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Freguesa de feira orgânica vira produtora e faz sucesso com produtos

Compartilhe:     |  1 de novembro de 2014

O parque da Água Branca é um dos mais antigos de São Paulo. No meio da agitação e barulho da metrópole, um lugar onde paulistanos de todas as idades buscam ar puro, calma, tranquilidade. Principalmente quem tem filhos pequenos.

Como fazem Anderson e Patrícia todo sábado, trazendo o pequeno Caio. Aproveitam a busca por mais saúde no dia da feira orgânica.

Anderson Portilho, professor: A gente tenta tirar o veneno da nossa vida.
Globo Repórter: E dar um mundo melhor para o Caio.
Anderson Portilho, professor: E que ele compreenda isso e saiba porque a gente está fazendo isso.

Caio nem sabe o que é orgânico, mas está bem satisfeito com o moranguinho.

Na feira orgânica, o contato é direto entre quem produziu e quem vai comer as frutas, as verduras e os legumes. Entre as verduras, flores também são vendidas. Mas é para comer?
Júlio de Oliveira, produtor orgânico: Chama-se capuchinha.
Globo Repórter: E fica bonito?
Júlio de Oliveira, produtor orgânico: Fica bonito. Enfeita a salada e é nutritivo.
Globo Repórter: É saboroso?
Júlio de Oliveira, produtor orgânico: Pode comer uma. É meio azedinho.

Dona Teresa morou na roça até os 25 anos.

Alimentos com sabor dos bons velhos tempos

Teresa de Lourdes Marques, professora aposentada: Não tinha agrotóxico não tinha nada. Por isso que eu estou com quase 80 anos.
Globo Repórter: Parabéns!
Teresa de Lourdes Marques: Vou no baile danço, vou no carnaval, não durmo de dia.

Na feira, Dona Tereza volta às comidas com sabor dos bons velhos tempos.

Globo Repórter: A senhora é freguesa da dona Inês?
Dona Tereza: Sim, por que eu gosto, eu acho que é bem saudável as verduras que ela vende.

Dona Inês era freguesa, virou produtora e feirante. Em busca de saúde, também. Hoje, planta verduras a 140 quilômetros da feira, em Cosmópolis.

Curso sobre produtos orgânicos foi o início de tudo

No sítio da felicidade, começou fazendo um curso sobre produtos orgânicos.
Inês Scarpa Carneiro, produtora orgânica: Vi que era mais saboroso, tinha mais sabor. E como eu estava fazendo o curso, no curso foi falado, que ia ser um sucesso no Brasil, que era uma volta ao passado, e que ia ter muita procura.
Globo Repórter: E você acreditou?
Inês Scarpa Carneiro: Eu acreditei!
Globo Repórter: E tá dando certo?
Inês Scarpa Carneiro: Tá dando certo.

Em um lugar chamado “felicidade”, dona Inês decidiu realizar um sonho. Produzir alimentos livres de produtos químicos. O sítio tem maracujá e mangas palmer e haden. Nos primeiros dois anos, dona Inês deixou a terra descansar. Depois começou a plantar mandioca. Foi pouco a pouco diversificando a produção. Este ano, as abóboras não deram muito bem. A seca em São Paulo prejudicou a produção.

Globo Repórter: E aquelas pequenininhas ali? É porque são novinhas?
Dona Inês: Orgânico não fica muito grande. E o cliente gosta dessas para fazer sopinha para as crianças.

E logo o repórter Edney Silvestre, que é da roça, vai percebendo o efeito dos anos vividos na cidade grande. Uma simples visita a um sítio traz junto algumas descobertas deliciosas.

Galinhas alimentadas com milho orgânico

Na feira em São Paulo, ovos produzidos no sítio atraem muitos consumidores. E não basta serem orgânicos. A procura é tão grande, que as caixas acabam antes do meio dia. Dá um trabalhão para produzir os ovos.

Quando a gente compra ovos caipiras na feira, nem sempre se sabe de onde eles vieram. Os da dona Inês chegam do sitio dela. No sítio vivem mais de 500 aves, elas vivem assim soltas e comem milho simples, milho bom, sem transgênicos, e sem agrotóxicos. É daí que os ovos são mais saudáveis.

Não são frangos para corte. Os frangos e as galinhas não vão ser comidas, elas vão envelhecer no sítio, e enquanto isso elas vão dando ovos, acredite, de inúmeras cores.

As galinhas são alimentadas com milho orgânico do próprio sítio e com os restos da feira, que são trazidos de volta e servem de alimento para a criação. Como era antigamente. Galinhas de raças diferentes produzem ovos de cores diferentes.

Os clientes agora querem ovos de galinhas jovens.

O ovo de franguinha é o mais procurado na feira. “Porque descobriu-se que ele tem mais colina, que faz bem para o cérebro”, diz dona Inês. A colina que tem nos ovos faz bem para o cérebro, mas não há nenhuma comprovação científica de que os ovos de galinhas mais jovens sejam melhores. Mesmo assim, dona Inês trata de atender o pedido dos consumidores.

Dona Inês: Eu gosto desta coisa de troca. Eu tenho clientes maravilhosos.
Globo Repórter: Que tipo de cliente?
Dona Inês: Sábios. Sabem o que estão comprando, porque leem muito e eles mesmos me atualizam também.

E os clientes estão pedindo maços menores de legumes também. Tal como nas feiras comuns.

Freguesa come banana com casca e tudo

“Porque o mundo está assim, o jovem está saindo das famílias, as famílias estão diminuindo. E precisam de molhos menores, menos cenouras. Menos desperdício também”, diz dona Inês.

De volta à feira orgânica, a gente descobre gostos um pouco estranhos.

Globo Repórter: Eu não entendi, eu queria saber porque a senhora ia comprar a banana verde.
Teresa de Lourdes Marques: Eu como ela com casca e tudo.
Globo Repórter: Com casca?
Teresa de Lourdes Marques: Bato, porque é muito bom para limpar o açúcar do sangue.

Pesquisas já foram feitas com a banana verde com casca. Já ficou comprovado que ela ajuda o bom funcionamento dos intestinos, além de prevenir doenças. Lá no sítio, dona Inês também aproveita a fama da banana verde. E decide cortar um cacho para levar para a feira.

“É a maior procura ultimamente. O pessoal está fazendo uma geleia que diz que protege a flora intestinal”, conta dona Inês.



Fonte: Globo Repórter



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