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GranBio dá início à produção de etanol 2G à base de palha e bagaço da cana

Compartilhe:     |  26 de setembro de 2014

Até o presente momento, o etanol produzido no Brasil era feito a partir da cana de açúcar. Recentemente, a empresa de biotecnologia GranBio, fundada pela família Gradin, anunciou que deu início no País à produção de segunda geração (2G), elaborada à base de palha e bagaço da cana.

A fábrica,  primeira unidade produtora em escala comercial do hemisfério Sul, poderá mudar uma tradição de mais de 500 anos no jeito de se produzir álcool. O principal desafio dos Gradin, neste momento, é tornar o seu negócio rentável, uma vez que as tradicionais usinas do setor enfrentam uma das piores crises de sua história.

Instalada na cidade São Miguel dos Campos, em Alagoas, a unidade Bioflex 1 recebeu investimentos de US$ 190 milhões na parte industrial, US$ 34 milhões acima do previsto inicialmente, e outros US$ 75 milhões em cogeração de vapor e energia, em parceria com a usina Caeté, do grupo Carlos Lyra, totalizando US$ 265 milhões. O BNDES financiou R$ 300 milhões desse projeto.

O Brasil tem potencial de aumentar em 50% a produção de etanol apenas com uso de palha e bagaço, sem necessidade de ampliação de canaviais.

Expansão

Criada em 2012, a GranBio tem como sócios a família Gradin, com 85%, e o braço de participações do BNDES (BNDESPar), com 15%. O banco aportou R$ 600 milhões na empresa, controlada pela GranInvestimentos.

O plano da GranBio é erguer outras 10 plantas de etanol 2G, com parceiros, até 2022, em um investimento que deve somar R$ 4 bilhões, afirmou ao Estadão Bernardo Gradin, presidente da GranBio. A meta é atingir a produção de 1 bilhão de litros de etanol 2G nesse período. Segundo Gradin, a segunda planta do grupo deve entrar em operação a partir de 2016. “Os investimentos nas futuras fábricas deverão ser mais baratos que os da primeira.”

Custo de produção

“A expectativa é de que nos próximos meses o custo de produção de etanol de segunda geração seja 20% mais baixo que o da primeira geração”, projetou Bernardo. O custo de produção de etanol de primeira geração gira em torno de R$ 1,50 por litro, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

A subsidiária da M&G tem uma planta de demonstração (menor escala) de etanol de segunda geração. Neste ano, três grupos, a DuPont, Poet e Quad County, começaram a produzir o combustível em escala comercial, nos EUA. No Brasil, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, e a usina São Manoel também apostam nessa tecnologia.

Enquanto o ciclo de produção de uma usina sucroalcooleira tradicional dura o tempo da moagem da cana – no Centro-Sul do Brasil vai de março a dezembro -, uma fábrica de segunda geração funciona independentemente da safra de cana, 12 meses por ano, conforme a disponibilidade da matéria-prima (palha e bagaço), que ainda são tratadas como “sobras” por boa parte das usinas do setor.

Potencial brasileiro

O Brasil tem potencial de aumentar em 50% a produção de etanol apenas com uso de palha e bagaço, sem necessidade de ampliação de canaviais, de acordo com Gradin. A GranBio desenvolveu um sistema próprio de armazenamento da matéria-prima que a coloca entre as mais competitivas do mundo.

Os planos da GranBio são investir também em bioquímico renovável. Em 2013, fechou parceria com a Rhodia (da Solvay) para a produção de bio n-butanol, que é usado em larga escala pelas indústrias químicas.



Fonte: EcoD



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