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Há 49 maravilhas do mundo em risco de desaparecer devido às alterações climáticas

Compartilhe:     |  20 de outubro de 2018
Itália, Croácia, Grécia e Tunísia são os países com maior percentagem de patrimônio da humanidade em risco devido à subida do nível do mar.

Na zona costeira do Mediterrâneo, dezenas de locais classificados como patrimônio mundial da humanidade estão em risco de desaparecer. Segundo um estudo divulgado esta terça-feira na Nature Communications, a subida do nível do mar – uma das consequências do aquecimento global – é a principal causa. Itália, Croácia, Grécia e Tunísia são os países com maior percentagem de patrimônio mundial da humanidade em risco.  “A ameaça principal são as inundações costeiras”, diz Lena Reimann,  investigadora da Universidade de Kiel, na Alemanha, e autora do estudo, em entrevista ao El País. “O nível do mar vai subir e ameaçar edifícios, igrejas, templos e estátuas. Já a erosão costeira avança mais lentamente, mas poder afetar determinadas estruturas, assim como as características de algumas paisagens culturais como é o caso do Delta do Pó, em Itália, e a Catedral de São Tiago, em Sibenik, na Croácia”. Neste estudo, foram analisados 49 locais, dos quais 37 estão em risco de ficarem submersos e 42 de perderem parte da sua área devido à erosão. Até 2100, o risco de inundação pode aumentar 50%, enquanto que o risco de erosão pode aumentar 13%, mas a percentagem pode aumentar conforme o local onde se encontra o património. Segundo a investigadora, alguns locais históricos do Mediterrâneo já estão a testemunhar os impactos negativos da subida do nível do mar,  como é o caso da Lagoa de Veneza, sujeita ocasionalmente a inundações. Na cidade italiana, há 15 anos que está a ser construído um sistema de barreiras para impedir a água de entrar nas áreas urbanas, caso o nível do mar ultrapasse os 1,1 metros. As obras devem terminar este ano, segundo fontes do consórcio Venezia Nuova, a quem o Ministério de Infraestrutura e Transportes italiano encomendou a obra.

Imagem divulgada pelo estudo onde é possível ver o património mundial da UNESCO na zona costeira debaixo relevo do Mediterrâneo. O mapa mostra também os diferentes níveis do mar, segundo a previsão para 2100
Imagem divulgada pelo estudo onde é possível ver o património mundial da UNESCO na zona costeira debaixo relevo do Mediterrâneo. O mapa mostra também os diferentes níveis do mar, segundo a previsão para 2100

As alterações climáticas são uma “ameaça crescente” para os patrimônios mundiais da humanidade em zonas costeiras. Para combater a situação, os autores do estudo consideram que é necessário tomar medidas de proteção adaptadas às características de cada um dos patrimônios ameaçados. “Pode-se pensar numa classificação dos locais de forma a aplicar estratégias semelhantes em cada um”, afirma Reimann. “Mas uma solução que valha para todos não me parece plausível”. Para a investigadora, é preciso desenvolver um “planeamento precoce e uma adaptação proativa, que inclua soluções inovadoras para os diferentes patrimônios”. Já para a Unesco, a mudança parte essencialmente de reduzir as emissões de CO2 e de limitar o aumento médio da temperatura global para, no máximo, 1,5 graus (como ficou estabelecido no Acordo de Paris). Se esses objetivos não forem cumpridos, “o futuro de muitos dos nossos patrimônios mundiais vai ser sombrio”, alerta Reimann.



Fonte: Contato - Wort



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