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Iniciativa Caminhos da Semente lança publicação com 14 experiências de restauração

Compartilhe:     |  24 de outubro de 2020

O estudo reúne casos de recuperação de vegetação nativa em diferentes regiões do País, contemplando os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia

Uma das barreiras identificadas pela Iniciativa Caminhos da Semente em relação à restauração ecológica por meio de semeadura direta é a falta de conhecimento sobre o método. Assim, foi lançada a publicação “Semeadura Direta para restauração, experiências diversas pelo Brasil”.

O livreto reúne 14 casos de recuperação de vegetação nativa envolvendo os setores privado, público e o terceiro setor, com diferentes arranjos. Os desafios e resultados práticos dessas experiências geram importantes aprendizados aos interessados em inovação nas cadeias ligadas à restauração ecológica.

Com grande extensão territorial e a maior biodiversidade do mundo, o Brasil é mundialmente reconhecido pelo seu conhecimento técnico e suas estratégias de recuperação da vegetação nativa. O país tem avançado no desenvolvimento e implantação de métodos eficientes e tradicionalmente é protagonista nas demandas e agendas globais de conservação, como por exemplo, a Década de Restauração de Ecossistemas 2021–2030 idealizada pela ONU que visa ampliar massivamente a restauração de ecossistemas degradados.

Semeadura Direta manual em linhas com espaçamento de 1,5 m. APP em propriedade de pequeno agricultor no Sítio Pôr do Sol em Tucumã (PA). O registro corresponde a 14ª experiência do livreto. Crédito: Acervo Projeto Cacau Floresta – TNC Brasil

Segundo a coordenadora da Iniciativa Caminhos da Semente e sócia da Agroicone, Laura Antoniazzi, a publicação contribui para aumentar o conhecimento e fortalecer a confiança na eficiência do método da semeadura direta que, por sua vez, tem grande potencial para dar escala a restauração ecológica de maneira inclusiva.

“Os técnicos que aplicam restauração e os proprietários e empreendimentos que precisam restaurar precisam conhecer mais a semeadura direta. Esperamos que as 14 experiências tragam inspirações para muitos outros plantios”, destaca.

Os casos do estudo foram escolhidos com base na diversidade de contextos em que os plantios foram realizados, revelando assim o vasto potencial de aplicação do método em território nacional, contemplando os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia. Produtores rurais do estado de São Paulo podem considerar, por exemplo, a experiência da fazenda Monjolinho, onde a mão de obra reduzida não impediu a implantação do método.

Já empreendedores na área da restauração têm a oportunidade de conhecer a trajetória de uma empresa que trabalha com semeadura direta em larga escala em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul utilizando plantadeira.

Também no âmbito social, agricultores familiares da região de Alta Floresta, em Mato Grosso, na Amazônia, associam a semeadura direta com agrofloresta e garantem maior segurança alimentar e geração de renda para as famílias rurais, fortalecendo sua autonomia.

Para o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Daniel Vieira, a diversidade de técnicas de semeadura direta e de arranjos institucionais descritos na publicação oferecem opções que podem ser reaplicadas, combinadas com outras ideias ou mesmo inspirar projetos de restauração ecológica.

Cajazinho (Spondias mombin) em área em restauração com 2,5 anos, experiência realizada na na Fazenda Monjolinho. Crédito: Nina Jacobi

“O sucesso da restauração está relacionado a boa execução do método e ao engajamento do proprietário ou da comunidade rural. Da mesma maneira, a boa restauração é aquela que gera benefícios ambientais e sociais. Este livro traz todas essas dimensões. Mais que isso, o livro descreve experiências, histórias de aprendizagem. Oportunizar aprendizagem é mais um impacto positivo que a restauração ecológica traz para o campo”, acrescenta o pesquisador.

O estudo está sendo disponibilizado nas versões impresso e digital. A versão digital pode ser conferida no site da Iniciativa e conta com informações técnicas complementares de cada caso. Clique aqui para conferir a versão digital. A publicação teve o apoio técnico de membros da sociedade civil, empresas do setor público e privado.

Para saber mais detalhes sobre cada experiência, incluindo contatos para entrevistas e fotos, escreva para [email protected]

Confira mais informações sobre as experiências compartilhadas no estudo

Um dos casos mais emblemáticos da publicação é a experiência da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeira (MG) onde a comunidade se mobilizou para aprender e aplicar o método que se tornou uma ferramenta para restauração do território e também da identidade cultural, além de gerar renda, por meio do produção de sementes. Outra Unidade de Conservação beneficiada foi o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) que também contou com o envolvimento de várias organizações para implantar a semeadura direta no Cerrado.

A parte do desenvolvimento técnico da semeadura direta ganha destaque com os resultados do empenho de pesquisadores e profissionais que trabalharam para realizar a restauração ecológica na Usina Hidrelétrica de Jirau (RO) e Usina Hidrelétrica Serra do Facão (GO). No agronegócio o método foi aprovado por produtores de soja em Mato Grosso, em trabalho realizado em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), e também no Oeste da Bahia por meio do serviço prestado pela Baobá Florestal. Já no sudeste, uma usina de cana-de-açúcar teve a oportunidade de conhecer a eficiência dos plantios durante um experimento acadêmico no município de Araras (SP), abrindo assim as portas para a ampliação do uso da semeadura direto por esse importante setor.



Fonte: Envolverde - por Comunicação Iniciativa Caminhos da Semente



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