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Guia de Observação de Aves vai atrair observadores nacionais e internacionais para o Ceará

Compartilhe:     |  18 de novembro de 2020

A ideia surgiu a partir da observação do potencial natural que a reserva Serra das Almas, gerida pela Associação Caatinga, no sertão de Crateús, tinha em relação a sua fauna, a quantidade de aves que existiam na unidade de conservação. Durante a elaboração e execução do Plano de manejo da reserva foi observado que existiam mais de 200 espécies de aves e que muitas delas eram endêmicas ou ameaçadas. Daí, surgiu a oportunidade de inserir dentro do projeto essa meta de elaborar um Guia de Observação de Aves.

Com a aprovação do projeto RPPN – Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais – onde estão previstas ações de criação de unidades de conservação e implementação do plano de manejo da reserva natural Serra das Almas, o guia ganhou corpo. Para colocar a proposta em prática, a Associação Caatinga contratou dois consultores, especialistas em aves, Wéber Girão e Fábio Nunes, para realizar o levantamento das espécies e fotografar. Com esses dados foi possível criar uma lista atualizada das espécies que vão compor esse guia da reserva.

As dinâmicas empregadas nesse estudo foram as mais variadas, mas todas partiram de buscas diretas tanto no período da manhã, como a tarde e no período da noite, já que existem aves noturnas. As buscas foram feitas a partir do avistamento das espécies e através da audição dos cantos dessas aves. Os ornitólogos usaram o play-back, onde você utiliza o canto gravado dessas aves, para poder chamar as da mesma espécie e assim comprovar a existência delas no local. Com isso, os especialistas conseguiram uma boa quantidade de informações para compor o mapeamento das espécies.

“Já havia alguns levantamentos dessa temática na reserva natural Serra das Almas. Nós temos o nosso plano de manejo da unidade de conservação. Estamos na nossa terceira interação. Então, nos estudos iniciais para a criação da unidade e, posteriormente, para a elaboração do plano de manejo, foram feitos também estudos para o levantamento de aves. Esse estudo para a elaboração do guia é mais uma atualização da lista que nós já tínhamos com a criação da unidade de conservação e a elaboração do seu plano de manejo”, diz Samuel Portela, coordenador técnico da Associação Caatinga

Peculiaridades

Existem algumas peculiaridades em relação as aves estudadas. Muitas delas são endêmicas do bioma caatinga. Outras estão na lista de espécies ameaçadas de extinção. São aves da caatinga e existem em alguns locais específicos, mais bem conservados, como é o caso da reserva natural Serra das Almas. “Na reserva,  a captura por caçadores ou traficantes de aves se torna um pouco mais difícil já que o acesso é mais restrito e contamos com equipes de guardas parques que fazem a fiscalização da área. A Serra das Almas então se torna um refúgio para essas aves aumentando assim o endemismo destas espécies dentro da reserva”, salienta Samuel.

Lista atualizada

Durante os levantamentos de campo realizados pelos pesquisadores foram identificadas 230 espécies que irão compor o Guia de Observação de Aves. Das 230 espécies identificadas nessa campanha é possível destacar a presença do jacu verdadeiro; bico virado da caatinga; vira folha e uma enorme variedade de pica-paus e arapaçus, além de uma espécie bem rara e difícil de ser observada e que chamou muito a atenção dos pesquisadores: o caboré acanelado. Ele é uma corujinha pequena que habita as regiões da caatinga, mas que dificilmente é avistado. Dessa vez, os pesquisadores encontraram um ponto de observação que, pelo menos a priori, vai ser fácil observar ou escutar essa espécie.

No geral, as aves de maior porte, aquelas que têm uma beleza destacada e as que cantam bastante, são muito visadas por caçadores ou traficantes. Para essas de maior porte a principal ameaça é o abate para o consumo da carne, como por exemplo o jacu verdadeiro e o jacu pemba. Já as outras aves que são mais bonitas, têm uma plumagem mais atraente e mais colorida ou que cantam bastante são mais perseguidas pelos caçadores para o tráfico e venda das espécies. Outra ameaça é perda de habitat por causa das constantes queimadas que vêm ocorrendo em todos os biomas e na caatinga não é diferente. No caso da caatinga, as queimadas são utilizadas para práticas da agricultura. Além das queimadas, a extração de madeira, de lenha para carvão também contribuem para a perda de habitat dessas espécies.

Existem várias frentes que atuam na proteção dessas espécies que vão de ações mais ostensivas, como por exemplo o trabalho da polícia ambiental, as operações de combate à caça ilegal realizadas pelo Ibama ou ICMBio quando se trata de unidade de conservação e existem também aquelas ações focadas mais na conservação, no estudo, na pesquisa que, muitas vezes, são feitas através dos Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies, os chamados PAN´s. A Associação Caatinga participa do PAN Aves da Caatinga e do PAN do Soldadinho do Araripe.

Segundo Samuel Portela, coordenador técnico da Associação Caatinga, especificamente para esta ação, que é a elaboração do Guia de Observação de Aves da reserva Natural Serra das Almas, a associação conta com a parceria da Fundação Grupo Boticário de Proteção a Natureza. “A partir da elaboração desse Guia de Observação de Aves da Reserva Natural Serra das Almas, nós pretendemos atrair e ampliar a quantidade e a variedade de visitantes para a reserva. E com isso gerar uma renda a mais para as ações de conservação e tornar a Reserva Natural Serra das Almas um ponto de visitação desses observadores de aves tanto nacionais como internacionais dada a importância das espécies que lá estão presentes” esclarece Samuel.

A ideia, portanto, é tornar a reserva natural Serra das Almas um ponto de observação de aves e inseri-la no roteiro de observadores que viajam o mundo todo à procura dessas espécies mais raras, ameaçadas de extinção e endêmicas. A caatinga é muito rica em biodiversidade e isso contribui para que o projeto dê bons resultados na divulgação das espécies de animais que existem no bioma.



Fonte: Diário do Nordeste - Ricardo Mota



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