Entrevista

Guru da felicidade dá dicas para ter uma vida menos estressante

Compartilhe:     |  12 de outubro de 2019

Resultado de imagem para Guru da felicidade dá dicas para ter uma vida menos estressante

A quase 200 km da cidade de São Paulo, em Porangaba, interior paulista, um terreno de cem hectares – equivalente a cem campos de futebol – aparenta ser a síntese perfeita de uma vida tranquila. Um lago define o ritmo do marasmo, a vegetação responde suavemente ao tempo e tudo vira cenário de meditação e quietude. Este é o pano de fundo do Instituto Visão Futuro, que tem espaços de arte, saúde, horta e padaria, além de abrigar 15 moradores em sua ecovila. Lá também são realizados cursos de desenvolvimento pessoal, ioga e ecologia. A pessoa por trás desse universo é a psicóloga e antropóloga formada em Harvard Susan Andrews, há 27 anos no Brasil. Expert em bem-estar, com livros publicados como A Ciência da Felicidade e O Stress a seu Favor, ela impulsionou no país o debate sobre o conceito da Felicidade Interna Bruta (FIB) – quase um contraponto ao PIB –, que avalia o nível de wellness de uma população de acordo com parâmetros como educação de qualidade, uso equilibrado do tempo e acesso à cultura. Nome confirmado para a 5ª edição do Casa Vogue Experience, entre os dias 22 e 27 de outubro, em São Paulo, Susan vai falar no evento sobre aquilo pelo que todos nós deveríamos estar brigando com unhas e dentes: a felicidade. Em entrevista, ela entrega, a seguir, alguns dos segredos para uma vida melhor.

Cidades cada vez mais cheias, estilo devida corrido, poluição, congestionamentos. Afinal, como estamos nos saindo nesse cotidiano do caos urbano? Infelizmente, não muito bem. Um estudo publicado pelo respeitável Karolinska Institutet de  Estocolmo, na Suécia, mostrou que um alto nível de urbanização está associado não apenas à infelicidade, mas à psicose e à depressão, tanto para mulheres quanto para homens. Segundo a pesquisa, aqueles que vivem nas áreas mais densamente povoadas tiveram quase 20%mais riscos de desenvolver depressão do que aqueles que vivem nas áreas rurais, e 77% mais chance de ter psicose. Os desafios são tudo o que você citou – aumento da densidade demográfica, aceleração da vida, poluição, congestionamento no trânsito – mas tem algo a mais que muitas vezes nós ignoramos – o barulho. Ambientes demasiadamente barulhentos podem elevar a pressão sanguínea e os hormônios do estresse, comprometer nosso desempenho cognitivo e causar fadiga e irritabilidade.

“Áreas urbanas verdes facilitam a atividade física, o relaxamento e formam um refúgio do barulho””

Susan Andrews

Que tipo de mudanças nas cidades, em termos estruturais, você acredita que possam contribuir para o bem-estar e a felicidade da população? A Organização Mundial da Saúde decretou: áreas urbanas verdes facilitam a atividade física, o relaxamento e formam um refúgio do barulho. As árvores produzem oxigênio e ajudam a filtrar a poluição atmosférica prejudicial, e os parques e jardins urbanos desempenham um papel indispensável na refrigeração das cidades. Os espaços verdes também são importantes para a nossa saúde mental. Sempre que nosso Instituto Visão Futuro conduzia pesquisas sobre a felicidade em várias áreas urbanas do Brasil, perguntando aos habitantes o que eles mais reivindicavam para aumentar seu bem-estar, a resposta mais comum era: acesso fácil a um parque agradável.

Como esses níveis de estresse que permeiam nosso dia a dia, como trabalho, medo da violência, têm se manifestado nas nossas vidas? Todos os estressores afetam enormemente nossa saúde física e mental. O estresse crônico resulta na hiperatividade do sistema nervoso simpático e na secreção excessiva de hormônios, como o cortisol, que se tornam tóxicos para a saúde. Existe alguma forma de usar o estresse a nosso favor? Definitivamente, sim. A Escola de Medicina de Harvard recomenda a prática daquilo que o cardiologista Herbert Benson chama de “Resposta de Relaxamento” para gerenciar nosso estresse e manter nossa saúde física e mental. Estamos ensinando isso em escolas, universidades, hospitais e empresas em todo o Brasil, com resultados maravilhosos. Quando usamos técnicas simples de respiração e relaxamento durante o dia para acalmar e autorregular nossos sistemas nervosos e endócrinos, não somente mantemos o equilíbrio mental e a saúde física, mas de fato nos tornamos muito mais resilientes a ponto de transformar o estresse a nosso favor. E podemos vivenciar as palavras de Friedrich Nietzsche: “O que não me mata, me fortalece”.

É possível barrar o estresse do mundo ao pisar dentro de casa, até mesmo com o celular na mão? Existe algo que você recomenda para que as pessoas construam ilhas de bem-estar? Primeiro de tudo, coloque plantas. Foi provado que elas melhoram a memória, o esempenho em geral e aumentam a criatividade. Não se exercite com música em volume alto, e utilize música suave ou mantras para criar um ambiente acústico positivo e saudável em casa. Transforme seu lar em um oásis de paz. E mais importante, dedique ao menos alguns minutos por dia para respirar profundamente, para relaxar e meditar. Isso será o melhor investimento de tempo do seu dia. E se você fizer disso uma parte regular da sua rotina matinal, verá que tudo flui melhor. Você faz surgir um “vento favorável” na sua mente já pela manhã, e isso o leva a um fluxo positivo – e mais eficiente – pelo resto do dia.

Nos últimos anos, principalmente nos EUA, tem ganhado força uma economia voltada ao wellness, que se manifesta em produtos, eventos e outras iniciativas. Acha que essa tendência veio para ficar? A economia global do bem-estar – alguns a chamam de “economia da ansiedade” – gerou algo em torno de US$ 4,2 trilhões em 2017, e está se desenvolvendo quase duas vezes mais rápido do que o crescimento econômico global, com suas celebridades, acessórios e estilo de vida glamourosos, smoothies turbinados, cobertores pesados (weighted blankets) ou estúdios de ginástica caros. Mas na Europa e nos EUA, uma reação já está surgindo. As pessoas estão percebendo que o bem-estar não deriva de uma nova forma de consumismo, mas aparece, como disse uma comentarista inglesa, “da reconexão com os outros e consigo mesmo, com sua própria mente e o espírito”. visaofuturo.org.br



Fonte: Casa Vogue



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Saiba como proceder em caso de envenenamento de cães e gatos

Leia Mais