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Inventos podem ajudar empresas e consumidores a economizar água

Compartilhe:     |  11 de fevereiro de 2015

O Jornal Nacional mostrou, na segunda-feira (10), imagens de água jorrando com força, com fartura, em muitas cidades brasileiras. Mas eram vazamentos na rede de distribuição das empresas de saneamento. Era desperdício. E num momento em que milhões de brasileiros têm sido incentivados a economizar, a usar a água com bom senso. Nesta reportagem, o repórter Alberto Gaspar mostra como as empresas podem fazer isso. E nós, os consumidores, também.

Ideias que germinam como nunca nos quintais, nas casas dos paulistanos. Os primeiros inventos de Edison foram para economizar nas despesas domésticas. Hoje, ele compartilha as descobertas de graça, com quem quiser aproveitar. A minicisterna armazena água da chuva recolhida do telhado, que serve para regar as plantas e lavar pisos.

Já a água do chuveiro da família passa por outro reservatório e abastece a descarga do banheiro. A mesma água usada duas vezes.

“São seis mil litros, para uma família de quatro pessoas. Eu deixo de consumir os seis mil litros da agua que vem lá do Cantareira. Então, eu preservo a água de lá”, explica o empreendedor social Edson Urbano.

É tudo muito barato, fácil de fazer e com todos os filtros necessários. Mas foram anos e anos tentando convencer as pessoas.

“Está mudando por causa da dor de sentir a falta da água”, diz Edson Urbano.

Pais de quatro filhos, André e Angela abraçaram a causa. Na reforma da casa, no ano passado, incluíram uma cisterna para quase três mil litros de água de chuva. Que nem se nota, no quintal, coberta por esse gramado.

“É uma garantia e tem até um pouco de consciência tranquila. Fiz minha parte. O que dava para eu contribuir, contribui. Produzo, de uma certa forma”, afirma André Fidler, professor de educação física.

Produz, mesmo. Capta e dá utilidade ao que, em geral, vai direto dos telhados para as ruas, bueiros, galerias. E nos temporais de verão tem contribuído para alagamentos.
“É quase um pesadelo. Porque você tem enchente e falta água na torneira”, conta Marússia Whately, diretora do Instituto Sócioambiental.

Ambientalistas e estudiosos propõem captação de chuva em grandes áreas. Sobre supermercados, shopping centers, até estádios. A água que se acumula nos piscinões, reservatórios hoje usados só para conter enchentes, também poderia ser útil.

“Nós teríamos uma quantidade de água coletada, é uma água de graça, bastante significativa”, explica Ivanildo Hespanhol, professor da USP.

Água, mesmo suja, não deveria ser vista simplesmente como lixo. Ela é, no mínimo, bastante reciclável. Mas a Grande São Paulo nunca teve uma política pública consistente para tratar mais e melhor os esgotos.

A Sabesp, companhia estadual, não coleta todo o esgoto das cidades que atende na região. Não trata 32% do que coleta. E mesmo o tratamento é superficial. O esgoto polui os cursos d’água. Poluída, a represa Billings, que guarda hoje dez vezes o volume de água do sistema Cantareira, tem uso limitado na produção de água potável. Só agora a Sabesp anuncia obras para aproveitar um pouco mais esse manancial.

A Grande São Paulo consome muita água, que vem de longe e de regiões mais baixas. Caso do Cantareira, o principal manancial. E dos que estão previstos, como o do rio São Lourenço e o da interligação da bacia do rio Paraíba do Sul.

O ideal seria aproveitar melhor essa água trazida com esforço.

Hoje só uma das estações da Sabesp produz água de reuso em quantidade significativa, toda destinada a um polo petroquímico. O professor diz que em cinco anos as estações de tratamento de esgoto poderiam ser remodeladas. A água de reuso serviria para reforçar o abastecimento da população.

“Nós estramos trazendo água, gerando esgoto que nós não podemos tratar. A prática é utilizar a água que está aqui em cima. Não necessita concreto, grandes obras, por exemplo. Ele necessita apenas utilizar um sistema de membranas, no mesmo reator existente. E produzir uma água de qualidade muito boa para alimentar os reservatórios, onde seria captada a água, tratada, para distribuição para consumo humano”, explica o professor.
Por enquanto, o governo anunciou duas novas estações, pequenas, desse tipo de água de reuso.

“Por que isso não foi feito no passado? Era muito caro. E agora, através da tecnologia, já começa a ficar economicamente possível. Sem dúvida nenhuma temos que caminhar para reutilização das aguas aqui mesmo”, afirma Jerson Kelman, presidente da Sabesp.

Outro desafio é reduzir as perdas do sistema. Só em vazamentos na rede desaparece um de cada cinco litros de água tratada. Ou 12 mil litros desperdiçados por segundo.

“As tubulações aqui da cidade de São Paulo são muito antigas, muitas têm mais de 70 anos, estão na região central, de difícil reassentamento, difícil correção”, afirma o presidente da Sabesp.

O fato é que a crise e esse novo olhar da sociedade em relação ao desperdício têm gerado bons exemplos. Em um shopping center, a água vem toda de um poço artesiano. E o esgoto, tratado na usina, se transforma em água de reuso. Tingida de azul, ela serve para as descargas, lavagem de pisos e o sistema de ar condicionado.

“Deixamos de consumir da concessionária 5.500 metros cúbicos. Esse volume de água é suficiente para atender 27.500 habitantes por um dia. O bem social desse projeto é maior do que o bem financeiro pra nós”, diz Luiz de Moraes, gerente de operações do shopping.



Fonte: Jornal Nacional



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