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IBM cria chip que funciona como cérebro e usando pouca energia

Compartilhe:     |  11 de agosto de 2014

O cérebro humano é um equipamento ambicioso. Não sendo muito grande, consegue coordenar funções complexas em velocidade – e simultaneamente. É capaz, ainda, de armazenar informações e aprender. Pra você, tudo isso acontece de forma muito natural e corriqueira. Desde os primórdios da computação, os cientistas especulam como criar máquinas capazes de mimetizar todas essas habilidades que o cérebro apresenta naturalmente.

Na quinta-feira (7), os cientistas da IBM apresentaram à revista Science um artigo em que descrevem o funcionamento do TrueNorth, um chip inspirado na arquitetura do cérebro. É capaz de reconhecer imagens estáticas ou em vídeo e estabelecer conexões semelhantes Às sinapses dos nossos neurônios.Para isso, não precisa mais do que a energia oferecida por uma  bateria simples, dessas usadas em aparelhos auditivos ou relógios.

Até hoje, as tentativas mais bem sucedidas de colocar computadores para trabalhar como nossas cabeças aconteceram no campo dos softwares. É graças a avanços nessa área, por exemplo, que a Microsoft conseguiu colocar o Skype para traduzir conversas em tempo real. A empresa usa um tipo de programa que se beneficiou de uma área da computação chamada de deep learning. Seu objetivo é criar programas de computador que construam suas próprias redes neurais, e consigam aprender sozinhos.

A abordagem da IBM, nesse caso, se concentrou no hardware – a parte palpável do computador. O TrueNorth foi projetado para imitar o funcionamento de 1 milhão de neurônios humanos. É capaz de criar o equivalente a 256 milhões de sinapses. Para isso, possui 4096 centros de processamento (cores). Segundo a revista Wired, o TrueNorth armazena dados transformando-os em padrões de pulsos elétricos, algo parecido com o que, os cientistas acreditam, nossos cérebros fazem.

Esse tipo de máquina, capaz de entender o que se passa no ambiente e agir por conta própria, imitando um cérebro humano, compõe aquilo que os cientistas chamam de computação cognitiva. Para a IBM, serão elas as protagonistas das principais inovações tecnológicas dos próximos anos.

O flerte da IBM com computação cognitiva é antigo. Remonta a 2003, quando a empresa divulgou o projeto do Watson, seu sistema inteligente capaz de interagir com seres humanos. O Watson ficou famoso quando, em 2011, venceu um popular jogo de perguntas e respostas na TV americana, competindo contra dois jogadores humanos.

A empresa já testou as habilidades do TrueNorth ao colocá-lo para realizar tarefas comumente associadas à inteligência artificial, como o reconhecimento de imagens. Ele se saiu bem, executando as missões na velocidade de um chip menos avançado, mas usando menos energia que seus companheiros. “Não há nenhuma CPU, nenhum computador híbrido, capaz de tal desempenho” disse Dharmendra Modha, o pesquisador líder do projeto,a Wired. “O chip foi desenhado para ter eficiência energética em tempo real”.

De acordo com a empresa, mais de um desses chips pode ser conectado para trabalhar em conjunto, criando um supercomputador. O TrueNorth ajuda a resolver um problema que intriga o campo há décadas: computadores convencionais são ótimos em ler palavras e realizar operações matemáticas complicadas, mas não sabem reconhecer e classificar objetos ou entender informações de contexto. Atributos humanos. Por ora.

 



Fonte: Revista Época



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