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“Fungos do bem” combatem pragas em plantações de morango e feijão

Compartilhe:     |  15 de julho de 2019

Um dos grandes desafios para os agricultores brasileiros é o controle de pragas e a estratégia de combate mais utilizada por eles tem sido o uso de agroquímicos, que podem causar consequências graves ao meio ambiente e aos seres humanos. Buscando inovações para uma agricultura sustentável, pesquisadores da USP e da Universidade de Copenhague (Dinamarca) utilizaram meios naturais para diminuir a população de organismos considerados prejudiciais às plantações.

Os cientistas inocularam fungos entomopatogênicos (que podem atacar os insetos) em plantas de feijão e de morango para combater o ácaro rajado (Tetranychus urticae), que atinge, além destas duas culturas, mais outras 200 espécies diferentes.

No estudo em questão, as sementes de feijão e as raízes de plantas de morango foram inoculadas (mergulhadas) em suspensões de fungos. “Este novo método é uma estratégia inovadora que pode reduzir as aplicações de agroquímicos para o controle do ácaro rajado, melhorar o desenvolvimento das plantas de feijão e de morango, além de ser inofensivo ao meio ambiente e à saúde humana.”

O ácaro rajado ataca as folhas das plantações provocando amarelecimento destas, reduz capacidade da planta de realizar a fotossíntese e como consequência há perda acentuada da produção e da qualidade dos frutos. No morangueiro, por exemplo, quando há grande infestação, a produção de frutos fica comprometida em até 80%.

O controle da praga é realizado com a aplicação de acaricidas ou através da liberação de ácaros predadores. Fernanda explica que quando inoculados, “os fungos dos gêneros Metarhizium e Beauveria (os “fungos do bem”) são capazes de colonizar o interior dos tecidos das plantas e conferir proteção contra algumas espécies de pragas”, diz.

Os estudos foram realizados conjuntamente na Dinamarca e no Brasil. Na Universidade de Copenhague, os testes foram feitos com feijão cultivado em casa-de-vegetação. A ideia foi analisar os efeitos da inoculação de sementes de feijão em suspensões de Metarhizium e Beauveria no crescimento populacional do ácaro rajado, no desenvolvimento e produção da leguminosa e no comportamento e taxa de predação de uma espécie do ácaro predador (Phytoseiulus persimilis).

No Brasil, os experimentos foram feitos com morangos em casa-de-vegetação na Esalq e em quatro áreas de produção comercial, sendo três em Atibaia, em São Paulo, e uma em Senador Amaral, Minas Gerais. Nesse caso, as raízes de morangueiro foram inoculadas em suspensões fúngicas. Aqui, foram avaliados o crescimento populacional do ácaro rajado, o desenvolvimento das plantas e a produção de frutos.

Em campo, foram também observados os efeitos contra fitopatógenos (micro-organismos que causam doenças nas plantas) e ácaros predadores presentes nas áreas experimentais.

Os resultados da pesquisa confirmaram redução significativa na população de T. urticae e melhor desenvolvimento das plantas. Segundo Fernanda, a produção das vagens do feijão e dos frutos de morango foram superiores nas plantas inoculadas em relação às não inoculadas. No campo, foram observadas populações significativamente menores de T. urticae, menos sintomas de doenças e não houve efeito negativo na população natural de uma espécie de ácaro predador (Neoseiulus californicus).

Como perspectiva prática, Fernanda afirma que há a possibilidade de, no futuro, haver o desenvolvimento de produtos comerciais, como um biopesticida à base de fungos entomopatogênicos para uso como inoculantes. “A associação desses produtos biológicos com outros inimigos naturais (parasitoides e predadores) certamente contribuirá para o manejo integrado de pragas de diversas culturas no campo”, completa.

Um dos artigos referentes à tese foi publicado na revista “Biological Control” em maio de 2019, com o título “Effects of bean seed treatment by the entomopathogenic fungi Metarhizium robertsii and Beauveria bassiana on plant growth, spider mite populations and behavior of predatory mites.”

A tese de doutorado “Effects of entomopathogenic fungi used as plant inoculants on plant growth and pest control” foi defendida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, sob a orientação dos pesquisadores Italo Delalibera Junior (Esalq) e Nicolai Vitt Meyling (Universidade de Copenhague).



Fonte: Revista Planeta - Ivanir Ferreira - Jornal da USP



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