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Fiocruz desenvolve ‘armadilha’ de larvicida para matar mosquitos da dengue

Compartilhe:     |  7 de maio de 2015

Uma nova estratégia de combate à dengue está sendo testada no Amazonas. O método proposto pela da Fiocruz é simples, mas já apresentou bons resultados no bairro Tancredo Neves, de Manaus, com alta incidência da doença. Agora está sendo aplicado na cidade de Manacapuru, com cerca de 92 mil habitantes, e os testes iniciais também são animadores. A expectativa é que o projeto possa ser replicado em escala nacional em municípios pequenos.

No experimento que começou em 2009, os pesquisadores instalaram armadilhas para os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, vetores da dengue, numa área de cerca de 50 hectares. São baldes d’água — criadouros —, com o larvicida pyriproxyfen, que impede que as larvas cheguem à fase adulta, mas não atinge os insetos maduros. As paredes internas dos baldes são recobertas com um pano preto, que também contém o produto. O mosquito deposita ali seus ovos (que acabam morrendo). E, quando faz isso, partículas do larvicida grudam em suas patas. Como esses insetos desovam em diferentes criadouros, eles próprios disseminam o produto para outras áreas.

MORTALIDADE DE 94%

Nas análises da pesquisa, foram encontrados sinais de pyriproxyfen em locais de acúmulo d’água a até 400 metros das armadilhas originais. Além disso, a mortalidade do mosquito jovem aumentou em dez vezes após o início da aplicação do inseticida, chegando a 94% naquele bairro.

— A grande vantagem desta técnica, além de ser bem simples, é que o inseticida chega em locais inacessíveis ou desconhecidos por moradores e agentes de saúde — explica Sérgio Luz, diretor da Fiocruz Amazonas e um dos autores do estudo publicado na revista científica “PLoS Neglected Tropical Diseases”.

Segundo o pesquisador, outro ganho da técnica é que o larvicida não faz mal à saúde humana, por isso ele pode ser colocado em caixas d’água e outros recipientes que geralmente são potenciais criadouros.

Já a experiência de Manacapuru começou há 1,5 ano, e os resultados consolidados saem em julho. Enquanto isto, o pesquisador anima-se com os dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (Lira) do município. Antes do trabalho, ele era de 3,9% (alerta), e recentemente caiu para 0,3% (satisfatório).

— Acreditamos que isto é consequência das armadilhas — comemora Luz, explicando isto poderia agregar a outras estratégias de combate à doença. — Talvez em grandes centros urbanos, onde as causas da infecção são mais complexas, ela não funciona tão bem. Mas seria uma ótima ferramenta para bairros e municípios pequenos, especialmente aqueles isolados por rios, comuns na Amazônia, onde a chegada de agentes de saúde é dificultada.



Fonte: O Globo - Flávia Milhorance



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