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Indústria cimenteira paraibana produz sem agredir o meio ambiente

Compartilhe:     |  10 de abril de 2019

O engenheiro químico Degmar Peixoto Diniz, gerente industrial da Elizabeth Cimentos, com 30 anos de experiência na indústria cimenteira, atuando na gestão e dimensionamento de fábricas, com atuação dos maiores grupos cimenteiros do país, foi um dos palestrantes do Fórum 15 Anos do Espaço Ecológico.

Ele falou sobre a experiência da Elizabeth Cimentos que procura produzir sem agredir o meio ambiente. Para iniciar, Degmar disse que seu intento era mostrar qual a participação e o peso do mundo cimenteiro na questão do aquecimento global e dar uma ideia da dimensão que é a questão do cimento no mundo e seus desafios.

Depois, o engenheiro químico alertou que é preciso salvar o planeta e que sem sustentabilidade não haverá futuro. “O aquecimento global foi impulsionado pelo comportamento humano, em sua forma de viver, numa busca frenética e constante pelo conforto e, com isso, a riqueza global passou a ser baseada no uso intensivo dos recursos naturais, que incluem combustíveis, minerais e minérios, mas também alimentos, solo, água, biodiversidade e ecossistemas”, comentou.

Na opinião de Degmar, esses recursos embasam o funcionamento da economia global, assim como nossa qualidade de vida. E a industrialização e o nosso modo de vida mudaram a atmosfera do Planeta. A partir da Revolução Industrial nos tornamos grandes usuários de combustíveis fósseis, sobretudo carvão, petróleo e gás natural. Depois vieram a energia nuclear e algumas energias renováveis. Mas, o que aconteceu foi que as mudanças de hábito que tivemos, ao longo dos anos, criou todas as condições para o aumento das emissões. Essa alteração ameaça o planeta e pode tornar a vida praticamente insustentável. Alguma coisa precisa ser feita para evitar a instalação de um caos ambiental.

“Existem vários estudos que mostram que nós seres humanos, na década de 50, usavam em torno de 10% dos recursos naturais do planeta. Em 2010 já usávamos algo próximo a 50% desses recursos. E se nós não mudarmos a nossa bandeira reproduzir, a nossa maneira de consumir, nós vamos chegar, em 2050, a usar mais de 100% dos recursos, o que é impossível”, afirmou.

Degmar falou acerca da influência humana sobre o clima, destacando os danos por desastres naturais no mundo, entre 1980 e 2014. Ele dividiu esses desastres em eventos geofísicos, como terremoto tsunami e atividade vulcânica; eventos meteorológicos, como tempestade tropical, tempestade extratropical, tempestade convectiva e tempestade local; eventos hidrológicos, como inundações e movimentos de massa; eventos climatológicos, como temperaturas extremas, seca e incêndios tropicais.

Ele ressaltou como metas globais do Acordo Mundial do Clima (COP-21) conter a elevação da temperatura média da terra no máximo  em 1,5° C até o fim do século; eliminar  ou reduzir drasticamente o uso dos combustíveis fósseis até 2050; na segunda metade do século 21, todas as Nações deverão ter estabelecido o equilíbrio entre produção e eliminação/captura do CO2; os acordos e compromissos de curto prazo, até 2030, apontam para um aumento de 3°C na temperatura do planeta até o final do século.

“O Acordo de Paris (COP-21) foi assinado em Nova Iorque (ONU) por 195 países, em 22 de abril de 2016. O Brasil ratificou o seu compromisso no dia 12de setembro de 2016. O Acordo passou a valer a partir de 04 de novembro de 2016. Com a revisão das metas e criação de plano de ação, onde cada país deverá demonstrar sua estratégia de longo prazo, evidenciando o alinhamento de suas economias ao Acordo. O acordo é mandatório a partir de 2020 e a estimativa de investimentos mundiais é 1,3 trilhões de dólares anuais”, detalhou.

Degmar lembra que os compromissos do Brasil, no Acordo de Paris, são reduzir em 37% as emissões equivalentes de CO2 até 2025 (ano base – 2005); reduzir em 43% as emissões  equivalentes de CO2 até 2030 (ano base – 2005); zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Ele explica como o cimento está inserido nesse contexto e afirma que o Concreto é o segundo produto mais consumido no mundo – Consumo atual em torno de 30 bilhões de t/ano. Não existe produto substituto para o cimento, considerando sua versatilidade, resistência, durabilidade, volume e baixo custo. Toda atividade humana demanda cimento.

Estudos do ciclo de vida do “produto cimento”, indicam no mínimo, mais 200 anos. Talvez seja o produto industrializado que tenha a vida mais longa. Na natureza, talvez uma das rochas mais abundantes seja o calcário e 90% da fabricação de cimento é calcário. “Por isso, não existe algo que possa substituir o cimento, neste volume, nos próximos 200 anos. O problema é que o cimento é um agente do aquecimento global, devido a sua emissão de CO2. Vamos ver de que forma a gente pode mitigar essa questão”, complementou.

O Panorama mundial do consumo de cimento é de 4 bilhões de toneladas. A China é o país que mais consome cimento (58,6 %), enquanto o Brasil consome 1,8%, extremamente baixo. Em suma, 80% de todo cimento produzido no mundo é consumido pelo continente asiático. Como está ligado a todas as atividades humanas, o consumo de cimento é usado para demonstrar o grau de desenvolvimento de um país. Isso porque o cimento está atrelado ao modo de vida, ao conforto da sociedade. Os países desenvolvidos mostram uma renda per capita alta e um consumo alto de cimento por habitante. O cimento mostra como um país está posicionado em relação ao resto do mundo em termos de desenvolvimento.

Ao analisar o cimento em relação aos seus concorrentes, Degmar Peixoto explica o que significa o concreto, do ponto de vista ambiental e como é que ele se comporta com relação a outros materiais de construção. Os principais materiais de construção geram significativos impactos ambientais, porém, o concreto é ainda um dos mais ecoeficientes, em comparação com o vidro, plástico e metais. Tomando média mundial do consumo e emissão de CO2 por tonelada de concreto. Em termos de emissão KgCO2 por tonelada, o concreto emite 147 KgCO2/t, o vidro tem uma pegada ecológica muito maior, ou seja, 2.100 KgCO2/t. Já o plástico 6.000 KgCO2/t e os metais (aço, alumínio, bronze, etc.) a pegada ecológica vai para 3.000 KgCO2/t.

“Então, os produtos alternativos que surgem são muito bem-vindos, mas o volume impossibilita você pensar numa substituição e é por isso que se fala que a vida do uso do cimento é de 200 anos ainda, porque não existe a perspectiva de nascer um produto que tenha a capacidade de substituir ele nessas condições que a gente vive”, prevê.

Com relação ao peso do Cimento no mundo e o que só o produto representa na questão das emissões, Degmar deixa claro que, hoje, o cimento representa 5% das emissões globais de CO2. Entretanto, se nada for feito no mundo cimenteiro, em 2030 representará 30% e, em 2050, representará 50%. No Brasil representa aproximadamente 3% das emissões, porque o país tem uma indústria cimenteira mais moderna. “A gente tem uma legislação que permite um pouco mais de adições no cimento e isso favorece ter um produto com uma pegada ecológica menor”, observou.

Em 1990, sobretudo a partir da Rio-92, todos os sindicatos de fabricantes do mundo inteiro se reuniram criaram um organismo de estudo e acompanhamento das emissões em todas as cimenteiras do mundo, a iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (CSI), que é um esforço global das 22 maiores produtoras de cimento, com operações em mais de 100 ​países, que acreditam que há um forte argumento nos negócios na busca pelo desenvolvimento sustentável.

Coletivamente estas Companhias somam aproximadamente 30% da produção mundial de cimento e variam em tamanho desde grandes multinacionais a pequenos produtores locais. A partir daí, foi proposta uma série de medidas, como melhores práticas, para que houvesse uma redução na emissão por tonelada de cimento. E isso foi o que aconteceu e todos os países produtores, a partir de 1990 até 2013, segundo dados oficiais, tiveram uma queda vertiginosa do ponto de vista das emissões.

Degmar mostrou onde acontece as emissões ao se produzir o cimento. O momento em que se emite o CO2 é quando se faz a queima do material. Para se fabricar cimento, você mistura calcário e algumas argilas, moi esse material extremamente fino e queima isso no forno. Em suma, a emissão acontece na queima da farinha, na qual 50% é a calcinação, 40% combustíveis, 5% no transporte da matéria prima e entrega do cimento e 5% no consumo elétrico.

“Quando falamos especificamente em mudanças climáticas e gases de efeito estufa, existem três principais indicadores que respondem pela maior parte da redução das emissões do setor com a substituição do clínquer, a eficiência energética e os combustíveis alternativos. A substituição de clínquer é possível por conta do aprimoramento das normas, permitindo maiores substituições, e pelo desenvolvimento de novas tecnologias de fabricação e melhoria da morfologia do clínquer”, comentou.

Outra providência importante é a utilização de combustíveis alternativos, como o coprocessamento de resíduos industriais, de resíduos urbanos, e o uso de matérias primas alternativas. Através do Coprocessamento, a indústria cimenteira representará um papel fundamental no equilíbrio das emissões de CO².

Degmar Peixoto revela que Elizabeth Cimentos desenvolve, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, já no 2º ano, o Programa de Pesquisa e desenvolvimento. “É importante buscar conhecimento científico para fortalecer o nosso quadro funcional, como forma de alavancar a qualidade dos nossos processos e produtos e aumentar a nossa competitividade”, destaca.

Além disso a unidade industrial desenvolve diversas ações socioambientais, como baixo consumo de água, com recirculação de águas de refrigeração; recuperação de áreas anteriormente degradadas; estudo, mapeamento e proteção dos jacarés do Papo Amarelo; criação a manutenção de viveiro de mudas para recuperação de áreas; conscientização dos colaboradores quanto ao respeito ao meio ambiente e a busca da sustentabilidade; programa de visitas aberto a Universidades e Escolas Técnicas, além da Gestão integrada de resíduos – uso de cacos cerâmicos na produção.

“A empresa está aberta à sociedade e mostra o que está fazendo em relação à preservação do meio ambiente. E muitas vezes a gente colhe opiniões que nos ajudam a melhorar e a buscar de forma mais eficaz o nosso objetivo. Sem sustentabilidade, não haverá futuro”, finalizou o gerente industrial da Elizabeth Cimentos.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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