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Inovação: Como a indústria 4.0 pode salvar a indústria brasileira

Compartilhe:     |  15 de junho de 2020

A pandemia do novo coronavírus está causando um verdadeiro estrago na indústria brasileira. Com boa parte do comércio de portas fechadas, a demanda pelos produtos despencou. Somado a isso, existe a grande dificuldade para conseguir insumos e matérias-primas nacionais e, principalmente, importadas, devido às restrições logísticas e à alta do dólar. Muitas indústrias têm

ainda dificuldade de conseguir capital de giro no sistema financeiro. Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 79% das indústrias afirmam ter sofrido redução nos pedidos. Cerca de 53% apontam que a queda foi intensa. Os dados mostram que 86% das empresas estão com dificuldade para receber insumos e 83% enfrentam problemas na logística de transporte, tanto de produtos como de matérias-primas. Três em cada quatro empresas consultadas (73%) enfrentam dificuldades para honrar os pagamentos de rotina. Diante desse contexto, inovar parece ser a única saída para a sobrevivência de muitas indústrias brasileiras que já agonizavam muito antes da pandemia.

Nesse sentido, a chamada Indústria 4.0 deve finalmente ganhar mais atenção dos empresários brasileiros. O termo, que foi usado pela primeira vez pelo governo alemão, em 2012, engloba uma série de tecnologias que usam conceitos de sistemas cyber-físicos, internet das coisas e computação em nuvem. Seu principal atributo é a criação de fábricas inteligentes, que criam uma cooperação mútua entre seres humanos e robôs em tempo real. Essas tecnologias trazem inúmeras oportunidades para a geração de valor aos clientes e um aumento significativo de produtividade.

Mais de 50% das empresas na China, Estados Unidos e União Europeia já estão adaptadas à Indústria 4.0. No Brasil, conforme a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), menos de 2% das organizações estão verdadeiramente inseridas nesse conceito, que tem capacidade para movimentar US$ 15 trilhões nos próximos 15 anos. Isso representa aproximadamente oito PIBs do Brasil (ano-base 2019). Contudo, com a pandemia, a tendência é que mais indústrias brasileiras busquem a modernização, a fim de aumentar sua vantagem competitiva.

Produtividade e eficiência

Cabe destacar ainda que o conceito de Indústria 4.0 não é restrito apenas às indústrias. Diversas empresas dos segmentos de comércio e serviços, por exemplo, também vêm adotando as tecnologias da Indústria 4.0. Outro ponto importante: a adoção ao conceito de Indústria 4.0 não está necessariamente atrelada a altíssimos investimentos.

Muitas dessas tecnologias têm baixo custo e promovem significativos ganhos de produtividade, eficiência e até mesmo de segurança da informação. A grande questão está em fazer uma implementação adequada e inteligente das tecnologias certas para cada tipo de operação.

E se tem algo em que os especialistas em inovação são unânimes, é a constatação de que a pandemia acelerou o futuro. Antes as empresas planejavam a adoção dessas tecnologias num prazo de cinco ou dez anos, agora esse tempo caiu drasticamente. Afinal, se não se anteciparem, correm o sério risco de não sobreviverem até lá.
É claro que ainda é muito cedo para entender os reais impactos da pandemia no médio e longo prazo. Mas o que as crises anteriores mostram é que o período subsequente tende a ser de grande impulso de inovação e progresso. Foi assim com outras pandemias e até com as guerras.

Inclusive a própria International Organization for Standardization (ISO), fundada logo após a Segunda Guerra Mundial, a fim de reconstruir as empresas que estavam devastadas, vem acompanhando esse tema de perto. Se voltarmos um pouco no tempo, em meados de 1980, veremos que foi publicada a ISO 9001, estabelecendo padrões e requisitos mínimos de qualidade. Eles eram necessários para o contexto da época, no qual as montadoras e indústrias de transformação precisavam se reinventar, conseguindo assim dar um salto de competitividade.

Mais recentemente, com a crise dos bancos, em 2008, a ISO iniciou estudos sobre inovação que culminaram no lançamento da ISO 56002, de gestão da inovação. Essa norma promete ser agora o grande alicerce na reestruturação das empresas no pós-pandemia. De modo geral, a recuperação das indústrias brasileiras passará, inevitavelmente, pela busca por mais agilidade, inovação e valor agregado.

Uma alta performance das empresas nacionais pode atribuir maior autonomia ao país, reduzindo a dependência da importação de alguns produtos estrangeiros. Além disso, a redução de custos, a otimização dos processos e a minimização dos erros e desperdícios podem fazer com que as nossas indústrias tenham melhores condições para aumentar a vantagem competitiva.

Só assim daremos um salto rumo ao progresso sustentável que as indústrias brasileiras precisam.

(*) Sócio-fundador da Palas e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56002, de gestão da inovação.



Fonte: Revista Ecológico



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