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João Pessoa tem 102 pontos que alagam frequentemente com chuvas

Compartilhe:     |  30 de março de 2015

Os moradores de João Pessoa já sabem que, quando chove, é preciso ficar atentos por onde andam. Muitos pontos acumulam água em excesso e prejudicam os motoristas e pedestres que tentarem se locomover pela cidade. A Prefeitura também já sabe disso. Segundo a Defesa Civil Municipal, João Pessoa tem 102 pontos de alagamento recorrentes.

A estudante universitária Jennifer Carneiro, moradora do bairro dos Bancários, enfrenta problemas sempre que chove, apesar de não haver um ponto de alagamento na rua em que mora. “Prejudica todo mundo pra descer do ônibus e pra passar até de carro. Quando chove muito, o Bancários vira um inferno porque na maioria das ruas não tem boca de lobo e junta água. Fora também as pessoas na calçada que não podem passar, se não tomam banho de algum carro”, desabafou.

Ruas no bairro do Bancários fiacaram alagadas e o trânsito ficou lento (Foto: Frederico Martins/G1)Várias ruas no bairro do Bancários ficam alagadas
em época de chuva (Foto: Frederico Martins/G1)

Jennifer contou que durante as chuvas da semana passada teve dificuldades para buscar a avó, que é idosa, na igreja. “Eu sai com minha mãe para buscar minha avó na igreja e chovia muito. A gente passou por umas quatro ou cinco ruas alagadas. A rua lateral da igreja parecia um rio e o trânsito estava parado. Só conseguimos buscá-la cortando caminho e até passando por dentro da água mesmo. E minha avó teve que passar pela água até chegar no carro porque não tinha jeito”, relatou.

Os pontos estão espalhados por diversos bairros, mas o coordenador da Defesa Civil, Noé Estrela, informou que atitudes estão sendo tomadas para minimizar os contratempos da população. “Já temos projetos para correção nos pontos mais críticos que já estão inclusive licitados”, garantiu.

Além da Avenida Sérgio Guerra, a principal dos Bancários, Noé citou como os lugares mais críticos a Avenida Ministro José Américo de Almeida, também conhecida como Avenida Beira Rio, nas proximidades da rotatória que dá acesso ao Altiplano; no entorno do Mercado da Torre; na Avenida João Machado; na Avenida Júlia Freire; na Avenida Coremas; na Avenida Sanhauá, em frente à Estação Ferroviária; na Avenida Hilton Souto Maior, a principal do José Américo; na região do Conjunto Esplanada; e na Avenida Epitácio Pessoa, principalmente em frente ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes.

Via de regra, é mais fácil e menos oneroso trabalhar de forma preventiva do que de forma corretiva”
Paulo Peregrino,
pesquisador em engenharia
urbana e ambiental

Para Noé, o problema tem sua origem no início da cidade, quando João Pessoa tinha menos habitantes e menos carros. “João Pessoa é uma cidade antiga. Por isso, a tubulação da parte de drenagem também é antiga. Em determinados pontos, a tubulação tem um estreitamento. Mas a cidade cresceu muito. Assim, a água retorna e causa o alagamento. Para corrigir isso, temos que localizar onde estão os pontos de estreitamento e quebrar a calçada e a rua para consertar o problema”, disse.

O professor do curso de Tecnologia em Design de Interiores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Paulo Peregrino, que é pesquisador da área de engenharia urbana e ambiental, concorda em parte com o coordenador da Defesa Civil. Porém, ele acredita que toda ação do homem sobre o meio natural altera o seu curso e traz consequências. “Estas ações aceleram os processos e não respeitam o tempo que a natureza requer para se adequar às mudanças de maneira normal”, comentou.

Ele cita como possíveis razões estruturais para este problema urbano a impermeabilização do solo, tanto das vias quanto dos próprios lotes, pois aumenta a velocidade do escoamento e reduz a capacidade de absorção; alterações do clima urbano decorrentes do processo de urbanização, causando muitas vezes uma maior precipitação; e ausência de drenagem de águas pluviais em alguns bairros.

Ele ainda menciona o desmatamento, que causa a perda da retenção da água por parte da vegetação e desacelera o escoamento superficial. Isso dificulta a absorção da água pelo solo natural e acelera a sua chegada aos cursos de água, superando a sua capacidade de vazão natural.

A população também ajuda a agravar a situação, segundo Peregrino. O acúmulo de lixo nas galerias de escoamento de águas pluviais, por exemplo, acaba reduzindo a sua eficiência quanto à vazão, e provoca o acúmulo de água nas vias de cotas mais baixas. As ligações clandestinas de águas pluviais nas galerias de esgoto também causam problemas. Entre outros, o transbordamento das águas sobre as vias.

Chuva alagou avenida no bairro do Varadouro (Foto: Walter Paparazzo/G1)Avenida em frente à Estação Ferroviária é conhecida
pelos alagamentos (Foto: Walter Paparazzo/G1)

“A cidade é um organismo, e deve ser entendida como tal, exigindo um planejamento feito de forma multidisciplinar, envolvendo profissionais de várias especialidades e também o cidadão comum, que possui a percepção da cidade na prática diária”, explicou Paulo Peregrino.

“Entretanto, não é só planejar, mas sobretudo efetivar as ações deste planejamento e acompanhar os seus resultados, diagnosticando, monitorando as respostas da cidade em relação ao planejamento traçado e fazendo ajustes sempre que necessário, num ciclo que retroalimenta o processo de planejar, pois via de regra é mais fácil e menos oneroso trabalhar de forma preventiva do que de forma corretiva”, complementou.

Ações da Prefeitura
A Operação “João Pessoa em Ação – Força Municipal de Prevenção de Riscos” reúne a Defesa Civil, quatro secretarias e a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) e executa ações, diariamente, em vários pontos da cidade para coibir os efeitos das chuvas e evitar transtornos para a população, segundo informações da Secretaria de Planejamento (Seplan). O objetivo é prevenir as áreas consideradas de risco e com possíveis pontos de alagamento durante o período chuvoso.

Obras na Lagoa interditam trânsito no rolamento esquerdo do Parque Solon de Lucena (Foto: Alessandro Potter/Secom JP)Obras no Parque Solon de Lucena devem evitar
alagamentos e que a Lagoa transborde
(Foto: Alessandro Potter/Secom JP)

Estão entre as ações desassoreamento de rios, capinação, roçagem, remoção de entulhos, demolição de residências, poda de árvores, limpeza de canaletas, loneamento de barreiras, desobstrução de galerias pluviais, recuperação de bocas de lobo e assistência social.

A Seplan e a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) informaram que estão trabalhando com o projeto da Lagoa do Parque Solon de Lucena, que, depois de concluída a etapa de dessaroreamento, deve impedir novos alagamentos na área, além da reurbanização do Bairro São José.

A Seinfra ainda informou que tem trabalhado constantemente para manter bueiros e galerias limpas com uma programação diária e que realiza um trabalho preventivo de limpeza e drenagem em rios e canais em toda João Pessoa. O serviço pode ser solicitado pela população por meio do telefone 0800 031 1530. Os serviços de manutenção e conservação de galerias incluem a recuperação, limpeza com retirada de entulho e lançamentos, escovação e colocação de tampa e de grelha.

“O resultado desse trabalho é que em vários pontos da cidade não são mais registrados alagamentos, a exemplo da Beira Rio. A limpeza do Rio Jaguaribe já foi realizada e as obras de drenagem estão em andamento. Pode-se perceber que apesar das intensas chuvas dos últimos dias, a Beira Rio não alagou e o trânsito fluiu normalmente”, disse a Seinfra por meio de nota.



Fonte: G1 PB



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