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Galo da Serra Andino é considerado o pássaro mais bonito da Terra

Compartilhe:     |  9 de novembro de 2014

Acima das nuvens, ao lado dos anjos. Diante de tantas formas e cores, é fácil pensar em paraíso. Difícil é decidir: Afinal, qual é a ave mais bonita?

A equipe do Globo Repórter foi atrás de uma candidata ao título, e trocou o dia pela noite. Acordou às 3h e saiu antes das galinhas. Fomos em busca do personagem mais famoso do horário: o galo. Não um qualquer, mas um muito especial: o Galo da Serra Andino.

Após mais de uma hora de caminhada, o guia Noé Morales falou que tem outro tanto pela frente, só que de subida. A equipe teve que passar para uma outra encosta da montanha.

Globo Repórter Amazônia nas Alturas (Foto: TV Globo)

Depois de duas horas e meia, o céu começou a clarear, a floresta despertou.  O guia indica a chegada, é um dos cantinhos preferidos do galo. O bicho é bonito, mas escolheu um lugar complicado para morar. Além de toda a caminhada, a equipe ainda tem a dificuldade da encosta, que é muito íngreme, ruim de se acomodar. É o melhor ponto de observação: onde a floresta abre uma janela para o Vale. E parece que a festa deles está começando.

O plano de chegar antes do galo acordar dá certo. Assim que amanhece, a floresta é invadida por uma alvorada de gritos. Alguns estavam bem perto da equipe. Muitos pontos da mata ainda estão escuros, fica difícil focar. Por 20 minutos, a equipe procurou sem encontrar. Até que uma mancha vermelha apareceu, no centro do vídeo. Um deles se aproximou. O bicho se movimentava, parecia nervoso. O animal não ficava parado e pulava de um lado para o outro.

A equipe tentou acompanhar, atenta a qualquer chance, mas o galo é esperto. Parece que se esconde, de propósito, atrás do emaranhado de folhas. E é isso mesmo. Ele mostra as penas brancas, sempre atrás dos galhos.

A equipe do Globo Repórter vai conhecendo o bicho aos poucos. Primeiro, visualiza a cabeça com a crista, perfeita, que rende o apelido de galo. Ele estava tão curioso quanto a equipe (veja no vídeo acima).

Na verdade, eram três ou quatro, difícil dizer. Enfim, chegou um momento em que um deles resolveu se mostrar de frente, peito estufado, estilo o rei do pedaço. Mas depois da primeira aparição, tchau. O que pôde ser visto pela equipe já foi fascinante. Só que, em vez de satisfeitos, a equipe ficou ansiosa por mais. O guia Noe Morales explicou que não é tão simples assim. “A atividade é sempre as 6h, porque depois eles saem para a mata, para procurar comida”, diz o guia.

Globo Repórter: Porque que eles se escondem?
Noé Morales, guia: A maioria das aves, por instinto natural precisa se proteger, não é? eles sabem que podem ser caçados. Por isso ficam correndo para um lado, escondendo para o outro, para não serem predados.
Globo Repórter: E agora, não adianta procurar nada?
Noé Morales, guia: Agora é como se eles não existissem e as 15h eles retornam a atividade.

Queimando de curiosidade, a equipe decidiu ficar. O almoço, no meio da mata, foi banana na casca de banana e um pouco de arroz. Às 16h, todos desceram para o segundo tempo. Os vultos retornaram. E os galos começaram a se mostrar. De novo a mesma brincadeira de esconde-esconde. Uma cabeça, parte do corpo, um olhinho na janela, até que alguns resolveram se mostrar por inteiro.

As cores tomaram conta das lentes do cinegrafista. O vermelho marcante, escarlate, o branco e o preto. E a crista, talvez o adereço mais luxuoso, que leva muitos ornitólogos a eleger essa ave como a mais bonita do planeta e rara. Só existem duas espécies.

Essa, o Galo da Serra Andino, vermelho, e o Alaranjado, que vive ao norte do Rio Amazonas, inclusive no Brasil. E este já deu o show em um Globo Repórter. Também mostramos a exibição que os galos machos fazem para atrair a fêmea, que no caso do Galo da Serra brasileiro, acontece no chão.

De volta para a aventura no Equador, a persistência nos colocou diante de um espetáculo. À tardinha, os galos retornaram e eram muitos. O guia Noé calculou que eram mais de 20. Começaram a piar. É uma barulheira só. A bagunça durou meia hora. E o silêncio voltou à floresta. Noe comparou o cantinho de vale com uma “discoteca”.

“Discoteca! Mais ou menos, onde os galos vão para fazer uma festa, se mostrar para as fêmeas. Por isso, cantam, dançam, saltitam”, explica o guia Noe Morales.

Uma fêmea aproveitou o desfile de modas para escolher um único pretendente. Depois do namoro, as fêmeas constroem os ninhos longe do alcance dos predadores, na rocha. Daí o nome em espanhol, Gallito de La Roca. Geralmente escolhem paredões perto de um riacho. Se tiver uma cachoeira por perto é até melhor. O ninho já cheio, tinha dois filhotes com poucos dias de vida.

Em um outro ninho chegava a hora do lanche. E o que é maior que coração de mãe? O papo, é claro! Onde a comida é armazenada para os filhotes. As frutinhas apareciam como mágica ou milagre. Ninguém fica com fome. A fêmea resolveu tudo sozinha: construiu o ninho, buscou comida e mais tarde, ajuda no aprendizado da cria. Os filhotes ficam um mês sob os cuidados da mãe. E quando crescerem vão usar o gogó para cantar, anunciar o nascer do dia e o futuro na floresta.

Globo Repórter: O que significa para vocês da comunidade ter um bicho assim?
Noé Morales, guia: o Galo da Serra é muito, muito especial. Nós sabemos que muitos pesquisadores, muitos estudiosos, vêm para cá por causa dele. Isto também traz responsabilidades. As pessoas daqui acreditavam que só se podia viver cortando a floresta. Mas somos um exemplo de que é possível sim, viver com ela.



Fonte: Globo Repórter



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