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Indígenas sul-americanos tiveram contato com habitantes de Ilhas do Pacífico nove séculos atrás

Compartilhe:     |  11 de julho de 2020

Em 1947, o explorador norueguês Thor Heyerdahl começou sua expedição pelo oceano Pacífico. Em sua jornada, Heyerdahl deixou o Peru e navegou por 101 dias, atravessando quase  8 mil quilômetros de mar aberto até chegar à Polinésia. Seu objetivo era mostrar que, no passado, a região poderia ter sido povoada por grupos navegantes oriundos da América do Sul, uma ideia que contrariava frontalmente as principais teorias vigentes à época. Embora tenha conseguido completar a viagem, o feito do norueguês em nada modificou o debate sobre o povoamento da Polinésia. Mas uma nova pesquisa está gerando um interesse renovado pela possibilidade de contatos entre sul-americanos e habitantes da Polinésia no passado. Uma equipe de pesquisa internacional analisou  o genoma de mais de 800 indivíduos de 17 diferentes ilhas da Polinésia, incluindo a Ilha de Páscoa (Rapa Nui), além de outros 15 grupos indígenas na costa do Pacífico da América do Sul, em busca de similaridades entre as assinaturas genéticas dos dois povos.

Ao analisar o DNA de habitantes da Polinésia, os pesquisadores  identificaram uma sequência genética  característica dos povos indígenas.  Para o cientista da computação  e geneticista Alex Ioanniddis, da Universidade Stanford, que liderou a pesquisa, a explicação plausível para esse achado é a existência de um ancestral comum entre os dois grupos. Os indígenas seriam oriundos das regiões onde atualmente estão localizados o  Equador e a Colômbia. A grande semelhança da sequência genética encontrada nos indivíduos polinésios avaliados sugere que apenas um evento de contato teria ocorrido. A estimativa é que  teria se dado  cerca de 900 anos atrás, por volta do ano 1150 d.C, nas Ilhas Marquesas do Sul.

Embora a pesquisa sugira a ocorrência de apenas um evento contato, ela não explica em quais circunstâncias ele teria se dado. Uma data tão recuada  abre até mesmo possibilidade de que os sul-americanos tenham sido os primeiros a chegar à Polinésia, antecipando-se aos grupos nativos do próprio Pcífico que se tornaram  dominantes. Neste caso, a hipótese de Heyerdahl estaria parcialmente correta.

O modelos apresentado pelos pesquisadores propõe que por volta de 1200 d.C. a população “misturada” teria se  espalhado a partir do oeste da Polinésia  para outras ilhas, até que por fim  alcançam Rapa Nui. Mais estudos genéticos serão necessários para compreender melhor essa hipótese. Porém os autores também especulam sobre outro cenário, no qual as populações da Polinésia teriam feito viagens para a América do Sul e retornado para suas ilhas natais trazendo como companheiros de viagem indígenas sul-americanos.

O novo estudo dialoga com outros  realizados na região. O estudo genético de espécimes de batata-doce guardadas em coleções que foram trazidas originalmente da Polinésia ainda no século 18  sugerem que os tubérculos  se originaram nas costas do Norte da América do Sul. E algumas variações genéticas encontradas nas espécies indicam a possibilidade de diversos eventos de introdução na Polinésia. Além disso, a palavra para batata empregada por alguns povos da polinésia é semelhante ao termos adotado por povos indígenas sul-americanos, inclusive os que moram na costa do Equador.

De um ponto de vista arqueológico, o próximo passo deve ser avaliar como  os modelos propostos pelos pesquisadores se encaixam com os estudos sobre as culturas, os relatos históricos e linguísticos e evidências da distribuição de plantas e animais.

O grupo de pesquisa finalmente resolveu o mistério sobre a possibilidade da presença física de sul-americanos em parte da Polinésia e isso já é uma grande contribuição. Entretanto, novos estudos de DNA serão necessários para responder algumas das perguntas remanescentes, analisando populações que ainda não participaram do estudo.



Fonte: Scientific American Brasil



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