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‘Jornada da Vida’ viaja até o berço da humanidade no Planeta Terra: a Etiópia

Compartilhe:     |  8 de dezembro de 2014

Uma viagem no tempo agora para contar a nossa história, a história de como começou a aventura do ser humano no planeta Terra.

Os repórteres Sônia Bridi e Paulo Zero foram até a Etiópia, na África, conhecer o vale onde foram encontrados os indícios mais importantes das nossas origens. Fósseis que explicam a evolução do homem. São os primeiros capítulos da jornada da nossa vida.

Tribos que têm território, mas não têm parada fixa. O povo Afar segue os rebanhos em busca de comida e água, em um dos lugares mais áridos da Terra.

A imensidão seca da depressão de Afar, no norte da Etiópia, é a casa dos nômades. E o berço onde a humanidade começou sua jornada da vida.

Foi em um canto isolado do Leste da África que a mais incrível das espécies da Terra evoluiu e se espalhou por todo o resto do planeta. Por isso, não faz diferença qual é a cor da sua pele, dos seus olhos, que país você vive, que língua você fala, não importa em qual Deus você acredita. Lá no começo da sua árvore genealógica estão os primeiros humanos, que pisaram este chão.

Em nenhum outro lugar foram encontrados tantos ancestrais humanos. Só no Vale do Rift, 11 espécies, que nos separam dos macacos em seis milhões de anos de evolução. É uma fenda de centenas de quilômetros, aberta pelo movimento de duas placas da crosta terrestre que estão se separando, alguns milímetros por ano, há 25 milhões de anos.

No tecido rasgado do planeta, fósseis de muitas épocas contam a história da vida.

A repórter Sônia Bridi pisou em uma camada de lava solidificada, de uma erupção vulcânica, de mais de 3 milhões de anos. Conforme a lava foi erodindo, foi expondo os fósseis ainda mais velhos que a erupção. Tudo o que parecem pedras brancas no local são na verdade os restos dos fósseis de uma tartaruga gigante. São tantos fósseis expostos, que em alguns pontos é impossível caminhar sem topar com ossos de milhões de anos. Até uma leiga reconhece o fóssil. “É de um elefante”, diz uma das maiores autoridades em evolução humana, Yohannes Haile-Selassie. Logo adiante, ele identifica o cotovelo de um ancestral do hipopótamo. Pedaço em pedaço, o esqueleto inteiro deslizou pela encosta.

Sônia Bridi: E este pequenino, o que é?
Yohannes Haile-Selassie: Um dente de crocodilo. Isso nos diz que 3,4 milhões de anos atrás, havia água aqui.

O ambiente era muito diferente quando a espécie humana surgiu. “Não é como hoje que existem casas, ruas, eles viviam junto com os animais. Eles morriam e viviam com o resto da natureza”, conta Yohannes Haile-Selassie.

Onde havia um grande lago, o geólogo americano Jonathan Wynn mostra as camadas de sedimentos acumulados ao longo de milhões de anos. Cada uma recheada de fósseis de uma época.

A equipe dele perfura até 600 metros de profundidade. E traz à superfície amostras do solo. Quanto mais profundas, mais antigas. Nelas, fósseis de conchas e restos de seres vivos. “Essas camadas não foram expostas à chuva e aos ventos, e com elas podemos ter muitas informações sobre o ambiente e o clima da época”, diz o doutor.

Ali perto, a equipe do Doutor Yohannes também tenta remontar o ambiente que nutriu a humanidade em sua infância. São milhares de fósseis recolhidos a cada expedição. Buscando encontrar o elo perdido, o momento da nossa separação dos outros grandes primatas.

Todos viemos do mesmo ancestral. O primeiro a se separar da família foi o ramo dos orangotangos. Depois, os gorilas, e finalmente, o ancestral de chimpanzés e bonobos ficou independente, deixando os homens para seguir seu próprio caminho na evolução.

Na escavação de hoje, os fósseis de um primata vão sendo descobertos. Uma pontinha de dedo aqui. Um pedaço da mão ali. Com isso, eles já concluem: é da família dos babuínos.

“Em um pedacinho, ele acabou de achar um pedaço do rabo de um ancestral do babuíno”, mostra a repórter do Fantástico.

“Para cada 100 macacos que encontramos, são apenas dois ou três fósseis humanos. Por isso ficamos tão animados quando encontramos algum osso humano’, conta Yohannes Haile-Selassie.

Foi assim no dia que o Doutor Yohannes encontrou, há 13 anos, o nosso ancestral mais antigo conhecido. O Ardipithecus kadabba, o primeiro a andar em pé.

O kadabba dobrou o tempo conhecido da evolução humana: existiu há quase 6 milhões de anos. Até ele, o fóssil mais antigo era o Australopithecus afarensis, como o nome indica, encontrado em Afar.

Uma mulher, Lucy, que virou símbolo da evolução humana. Era pequenina, parecia um chimpanzé em pé. Lucy está no Museu Nacional de Adis Abeba, capital da Etiópia, sob os cuidados de Berhane Asfaw, que é a maior autoridade do mundo em evolução humana.

Imagens mostram os fósseis originais da Lucy, a australopithecus afarensis que ficou conhecida como a mãe da humanidade. “Lucy é única porque não é só um osso, uma articulação, é um esqueleto. Da cabeça aos pés. 40% de um esqueleto humano. E isso é extremamente raro. O pesquisador que a encontrou estava caminhando e tropeçou neste osso. Depois achou o resto”, conta Berhane Asfaw.

Eram os anos 70 e os pesquisadores batizaram o fóssil com o nome tirado da música dos Beatles, que ouviam no acampamento. O esqueleto de 3 milhões de anos, tão bem preservado, revelou muito.

“Por causa da Lucy sabemos as proporções do corpo: pernas curtas, braços longos. Isso era completamente desconhecido”, explica Berhane Asfaw.

Ela estava no meio de uma caminhada de 6 milhões de anos. Do Ardipithecus até nós: pernas foram ficando mais compridas, os braços mais curtos, o andar mais ereto. Perdemos pelos no corpo, ganhamos cabelos longos.

O ponto crucial dessa transformação foi há 2 milhões de anos quando o Homo habilis aprendeu a usar pedras como ferramentas. E isso mudou o curso da evolução, afetou profundamente o cérebro.

O cérebro do Homo habilis era pequeno, tinha 300 mililitros. No próximo salto da evolução, o Homo erectus, o tamanho do cérebro mais que triplicou. E o Homo sapiens, nós, temos quase 1,5 litro de volume cerebral.

Mas por que as ferramentas tiveram impacto tão grande? Porque com elas, eles podiam cortar a pele de grandes animais mortos, e ter acesso a mais carne e gordura.

“Quando fizeram isso, passaram a comer muita proteína. Eles podiam quebrar os ossos dos animais e ter acesso à medula. E com esse conhecimento, começaram a mudar a biologia. Em pouco tempo, aquele cérebro pequeno evoluiu para um grandão. O próximo evento foi mudar a programação do cérebro dessa grande máquina que adquirimos na evolução”, afirma Berhane Asfaw.

Uma máquina, que há menos de 200 mil anos, fez de nós o que somos. 40 mil gerações atrás viveu um homem, que é o mais velho já encontrado da nossa espécie, o homo sapiens, 160 mil anos.

“Há 160 mil anos, esse foi o ancestral de toda a humanidade, tudo começou aqui. Se ele estivesse vestido, no metrô de Londres, por exemplo, seria só mais um negro, recém-chegado da África”, conta Berhane Asfaw.

O povo Afar é o que ficou no berço da humanidade. No acampamento, os jovens se enfeitam.

As mulheres com tranças muito elaboradas. Os homens usam manteiga de leite de cabra para soltar os cachos. O cabelo é a vaidade desse povo que não tem bens materiais além dos rebanhos.

Um conceito de beleza diferente. Na adolescência, os dentes são lixados, para ficarem pontudos. Os sorrisos afiados.

As crianças se divertem com as diferenças. Mas uma menininha fica morrendo de medo.

São vistos muitos jovens e crianças, e poucos adultos. A expectativa de vida aqui é de 37 anos. Uma das mais baixas do mundo.

Os Afar são muçulmanos, mas praticam a religião com características bem próprias. As meninas podem se casar a partir dos 10 anos de idade. O almoço coletivo ainda está no fogo, quando começam as danças.

As mulheres em um lado do acampamento. Sutiãs, meio antigões, são usados só porque a equipe do Fantástico estava no local. Os homens dançam do outro lado. As músicas são poucas frases, repetidas e ritmadas.

Quando os dois grupos se encontram, o ritual de conquista mais parece um desafio. Quando acaba, os rapazes saem em fila, fazendo a dança de guerra. Eles avançam devagar, como quem reluta em enfrentar seu destino.

Alguns deles têm nas mãos os cajados de pastores. Outros, fuzis automáticos.

A repórter Sônia Bridi confessou que é um pouco assustador estar no local, porque apesar de ser uma dança cerimonial de guerra, na verdade essas tribos, elas estão em uma disputa com outros grupos étnicos há muito tempo. As armas defendem fronteiras recentes, que não existiam para os nossos antepassados.

Daqui eles saíram para ocupar todo o planeta, na mais fascinante jornada da vida.

Na semana que vem, vamos conhecer uma mulher que ficou conhecida como Luzia, a primeira brasileira. O “Jornada da Vida” vai conhecer os lugares onde os primeiros brasileiros viveram e as histórias que deixaram para trás.



Fonte: Fantástico



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