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Gigantes petrolíferas insistem no caos climático, segundo aponta relatório

Compartilhe:     |  10 de setembro de 2019

Novo relatório aponta que os investimentos recentes aprovados pelas principais companhias do setor não estão alinhados com a meta do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global em 1,5ºC neste século

Na medida em que as evidências sobre os perigos da crise climática que vivemos se acumulam, investidores têm se preocupado cada vez mais com os riscos climáticos em seus portfólios. No entanto, essa preocupação parece não se refletir nas principais empresas do setor de petróleo e gás natural do mundo: desde o ano passado, essas companhias aprovaram projetos que ameaçam os compromissos climáticos globais e que totalizam cerca de US$ 50 bilhões.

De acordo com novo relatório publicado pelo think tank Carbon Tracker, as decisões de investimento das gigantes do petróleo e gás ainda não estão alinhadas com o objetivo definido pelo Acordo de Paris para conter a elevação da temperatura global em 1,5ºC com relação aos níveis pré-industriais até o final deste século. Para os autores, esses investimentos não arriscam apenas os compromissos climáticos, mas também o retorno financeiro dos acionistas destas empresas, já que os projetos podem resultar em ativos “encalhados”, incapazes de gerarem receita para quitar seus custos.

“Cada grande companhia de petróleo está apostando pesadamente contra o limite de 1,5ºC e investindo em projetos que contrariam as metas de Paris”, aponta Andrew Grant, analista sênior da Carbon Tracker e um dos autores do relatório.

“Os investidores devem contestar os gastos das empresas em novos projetos fósseis. A melhor forma de preservar o valor do acionista na transição para o baixo carbono e, ao mesmo tempo, alinhá-lo com as metas climáticas será enfocar em projetos de baixo custo que poderão entregar retornos maiores”, completa Grant.

O relatório alerta que a demanda por combustíveis fósseis precisa cair para que as metas climáticas globais sejam viabilizadas e, nesta realidade, apenas projetos com custo mais baixo conseguirão dar um retorno econômico aos investidores. Entretanto, os 18 projetos identificados pela Carbon Tracker mostram que as companhias insistem na aplicação de vultosos montantes financeiros no uso de fontes fósseis de energia. Gigantes do setor, como ExxonMobil, Chevron, Shell, BP e Total gastaram cada uma ao menos 30% de seu investimento em 2018 em projetos inconsistentes com uma limitação do aquecimento global em 1,5ºC.

“Esses projetos representam uma ameaça iminente aos investidores e companhias que buscam alinhar suas decisões com as metas climáticas”, alerta o relatório.

De todas as gigantes do setor, a ExxonMobil é a empresa com o maior risco de ficar com ativos encalhados em um mundo de baixo carbono, com mais de 90% de seus investimentos potenciais entre 2019 e 2030 direcionados a projetos incompatíveis com um aquecimento de 1,5ºC. Ela é seguida pela Shell (70%), Total (67%), Chevron (60%), BP (57%), e Eni (55%).

A Carbon Tracker estima que as companhias petrolíferas gastariam cerca de US$ 6,5 trilhões até 2030 em projetos que colocariam o mundo em uma trajetória de aquecimento de 2,7ºC. Por outro lado, investimentos em projetos que contribuiriam para um aquecimento de, no máximo, 1,6ºC, totalizariam US$ 4,3 trilhões. Ou seja, projetos com custos maiores arriscam criar ativos encalhados que nunca darão o retorno esperado pelos acionistas dessas empresas.

Para superar essa situação, o relatório sinaliza que as companhias precisarão cortar investimento, mesmo em tecnologia de captura e armazenamento de carbono, que não é vista com viabilidade prática neste momento. A demanda por petróleo e gás pode ser atendida com projetos que dão retorno com preços abaixo dos US$ 40 por barril, e investimentos mais altos arriscam criar “ativos encalhados” que nunca conseguirão dar retorno financeiro aos investidores.

Essas companhias arriscam desperdiçar US$ 2,2 trilhões até 2030 se basearem suas decisões de investimento nos compromissos atuais de redução de emissões por parte dos países, que podem levar o mundo a um aquecimento de 2,7ºC, em vez de se planejar para uma transição mais completa e rápida para o baixo carbono.

Pressionadas pelos investidores, muitas dessas empresas (como Shell, BP e Total) vêm reforçando que buscarão testar novos investimentos para buscar um alinhamento consistente com cenários de baixo carbono. O relatório da Carbon Tracker deixa claro que essas companhias precisam sair do discurso à prática para realmente ajustar esse setor aos compromissos do Acordo de Paris.

O estudo, que também mostra o que as empresas podem, está disponível na íntegra (em inglês) aqui.



Fonte: Página 22



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