Notícias

Fóssil de 380 milhões de anos revela que nossas mãos evoluíram das barbatanas

Compartilhe:     |  22 de março de 2020

O fóssil 380 milhões de anos de um peixe do gênero Elpistostege, encontrado em Miguasha, extremo leste do Canadá, revelou novas pistas sobre como a mão humana evoluiu das barbatanas dos peixes. Em um estudo publicado na Nature, o achado é o elo evolutivo ausente na transição entre peixes e tetrápodes — animais que possuem quatro membros.

Com 1,57 metro de comprimento, o fóssil é o primeiro a ter o esqueleto completo do “braço” (barbatana peitoral) entre todos os peixes elpistostegalianos. Analisando o esqueleto a partir de tomografias computadorizadas, pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, e da Universidade de Quebec em Rimouski, no Canadá, notaram a presença de úmero (osso do braço), rádio e ulna (ossos do antebraço), fileiras de carpo (ossos do punho) e falanges organizadas em dígitos (como dedos).

“É a primeira vez que encontramos inequivocamente dedos ligados em uma barbatana em qualquer peixe conhecido. Os dígitos articulados na barbatana são como os ossos dos dedos presentes nas mãos da maioria dos animais”, explicou John Long, um dos pesquisadores, em comunicado.

“Essa descoberta empurra a origem dos dígitos nos vertebrados para a época dos peixes, e nos diz que o padrão para a mão dos vertebrados foi desenvolvido profundamente na evolução, pouco antes de os peixes saírem da água.”

Segundo paleontólogos, artefato é o elo evolutivo ausente na transição entre peixes e tetrápodes — animais que possuem quatro membros (Foto: Flinders University/Nature)

De acordo com a teoria mais aceita hoje, a evolução dos peixes levou ao surgimento dos tetrápodes, e esse foi um dos eventos mais significativos da história da vida, pois assim os vertebrados conseguiram sair da água e povoar a terra. Para que isso tenha acontecido, uma das mudanças mais significativas foi justamente a evolução das mãos e dos pés.

Como explicou Richard Cloutier, coautor do artigo, a origem dos dígitos está diretamente ligada ao desenvolvimento da capacidade do peixe de suportar o próprio peso em águas rasas, ou em curtos passeios pela terra. Isso porque o aumento do número de ossos também forneceu mais flexibilidade às barbatanas, algo essencial para o suporte do próprio peso.

“As outras características reveladas pelo estudo, sobre a estrutura do osso do braço ou úmero, também mostram características que são compartilhadas com os primeiros anfíbios”, afirmou Cloutier. “O Elpistostege não é necessariamente nosso ancestral, mas é o mais próximo que podemos chegar de um verdadeiro ‘fóssil de transição’, um intermediário entre peixes e tetrápodes.”

 



Fonte: Revista Galileu



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Alimentação natural para cães: saiba tudo sobre o assunto

Leia Mais