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Insetos também sentem dor crônica, afirma Greg Neely, da Universidade de Sydney

Compartilhe:     |  17 de julho de 2019

Um estudo publicado na revista científica Science Advances oferece a primeira evidência de que insetos também sentem dor crônica —a dor persistente que continua após a lesão original ter cicatrizado. Realizada com o gênero Drosophila, a pesquisa pode ajudar a entender como esses mecanismos podem levar ao desenvolvimento de tratamentos que, pela primeira vez, direcionam a causa e não apenas aos sintomas da dor crônica.

“As pessoas realmente não pensam em insetos sentindo qualquer tipo de dor. Mas já foi demonstrado em muitos animais invertebrados diferentes que eles podem sentir estímulos perigosos que percebemos como dolorosos”, afirma Greg Neely, da Universidade de Sydney, na Austrália.

Em não-humanos, esse sentido tem o nome de ‘”nocicepção”, que detecta estímulos potencialmente nocivos como calor, frio ou lesão física, que também é o que os insetos sentem como “dor”. “Então, sabíamos que os insetos podiam sentir ‘dor’, mas o que não sabíamos é que uma lesão poderia levar a hipersensibilidade de longa duração a estímulos normalmente não-dolorosos de maneira semelhante às experiências de pacientes humanos”, explica o professor.

Os pesquisadores danificaram um nervo em uma perna da mosca e deixaram que a lesão fosse completamente curada. Depois que o ferimento sarou, eles descobriram que as outras pernas da mosca haviam se tornado hipersensíveis.

A equipe dissecou o animal geneticamente para ententer exatamente como esse processo funciona: a mosca está recebendo mensagens de ‘dor’ de seu corpo que então passam pelos neurônios sensoriais até o cordão nervoso ventral (que é como se fosse a medula espinhal humana). Nessa corda nervosa há neurônios inibitórios que agem como um ‘portão’ para permitir ou bloquear percepção da dor. No entanto, quando o nervo é lesionado, estes freios são destuídos e os animais ficam sensíveis aos estímulos na região afetada.

Agora o próximo passo é utilizar essas descobertas para desenvolver novas terapias com células-tronco ou drogas que consigam parar a sensação da dor em humanos.



Fonte: Revista Galileu



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