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Gore alerta para o perigo de uma ‘bolha de carbono’ de US$ 22 trilhões

Compartilhe:     |  25 de maio de 2021

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos chama a atenção para ativos que correm o risco de deixar de ter valor diante das metas de descarbonização dos países

O ambientalista e ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore disse que os investimentos em combustíveis fósseis “já são os de pior rendimento da economia nesta última década”.

“A economia de combustíveis fósseis não basta para justificar o contínuo investimento na destruição do planeta”, criticou o democrata. “Estamos diante do risco de uma bolha global de carbono, como a das (hipotecas) subprime, sendo que US$ 22 trilhões de ativos de carbono de segunda linha já estão lançados nos balanços de empresas multinacionais e fundos soberanos, mas jamais serão queimados.”

Gore se refere a ativos em combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás, que não poderão ser queimados se o mundo resolver seriamente conter o aquecimento da temperatura em 1,5°C ou bem abaixo dos 2°C, como está no Acordo de Paris. Estes ativos são conhecidos como “stranded assets”, ou “ativos podres”, porque correm o risco de deixar de ter valor diante das metas de descarbonização dos países.

Gore falou durante o talk show com Luis Alberto Moreno, diplomata colombiano e ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na 4ª edição do Cidadão Global 2021, evento promovido pelo Valor Econômico e pelo banco Santander na manhã desta terça-feira.

Talk show com Al Gore, Sérgio Rial e José Roberto Marinho, mediado por Luis Alberto Moreno — Foto: Reproducao/YoutubeTalk show com Al Gore, Sérgio Rial e José Roberto Marinho, mediado por Luis Alberto Moreno — Foto: Reproducao/Youtube

“Vocês viram as maiores empresas de petróleo e gás terem o valor de seus ativos diminuídos e isso ocorreu antes com as empresas de carvão. Muitas empresas à base de carvão faliram no mundo e nos EUA”, seguiu Gore, para quem o setor financeiro tem papel crucial para conduzir as finanças rumo à economia descarbonizada.

“O papel do setor financeiro continua fundamental por vários motivos, mas principalmente por tirar o capital do setor de combustíveis fósseis e focá-lo na sustentabilidade, continuou.

Ele defendeu que bancos, corretoras e outras entidades financeiras tornem transparentes os riscos de se investir em empresas ou produtos não sustentáveis e que usem “critérios claros” de avaliação para os investimentos.

“Órgãos reguladores financeiros têm esta responsabilidade também”, seguiu. “A Securities and Exchange Commission (SEC) nos EUA acaba de anunciar certos protocolos para acabar com o greenwashing. Na União Europeia órgãos reguladores também estão criando fortes iniciativas para incentivar empresas a revelar as informações relacionadas com clima”, seguiu.

Gore se disse otimista em relação às oportunidades de investimento geradas pela revolução sustentável que descreve. “O potencial incrível que ela tem é a razão pela qual o investimento em ESG é uma melhor prática”, disse. “Acredito que isso não sairá de moda.”

“Mas, como mencionei, precisamos ter cuidado com greenwashing de empresas e de investidores que têm metas aparentemente promissoras, mas que não têm um plano concreto para cumprir o que disseram, de atingir estas metas.”

“Investidores precisam ter uma posição ativa para se opor aos conselhos que não levam a crise climática a sério”, seguiu o ex-vice presidente americano. “Não estou falando em termos morais somente. A crise climática já tem impacto devastador em empresas e em seus lucros. E este risco só vai aumentar se continuarmos inertes.”

“Tomar iniciativas para descarbonizar é interessante para qualquer empresa”, defendeu.

Gore também mencionou o que está ocorrendo na China, com plano para alcançar emissões líquidas zero até 2060. “Embora eu não fique surpreso se fizerem isso antes.”

“Antes, os líderes chineses argumentavam que a redução significativa de emissões prejudicaria a capacidade de melhorar a economia e de acabar com a pobreza e de expandir a classe média. Mas a economia atual conta uma história bem diferente”.

Ele citou o relatório de abril da coalizão que ajudou a fundar conhecida por Climate Trace, e que indica que a China poderia poupar US$ 1,6 trilhão nos próximos 20 anos ao fazer uma transição rápida para a energia renovável “e deixar o carvão de lado”.

“A realidade econômica da revolução da sustentabilidade ajuda a incentivar a China a fazer uma descarbonização mais agressiva”, acredita.



Fonte: Valor - Por Daniela Chiaretti e Gabriel Vasconcelos



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