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Inca alerta para alto consumo de agrotóxicos, que podem causar câncer e impotência

Compartilhe:     |  9 de abril de 2015

Por ano, cada brasileiro consome, em média, 5,2 quilos de agrotóxicos contidos em alimentos. O dado é um dos números presentes no documento técnico “Posicionamento público a respeito do uso de agrotóxicos”, divulgado ontem pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo o texto, a ingestão de pesticidas pode levar, em longo prazo, a problemas de saúde como câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal e prejuízos para o sistema imunológico.

Desde 2009, o Brasil ocupa o primeiro lugar entre os países que mais utilizam agrotóxicos: são, pelo menos, 1 milhão de toneladas de substâncias despejadas por ano sobre as lavouras, para matar insetos e plantas indesejáveis.

De acordo com o nutricionista Fabio Gomes, do Inca, os alimentos que mais exigem o uso de pesticidas são os cultivados na forma transgênica, sobretudo o milho, o trigo e a soja. Por serem ingredientes básicos de produtos industrializados, biscoitos, salgadinhos, pães, cereais matinais, lasanhas e pizzas, entre outros, também contribuem para a ingestão de agrotóxicos.

— Se o alimento não é identificado como orgânico ou agroecológico, é quase certo que ele tenha sido produzido com o auxílio de agrotóxicos — diz Gomes.

Para a nutricionista Natália Eudes, doutora em nutrição pela Universidade de São Paulo, o documento divulgado pelo Inca serve de alerta, mas não pode ser usado como desculpa para diminuição do consumo de frutas, legumes e verduras.

— Eles são marcadores de boa saúde e contêm substâncias que combatem o crescimento do tumor. O ideal é que haja um equilíbrio, que a pessoa avalie o que realmente é necessário comprar orgânico, por conta do preço mais alto — orienta.

Segundo a especialista, vale a pena investir na compra de alimentos à base de soja, tomate, abobrinha, morango e maçã — itens mais vulneráveis aos agrotóxicos — que sejam orgânicos. Para os demais componentes da dieta, mesmo a presença de pesticidas não torna indicada a retirada da casca quando ela é comestível e rica em nutrientes.

— Não compensa para a saúde — diz Natália.

É mito a ideia de que deixar os alimentos de molho remove os agrotóxicos.

Safra garante orgânicos com preço em conta

Para comprar produtos orgânicos sem estourar o orçamento, o nutricionista Fabio Gomes recomenda a escolha de alimentos que estejam dentro da safra:

— Tudo que está fora de época é mais caro. Se você compra acompanhando a safra, consegue reduzir o gasto e aumentar o sabor à mesa.

Em feiras orgânicas, que já estão presentes em vários bairros do Rio (veja alguns endereços abaixo), pequenos produtores oferecem preços competitivos com os dos supermercados. Outra dica é organizar um grupo para fazer compras coletivas e, assim, obter descontos.

— A tendência é que, quando mais pessoas passarem a comprar orgânicos, os preços diminuam — diz Fabio Gomes.

Endereços das feiras orgânicas

Campo Grande: Rua Marechal Dantas Barreto 95 (atrás do estacionamento do West Shopping). Aos sábados, das 7h ao meio-dia.

Glória: Rua do Russel e Praça Luís de Camões. Aos sábados, das 7h às 13h.

Fundão: no Centro de Ciências da Saúde (CCS), no Centro de Tecnologia (CT) e no estacionamento do prédio da Reitoria. Às quintas-feiras, das 9h30m às 15h30m.

Tijuca: Praça Afonso Pena. Às quintas-feiras, das 7h30m às 13h30m.

Olaria: Praça Marechal Maurício Cardoso (Rua Leopoldina Rêgo, esquina com Avenida Professor Plínio Bastos). Aos sábados, das 7h às 13h.

Freguesia: Praça Professora Camisão. Aos sábados, das 8h às 13h.



Fonte: Extra - Camilla Muniz



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