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Fisioterapeuta divide seu tempo trabalhando na clínica e no cultivo de plantas raras

Compartilhe:     |  8 de dezembro de 2014

Cuidar das pessoas foi a escolha feita por Wagner Jatobá, quando decidiu seguir a carreira de fisioterapeuta. Mas outro tipo de cuidado passou a fazer parte da vida dele quando ganhou uma orquídea de presente, há 14 anos, e a partir daí passou a dedicar parte do seu tempo para o cultivo de plantas. A clínica onde atende os pacientes, ao lado da casa em que mora, no bairro do Alto Branco, em Campina Grande, divide espaço com mais de 10 mil plantas que ornamentam e perfumam o ambiente. Amante delas, o fisioterapeuta, que também é paisagista, tem uma coleção com mais de 45 mil plantas de pequeno e grande porte nas suas propriedades e tem um projeto de fazer desse cultivo uma nova fonte de renda, através da comercialização.

Orquídeas, palmeiras, avencas, pinheiros e cactos são alguns dos tipos de plantas cultivados por Wagner. Exibindo com orgulho cada uma delas, ele sabe identificar com precisão o nome científico e popular das mais de cinco mil espécies que coleciona. Ele ainda cursou quatro anos da faculdade de Agronomia, mas desistiu para cursar Fisioterapia e desde o ano de 2000 resolveu dedicar-se também aos cuidados com as plantas, que resultaram na conquista de mais de 30 prêmios em exposições nacionais de orquídeas, suas favoritas.

Mesmo com a agenda cheia de compromissos, “as manhãs de quartas-feiras e os sábados são de dedicação exclusiva às plantas”, disse o fisioterapeuta. Como são muitas, sozinho ele não tinha como dar conta de todas elas. Treinou uma pessoa para ajudá-lo a cuidar da vasta coleção. Com o intuito de combater a ação das pragas, as abelhas também se tornaram grandes aliadas, auxiliando no controle delas. Ele adquire as plantas através da internet, feiras ou doações de amigos e possui exemplares de quase todos os continentes, (apenas as plantas típicas das regiões polares ficam de fora, devido à disparidade climática, já que Campina faz parte do semiárido). “Aqui você encontra plantas de tudo quanto é canto. Tem as rosas do deserto, que já possuem mais de 40 anos e o Ferocactus que veio dos Estados Unidos e tem mais de 60 anos” ressaltou.

Dentre as plantas do colecionador, a mais cara é uma espécie de orquídea oriunda da Amazônia, avaliada em R$ 10 mil. Entretanto, para ele o valor maior de cada uma delas é sentimental, como é o caso das patas de elefantes (Beaucarnea recurvata), que hoje decoram o jardim da clínica, mas já ornamentaram também a entrada do seu casamento. O zelo pelas plantas faz com que Wagner sinta ciúme de alguns tipos raros, se destacando como preferida a orquídea Cattleya labiata.

Na família do colecionador não há ninguém que tenha desenvolvido o gosto pelas plantas. Segundo ele, todos acham bonito, incentivam o cultivo, mas apenas ele as trata. Isso porque essa atividade lhe proporciona bem-estar. “As plantas trocam uma energia muito boa. Quanto eu estou estressado é só vir para as plantas que eu melhoro na hora. E elas também sentem muito. Se você passa muito tempo sem mexer com elas, elas ficam feias, mas quando você passa um tempinho cuidando delas já dá para sentir a diferença. É uma troca de energias muito boa”, disse.

Opção por ornamentais e frutíferas

Em outra casa localizada no bairro do Catolé, a dona de casa Janilene Guedes e o esposo dela, o técnico agrícola Francisco Guedes, mantêm há 17 anos o cultivo de plantas ornamentais e outras voltadas para o consumo familiar.

Para Janilene, “é interessante cultivar plantas ornamentais, mas é melhor ainda cultivar plantas que produzam algo para nós”. Ao redor da casa a variedade de plantas frutíferas, medicinais, hortaliças e ornamentais como os bonsais tomam da dona de casa cerca de duas horas diárias voltadas para o cuidado delas, que são aguadas com água coletada das chuvas ou com a que sobra da máquina de lavar, como forma de conter o desperdício. “As pessoas que chegam aqui se sentem bem porque a gente está cercado de verde. Não tem estresse nessa casa”, comentou.

O fisioterapeuta e a dona de casa têm em comum a dedicação às plantas que, segundo eles, são alternativas para desviar o foco da agitação do cotidiano. Ambos declararam que a atração pelo cultivo de plantas vem do interesse particular de manter-se próximo delas por causa da sensação positiva que elas transmitem.

Beleza da orquídea desperta interesse

Conhecidas por serem plantas resistentes, as orquídeas despertam o interesse de muitas pessoas que são atraídas por sua beleza peculiar. Por essa razão, os apaixonados e colecionadores desse tipo de plantas, os orquidófilos, se reúnem em grupos para discutir a prática da orquidofilia.

Na Paraíba, funciona na capital João Pessoa a Associação Paraibana de Orquidófilos (APO), que promove estudos, palestras, conferências e publicações, nesse âmbito. Ela considera como colecionador aqueles que possuem acima de 100 orquídeas e reúne 48 associados, sendo desse total três campinenses.

Um deles é o supervisor de telecomunicação Sérgio Ferreira dos Santos, 46 anos, que mora no bairro do Jardim Paulistano e é orquidófilo há 20 anos. “A minha paixão por orquídeas surgiu de um presente que eu ganhei de uma pessoa especial. A partir dele, desenvolvi um carinho especial por esse tipo de planta, eu passei a colecionar, estudar e cuidar delas. Hoje já possuo 500 orquídeas”, disse.

“Colecionar orquídeas traz para mim um prazer que não tem explicação. É um passatempo que me dá paz. Dedico 1h30 diárias para cuidar delas e tenho muito trabalho com isso, mas o prazer de vê-las florescer recompensa qualquer esforço”, destacou.

Ventilação, luz e água

As plantas decoram e perfumam muitos ambientes e há também quem acredite que elas são capazes de energizar os locais. Mas as pessoas interessadas em cultivá-las precisam ficar atentas aos cuidados que cada uma delas requer. A dona de uma loja de plantas que atua há 25 anos no ramo e funciona no Centro de Campina Grande, Tânia Pereira, adverte que os excessos devem ser evitados.

“Todas as plantas necessitam de ventilação, luz solar, água e adubos, só que algumas delas mais e outras menos. As pessoas costumam escolher as plantas sem saber direito quais são duas necessidades específicas e elas não duram. Por isso elas devem fazer suas escolhas baseadas no local onde pretendem colocar as plantas e no tempo que terão para dedicarem-se a elas”, destacou.

Na loja de Tânia são vendidas mais de 200 tipos de plantas consideradas mais comuns, podendo ser encontradas com facilidade no mercado, como a grama, as roseiras, os pinheiros e até mesmo as orquídeas, obedecendo ao gosto popular. A mais procurada, de acordo com ela são as roseiras. Os preços das plantas comercializadas na loja variam entre R$ 2,00 e R$ 1 mil.



Fonte: Jornal da Paraíba



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