centenas de aves mortas foram encontradas por toda a cidade.
“As condições eram perfeitas para um voo migratório em massa e imperfeitas, dado que havia teto baixo de nuvens e chuva”, disse Weckstein. “Que em combinação com as luzes brilhantes da cidade de Filadélfia foi um desastre para muitas aves migratórias caídas a caminho do sul”.
As aves navegam durante a migração usando sinais do céu e, quando não conseguem ver estrelas em uma noite nublada, ficam confusas com as luzes brilhantes da cidade, de acordo com especialistas. As janelas representam um problema, de acordo com Weckstein, porque as aves podem ver um reflexo das árvores ou do céu.
Os cientistas estimam que entre 365 milhões e 1 bilhão de aves são mortas por colisões com edifícios ou outras estruturas ao ar livre nos EUA a cada ano e essas colisões estão causando danos a algumas espécies.
Mariquita-de-mascarilha, Pardal-de-garganta-branca, pássaro-gato-cinzento e mariquita-de-coroa-ruiva são as vítimas mais comuns na Filadélfia, disseram especialistas, e essas espécies também são ameaçadas pela crise climática e por outros predadores.
“O mariquita-de-coroa-ruiva e o toutinegra-azul-de-garganta-negra estão entre as centenas de espécies de aves que agora correm um risco maior de extinção na América do Norte por causa da mudança climática”, disse Keith Russell, da Audubon Mid-Atlantic. “Mas muitas destas espécies também enfrentam a ameaça adicional de colidir com edifícios”.
Russell disse que a iniciativa da Filadélfia teve o benefício adicional de reduzir o consumo de energia, potencialmente desacelerando a crise climática.
 O programa “Lights Out Philly” funciona de 1 de abril a 31 de maio e de 15 de agosto a 15 de novembro. Os administradores e inquilinos são solicitados a apagar voluntariamente as luzes entre a meia-noite e as 6 da manhã, especialmente nos níveis superiores de um edifício, lobbies e átrios.
A Associação de Proprietários e Gerentes de Edifícios da Filadélfia, que representa mais de 475 membros que possuem ou administram propriedades comerciais ou prestam serviços a edifícios, disse que a resposta tem sido “extremamente robusta”.
“Temos alguns dos primeiros adotantes e a lista está se aproximando de 20 edifícios, muitos dos quais são membros icônicos e muito reconhecidos da linha do horizonte da Filadélfia”, disse a diretora executiva do grupo, Kristine Kiphorn.
A National Audubon Society, juntamente com parceiros, estabeleceu o primeiro programa “Lights Out”, em 1999, em Chicago. A Filadélfia se une a 33 outras cidades, incluindo Nova Iorque, Boston, Atlanta e Washington DC.


Fonte: Anda - Jade Goncalves



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