Notícias

João Pessoa, uma cidade verde em busca da sustentabilidade

Compartilhe:     |  11 de abril de 2019

O diretor de Controle Ambiental de João Pessoa, o engenheiro agrônomo Anderson Fontes, assegura que João Pessoa é uma cidade verde, em crescimento e buscando a sustentabilidade. Ele revelou que a gestão municipal de João Pessoa trabalha com o verde, em conformidade com a legislação brasileira, com base legal federal direta ou indiretamente relacionada ao manejo da arborização e ao tratamento de áreas verdes urbanas.

Anderson Fontes é diretor regional Nordeste da Sociedade Brasileira de Arborização. Ele foi um dos palestrantes do Fórum em comemoração aos 15 anos do Espaço Ecológico. Na ocasião, Anderson ressaltou que a preservação do verde é uma tradição da cidade de João Pessoa. “Tem legislação aqui em João Pessoa de 1953, do então prefeito Luiz de Oliveira, que fala de arborização urbana e diz que os coqueiros da orla marítima deverão ser preservados”, ilustrou.

Segundo informa o técnico, um dos mais recentes estudos para que a área verde se perpetue e João Pessoa fique uma cidade cada vez mais verde, já que trabalha a sustentabilidade nesta ideia, é o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, instituído pela Lei nº 12.101/2011, ou seja, o primeiro plano de Mata Atlântica do Brasil. “João Pessoa foi a primeira cidade que olhou para a preservação do ecossistema, através da SOS Mata Atlântica, e criou esse plano em 2011. Através desse plano, criamos depois o Sistema Municipal de Área Protegida. Essa hoje é a legislação mais forte que temos para a preservação dos ecossistemas, principalmente das áreas verdes”, assegurou.

Anderson Fontes acrescentou que, hoje, os técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) são especializados em arboricultura, a ciência e arte do cultivo, cuidado e manejo das árvores e outras plantas lenhosas, em grupos ou individualmente, normalmente em ambiente urbano. “É preciso entender que a arboricultura é uma ciência que está interligada à geografia, à matemática, à economia e outras ciências sociais. Em João Pessoa não se pratica o plantar por plantar. Daí a importância de preparação da equipe técnica”, justificou.

Ele defendeu que os técnicos da prefeitura têm que conhecer as normas técnicas, a exemplo da Norma Técnica ABNT NBR 16246-1, que fala de poda de árvore. “Além disso, eles têm que passar a entender, através dos métodos educacionais, com a educação ambiental, que a árvore é um ser vivo. Todo ser vivo nasce e morre, mas o que não podemos é acelerar a morte do ser vivo. Você tem que conviver com a árvore, dentro dos parâmetros ambientais legais, para poder dar sobrevivência a ela”, alertou.

João Pessoa tem uma cobertura vegetal de 30,67%, o que corresponde a 47,11 m² por habitante. Desses 30,67%, um percentual de 14% dessa cobertura vegetal está na Mata do Buraquinho, o restante está distribuído ao longo da cidade. “Ainda temos bastante verde, mas nota-se uma pressão urbana significativa, principalmente nas proximidades da Mata do Jacarapé. A nascente do Rio Cuiá também sofre uma grande pressão por parte da expansão urbana de João Pessoa”, observou.

Anderson ressaltou a importância de intervenções com a que foi feita no Parque Solon de Lucena (Lagoa), a exemplo da nova arborização, uma contribuição ao paisagismo e a qualidade ambiental. Ele também destacou os projetos de mobilização urbana, a exemplo da intervenção na Avenida Beira Rio. “A gente fez um estudo para a implantação de uma ciclovia na avenida. Tivemos que substituir 32 árvores, mas plantamos mais 200 árvores ao longo da Beira Rio, que vão estar futuramente bem frondosas. Temos ainda o projeto de urbanização do bairro São José”, complementou.

Em sua exposição, o mestre em Desenvolvimento Sustentável e Arborização Urbana falou sobre alguns motivos que resultam em solicitações para erradicação de árvores, como consta no estudo “Análise e avaliação das erradicações na arborização urbana de João Pessoa”. Entre estes motivos, estão as árvores que causam danos por conta de suas raízes, árvores com inclinação, com doenças, mortas, com pragas e doenças, descorticadas, que receberam produtos tóxicos, que estão servindo de esconderijo para bandidos, que estão prejudicando o acesso a estacionamento, a abertura de portões, por causa do perigo de derrubada por chuvas e ventos e para evitar sujeira produzida por folhas e ramos.

Além do transplante de árvores – troca de local – e trituração de galhos para outras utilizações, a Seman está executando uma bateria de ultrasson em 5 mil árvores da cidade de João Pessoa, para avaliação da saúde das árvores e de risco de danos. Tem ainda um trabalho através da lei federal nº 11.428/2006 – Lei da Mata Atlântica – sobre as espécies invasoras que podem produzir híbridos ao cruzar espécies nativas e eliminar genotipos originais, ocupar os espaços das nativas levando as suas diminuições em abundância e extensão geográfica, aumentando os riscos de extinção de populações locais. “Estamos controlando a espécie Neen Indiano, conhecida como invasora, porque ela estava prejudicando realmente alguns indivíduos da nossa flora de Mata Atlântica, produzindo híbridos no seu cruzamento. Isso já foi comprovado”, assegurou.

A prefeitura desenvolve ainda o projeto Jardineiro do Futuro. Quem quiser contratar um jardineiro, a Seman dispõe, para indicação, de profissionais altamente preparados. Antes, eles trabalhavam podando as árvores, sem avaliação dos riscos. Eles foram preparados, orientado e alguns sabem falar até outros idiomas. Os jardineiros fizeram o curso no projeto, criaram uma empresa e hoje atendem à população. A prefeitura também desenvolve Campanhas e Educação Ambiental como “João Pessoa verde para o mundo”, concurso “Jardins da Cidade de João Pessoa” e a “Semana do Meio Ambiente”. Também já elaborou o Inventário de emissões de gases de efeito estufa do município de João Pessoa, a mais nova ferramenta da Semam.

Anderson informou que a Semam lançou a Cartilha de Arborização Urbana, elaborada pelos técnicos da instituição, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, com informações e orientações gerais sobre arborização urbana, tendo como público alvo a comunidade. Além disso, a Semam mantém o Viveiro Municipal de Plantas Nativas, que produz 60 mil mudas e árvores e palmeiras nativas, destinadas à recuperação de áreas degradadas e à população, que pode pegar as mudas e plantar na sua calçada. Também existe um lugar onde é feita a seleção de matrizes, que são plantas de grande porte, mais vigorosas e bem ramificadas, livres de pragas e doenças, que servem para a produção de sementes satisfatórias e com qualidade genética. O viveiro está instalado no bairro Valentina Figueiredo, nas proximidades do Sesc Gravatá. Este ano, a prefeitura pretende plantar 40 mil mudas. O ano passado, plantou 37 mil mudas.

“Temos um trabalho de mapeamento das nascentes da cidade. Todas já estão mapeadas, georreferenciadas. O Trote Verde é outro trabalho que a gente faz com a Universidade Federal da Paraíba, mas que está aberto para outras instituições. O projeto envolve os alunos que estão entrando na universidade, os calouros, que planta até 1.500 árvores por cada semestre, no campus da UFPB. Tem também o Projeto Eco Bosque, no bairro do Bessa. temos um outro projeto para o reuso da água do ar condicionados para jardins”, elencou.

O mais novo projeto da prefeitura é o Parque Ecológico Sanhauá, que ocupará uma área de 193 mil metros quadrados. O novo parque da Capital será uma grande área de convivência que dará solução para a questão ambiental de área de risco às margens do Sanhauá. O novo espaço público da Capital contará com praça, mirante, elevador panorâmico, passarela elevada sobre o mangue, ciclovias, calçadas requalificadas e estacionamento com 80 vagas. Toda a região receberá iluminação em LED e respeitará as normas de acessibilidade. As edificações serão mínimas e não invasivas para garantir a regeneração ambiental da região. “Esse é um pouco do que a gestão tem trabalhado, por meio da Semam, para a manutenção das áreas verdes e, consequentemente, para dar condições de melhoria à vida do cidadão”, conclui Anderson Fontes.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Receitas de Biscoitos Saudáveis para Cachorros

Leia Mais