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Jaguatirica que estava em cativeiro é devolvida à natureza na Caatinga

Compartilhe:     |  22 de novembro de 2014

A equipe do Globo Repórter avançou pelas matas do sertão do São Francisco. Seguiu para o boqueirão da onça, uma das mais importantes reservas da Caatinga do Brasil.

Os pesquisadores do Centro de Conservação e Manejo da Fauna vão devolver à natureza animais que estavam em cativeiro. No Cemafauna, da Universidade Federal do São Francisco, estão animais resgatados das mãos de contrabandistas e caçadores. O bugio e outros animais foram recolhidos pelo Ibama porque estavam sendo criados como bichos de estimação, o que é proibido por lei. O filhotinho já nasceu no Cemafauna. Nesta fase, ele está sempre agarrado ao corpo da mãe.

Uma jaguatirica chegou com oito meses de idade, estava fraca e doente. Passou pelo processo de reabilitação, sempre com o acompanhamento de biólogos e veterinários. Mas ficou pronta para voltar a viver em liberdade.

Uma longa viagem pelas estradas de terra do Boqueirão da Onça é feita até o local escolhido para a soltura. Uma região absolutamente selvagem. Os pesquisadores carregaram cinco gaiolas cheias de periquitos da Caatinga. Eles parecem pequenos papagaios e costumam viver em bandos.

Quando o primeiro criou coragem, os outros foram junto. Mas não foi fácil para todos. Uma das aves não quis ir embora. Estava acostumada a ficar em cativeiro muito tempo e ficou bem dócil. Saiu da gaiola, a maioria voou, mas uma delas ficou.

“Ela não tem ideia de que é a liberdade definitiva. Para ela é só mais um recinto que a gente transfere. Até ela descobrir que é a liberdade mesmo, leva um tempo”, diz Adriana Alves Quirino, veterinária – Cemafauna.

A pesquisadora insistiu, tentou de todas as formas. Até que conseguiu colocar a ave no galho de uma árvore. E a ave, ao comer algumas folhas, foi logo tratando de fazer a primeira refeição em liberdade.

“É um ponto alto, a gente sabe da presença de água no local, a presença de outros da mesma espécie também a gente identificou. São animais que vivem em bando, então elas têm que ter essa referência e agora é a hora mesmo de soltar”, explicou a veterinária.

Para soltar a jaguatirica, é preciso ir mais longe. Mais três quilômetros de caminhada na Caatinga a procura de um local seguro, onde o animal possa encontrar água e caça. A jaguatirica foi capturada por traficantes na mesma região, quando ainda era um filhote.

“Era um bebê, no entanto, ele já tinha uma habilidade de caça, então, observando isso permitiu que a gente deixasse ele imediatamente isolado de qualquer contato ou manuseio direito humano, e assim ele permaneceu e conseguiu crescer bem de saúde e com a possibilidade de retornar pra natureza”, diz Cláudia Bueno de Campos, bióloga.

Cláudia é extremamente cuidadosa e examina a área com atenção. Cláudia se decide e vai soltar a jaguatirica perto da água. Finalmente o animal vai voltar para casa. O primeiro momento é de indecisão. Pelo cheiro, o felino começa a fazer o reconhecimento do território. Cheira a terra, a água e se move desconfiado. É emocionante ver os primeiros passos em liberdade. Aos poucos, a jaguatirica ganhou confiança e se afastou mais depressa. Uma última olhada para os pesquisadores e o animal correu pela Caatinga.



Fonte: Globo Repórter



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