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Ilha no Mar do Caribe sem rios ou lagos usa água do mar dessalinizada

Compartilhe:     |  6 de abril de 2015

O Bom Dia Brasil vem falando sobre o desperdício de água. Se aqui no Brasil isso ainda é comum, em outras partes do mundo, as pessoas não desperdiçam nada. Curaçao é uma ilha, cercada pelo Mar do Caribe, que fica perto da Venezuela e é um pouco maior do que Curitiba. Não tem nenhum rio e nenhum lago. Para abastecer os moradores, a água vem do mar desde 1928. O repórter Ernesto Paglia foi ver de perto como isso funciona.

Pense me um cartão postal caribenho, pensou Curaçao. Areia branquinha banhada pela água mais transparente. Paraiso para o turista, lar para 150 mil sortudos. Só tem um problema: o país não tem uma gota de agua doce. Sem rios nem lagos, Curaçao só existe porque bebe água do mar.

A água do mar se tornou potável em 1928, quando foi construída a primeira usina de dessalinização do mundo. O sistema que funcionou por décadas vai ser desmontado. No ano passado, começou a funcionar outro equipamento, muito mais compacto e moderno. A água sai transparente como a do mar, mas sem sal.

O engenheiro carioca Gabriel Domingues comandou a implantação dos filtros, e diz que eles poderiam ajudar na crise brasileira, mesmo em regiões distantes da costa. “Esse sistema em si é dessalinização da água do mar composto por osmose reversa. Esse sistema também pode ser aplicado a águas superpoluídas de rios, não necessariamente água do mar”, afirma.

Funciona assim: a agua do mar é pressurizada dentro de tubos e é forçada a passar pelas membranas, os filtros que seguram o sal. A água fica tão pura que não serve para o consumo humano. Para isso, ela precisa receber alguns minerais como cálcio e flúor e passar por analises rigorosas.

A chefe do laboratório de microbiologia diz que o mar parece limpo, mas é cheio de bactérias e poluentes. Quando a qualidade da agua filtrada fica abaixo dos padrões europeus, diz ela, usamos para aguar plantas ou devolvemos ao mar.

Em Curaçao, a água do mar que chega às torneiras é doce. Mas cada metro cúbico de água – uma caixa de mil litros – custa US$ 1,20, o equivalente a R$ 3,80. Só para comparar, os cariocas pagam em média R$ 2,30 e os paulistas, R$ 2,80.

Faz mais de 80 anos que Curaçao tira água do mar para abastecer sua população com muito sucesso, uma experiência respeitada internacionalmente. Mas nós precisamos lembrar que essa é uma solução válida para um país que é uma ilha, cercada de água salgada, sem nenhum rio e com uma população menor que a de alguns bairros da cidade de São Paulo.

Mesmo assim, há algumas lições para serem levadas para casa de Curaçao. Leticia Duran é brasileira. Desde que chegou a Curaçao, quatro anos atrás, sentiu o peso da conta d’agua e adotou medidas que estão virando rotina em muita casa brasileira: lava louças com a torneira fechada, usa a agua da máquina de lavar roupas para limpar o quintal.

“Essa mangueira da máquina de lavar roupa vem para esse balde, da água do balde, com uma bomba, a gente leva a água para o jardim”, afirma.

Ainda assim, paga uma conta de US$ 30 – quase R$ 100 – em uma casa pequena onde Leticia mora com o marido. “Acho que isso pode ser educativo. As pessoas tomam consciência de que precisa ter a consciência de reutilizar, de economizar”, ressalta.

Gastar sem prestar atenção só se tiver poço no quintal. Sorte do seu Heliodoro. “Não tem sal. Um pouquinho de sabor de calcário, mas parece água mineral, mas não é. Muito boa”, diz.

O administrador aposentado explica que só usa a agua da rua para beber e cozinhar. Mesmo assim, paga uma conta equivalente a R$ 100 por mês. Caro? Pois o irmão do seu Heliodoro, que não tem poço, gasta R$ 400 por mês.

Como diz a porta-voz da empresa de dessalinização, quem tem rios, como o Brasil, deve cuidar bem deles e do mar. Agua é sinônimo de saúde. “Aqui em Curaçao, o que sai das torneiras é ouro, e temos muito orgulho disso”, diz ela.



Fonte: Bom Dia Brasil



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