O lixo em questão

Hábitos da BH de 40 anos atrás são revelados por arqueologia do lixo

Compartilhe:     |  16 de dezembro de 2018

Jornais, fitas K7 e embalagens de plástico foram os itens mais comuns encontrados nas ‘relíquias’ do aterro sanitário desativado em 2007.

Fitas K7 foram encontradas em grande quantidade em meio ao lixo de mais de 40 anos de Belo Horizonte — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Fitas K7 foram encontradas em grande quantidade em meio ao lixo de mais de 40 anos de Belo Horizonte — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Entre 1975 e 1985, os moradores de Belo Horizonte consumiam muito mais jornais, escutavam (e gravavam) incontáveis fitas K7 e frequentavam postos de troca de garrafas de vidro. Este período foi vasculhado pela pesquisadora Vanúzia Gonçalves Amaral através do lixo. O aterro sanitário, localizado no bairro Jardim Filadélfia, na Região Noroeste da cidade, foi o “sítio arqueológico” escolhido por ela para desvendar os hábitos de consumo daquela época.

“Nós não encontramos nenhuma garrafa pet, embalagens longa vida ou fraldas descartáveis”, disse ela. “As embalagens de produtos alimentícios apresentam elementos ferrosos já que não existia as de alumínio naquele tempo”, completou.

Anúncio dos anos 70 procura por moça de boa aparência que saiba datilografia — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Anúncio dos anos 70 procura por moça de boa aparência que saiba datilografia — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Uma das curiosidades encontradas por Vanúzia foi um anúncio de jornal que dizia “datilógrafa: precisa-se moça maior, boa aparência, horário integral”.

Mais de uma tonelada de lixo foi escavada do aterro. O objetivo agora é começar a vasculhar o período entre 1985 e 1995 para traçar as diferenças do padrão de consumo dos moradores de Belo Horizonte.

Arqueólogos do lixo desvendam hábitos de consumo da BH de 40 anos atrás — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Arqueólogos do lixo desvendam hábitos de consumo da BH de 40 anos atrás — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

O aterro sanitário funcionou até 2007. “Nós temos aí um período de 32 anos de operação para saber quais são os padrões que permaneceram”, disse Vanúzia.

“O trabalho pretende compreender um pouco como o cidadão fazia suas compras e quais eram os seus hábitos a partir do lixo que ele descartou”, completou.

“Uma das surpresas foi a quantidade de plástico que encontramos neste período. As pessoas já consumiam bastante este material naquela época e claro não havia nenhuma consciência de descarte. A consciência ainda está longe da ideal, né? Este trabalho também é interessante para questionar o lixo que descartamos sem refletir”, disse a pesquisadora.

Mais de uma tonelada de lixo foi vasculhada no aterro sanitário desativado de Belo Horizonte — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal

Mais de uma tonelada de lixo foi vasculhada no aterro sanitário desativado de Belo Horizonte — Foto: Vanúzia Amaral/Arquivo pessoal



Fonte: G1 Minas - Thais Pimentel



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