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Fonte de água sustenta trilha de árvores e animais no Sertão da Paraíba

Compartilhe:     |  23 de novembro de 2014

O sol é intenso no interior da Paraíba intimidando a vegetação ressecada e prejudicando o cultivo da agricultura. Mas esse cenário é diferente em um lote do assentamento Bugiga, na zona rural de Salgadinho, no Seridó paraibano, onde a família do agricultor Hernandes José Inácio vive em uma casa no alto de um morro.

Descendo por dentro da mata branca fixada na terra seca e vermelha até o pé do morro as árvores começam a mostrar folhas verdes e os sons de pássaros, cigarras e abelhas ficam audíveis. Lá embaixo, um olho de água sustenta uma trilha de árvores, que, por sua vez, mantém uma série de animais, entre eles, pássaros, insetos, répteis, bodes, cabras, bois e jumentos dos agricultores. No trajeto até o olho d’água, o esterco desses animais sinalizam que eles conhecem o caminho da água doce e perene, e desconhecem a seca. Essa nascente forma o riacho Olho d´Agua que corre pro Rio Mocós e faz parte da Bacia Piranhas, em Salgadinho.

A nascente está envolta pela vegetação nativa com árvores de grande porte como o juazeiro, a braúna, a quichabeira. “Isto é como um sonho no Seridó. Podemos ver que a preservação da água depende da preservação da vegetação. A terra se mantém úmida por mais de um quilômetro adiante por causa da mata fechada. O solo enriquece com as folhas e troncos que caem naturalmente e temos vida”, explicou o consultor ambiental Rogério Ferreira, que trabalha para o Projeto de Desenvolvimento do Cariri e Seridó (Procase). O agricultor Hernandes José Inácio e a irmã Marina Avelino da Conceição, proprietária do lote onde está a nascente, brincaram neste lugar quando eram crianças. “Era tudo desse jeito como é hoje. Tinha esse juazeiro, quixabeira, aquele jucuri”, lembrou-se Hernandes, 68, herdou, com a irmã, a terra do pai. As árvores que ele apontava eram grandes, com troncos que uma pessoa não conseguia abraçar sozinha. Muito diferente da mata de arbustos com galhos secos e brancos.

Uso sustentável e estocagem 

Pelo Procase, Rogério Ferreira está apresentando para a comunidade do assentamento Bugiga, formada por 53 famílias, um projeto de aproveitamento sustentável da água. “Vamos propor o uma proteção da área prevendo uma entrada para os animais. Depois, mais abaixo do olho d’água pode ser feito um tanque de pedra para estocar água e ainda uma barragem subterrânea que vai manter um reservatório de água para os animais”, esboçou Rogério, alertando que a decisão é da comunidade e que a nascente deve ser destinada ao uso comum.

“Muitas vezes, essa água foi a salvação para o pessoal aqui na falta de chuva. Agora, faz três anos que não chove direito”, declarou Hernandes José que, com a irmã, entende a preciosidade que está sob sua guarda.

A presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais do assentamento, Lindinez Elis de Gouveia, vê o projeto com esperança. “É tão difícil termos um apoio e agora criamos esperança de melhoria no abastecimento de água. Quarenta e nove famílias se abastecem dessa cisterna aqui, onde o caminhão pipa deixa água uma vez por semana”, informa apontando para a cisterna do assentamento que tem capacidade para 11 mil litros de água e não dura uma semana. “Vamos batalhar pra realizar esse sonho”.

Nascente ameaçada no Curimataú 

No Curimataú, onde a população, os animais e a agricultura sofrem com a seca, um grande olho de água tem as reservas ameaçadas pelo sol. A área ao redor da fonte está desmatada. Ela fica no assentamento Batentes I, em Cuité, onde 35 famílias estão assentadas. O presidente da associação dos produtores rurais do assentamento, Ernani José da Silva, já identificou quem cortou as árvores. “Foi há um mês, mais ou menos. Eu cheguei aqui e vi esse estrago. É uma pessoa do assentamento que cortou pra vender a lenha por R$ 15”.



Fonte: Correio da Paraíba



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