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Geólogo brasileiro propõe nova configuração para supercontinente Colúmbia

Compartilhe:     |  27 de janeiro de 2021

Supercontinente Colúmbia

Estima-se que o planeta Terra tenha cerca de 4,56 bilhões de anos. Durante todo esse tempo, os continentes terrestres sofreram muitas transformações e apresentaram diferentes formatos.

Muito já se falou sobre o supercontinente Pangeia, nome dado à configuração da Terra na era Paleozoica, há aproximadamente 300 milhões de anos.

Porém, o planeta já teve várias outras formatações continentais antes da Pangeia. Uma delas é a Colúmbia, também chamada de Nuna, configuração paleográfica do supercontinente terrestre, que se formou há cerca de 1,75 bilhão de anos.

O professor Alexandre Chaves, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) acaba de propor uma nova formatação para os blocos continentais desse supercontinente Colúmbia.

“A existência de Colúmbia foi identificada em meados dos anos 2000. Nas duas décadas seguintes, foram propostas várias formatações diferentes para ele. Usando uma metáfora fácil de entender, desenvolvi uma configuração para o continente como se cada bloco de terra fosse uma peça de um ‘quebra-cabeça’ que eu reposicionei,” conta ele.

Paleomagnetismo

Para montar esse novo “quebra-cabeça”, Alexandre usou dados já conhecidos de paleomagnetismo, campo de estudo que leva em conta as latitudes do planeta em que essas “peças” se posicionavam no passado, assim como informações sobre as idades geológicas dos chamados diques máficos, rochas formadas pelo manto da Terra.

“Com os fragmentos de diques máficos com idades conhecidas da literatura, eu reposicionei as peças, ou seja, os blocos continentais da época, e montei essa nova formatação. Esse trabalho possibilitou realinhar esses diques radialmente, algo que ainda não havia sido feito em Colúmbia,” contou o pesquisador.

O realinhamento inédito ao qual o professor se refere é uma evidência de que a nova formatação pode representar a face da Terra há 1,75 bilhão de anos. Essa descoberta pode ter desdobramentos econômicos importantes para os dias atuais.

“É a primeira vez que o alinhamento radial dos diques em Colúmbia é justificado por meio de dados. No meio das cadeias de montanhas, há uma infinidade de minérios de importância econômica. Também consegui alinhar antigas cadeias montanhosas em Colúmbia, e isso ajudará a prever a localização de determinado tipo de minério. Isso facilita o trabalho de prospecção de jazidas,” disse Alexandre

 

Geólogo brasileiro propõe nova configuração para supercontinente Colúmbia

O trabalho tem importância para a mineração, servindo como referência para a busca de novas jazidas minerais.
[Imagem: Alexandre de Oliveira Chaves]

Supercontinentes

Alexandre explica que os supercontinentes podem ser formados por dois tipos de processos geológicos: introversão e extroversão.

No primeiro caso, o continente se divide em massas menores de terra separadas por um oceano, onde ocorrem fenômenos de subducção – mergulho da placa oceânica para dentro do manto terrestre. Como consequência, o oceano deixa de existir, e os blocos de terra se juntam e geram um supercontinente cercado de água.

No caso da extroversão, o processo é diferente: um superoceano, como o Pacífico, é preferencialmente subductado e aglutina as massas de terra para formar um supercontinente.

“Percebemos que o supercontinente de Colúmbia foi formado predominantemente por um processo de extroversão. A ciência reconhece que os fenômenos de formação dos supercontinentes são cíclicos. Portanto, é muito importante que sejam desenvolvidos estudos para compreender sua evolução. Precisamos entender como os supercontinentes se transformaram e ainda se transformam ao longo do tempo,” concluiu Alexandre.



Fonte: Inovação Tecnológica



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