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Jovem embaixador na Rio+20 diz que alertou Alckmin sobre crise hídrica

Compartilhe:     |  3 de fevereiro de 2015

Um dos representantes do Brasil na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, afirma que entregou na época do evento, em junho de 2012, um relatório ao governador Geraldo Alckmin alertando sobre o risco de escassez de água na cidade de São Paulo nos cinco anos seguintes.

O alerta foi feito um ano e meio antes de a Sabesp emitir seu primeiro comunicado sobre a crise hídrica, em 27 de janeiro do ano passado. O governo do estado disse que “não há qualquer registro oficial ou protocolo que confirme o recebimento do referido documento”.

O relato é do jovem engenheiro ambiental Gabriel Estevam Domingos, que participou da Rio+20 após ser um dos vencedores do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais em parceria com o Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente (Pnuma).

Segundo o jovem embaixador, o material chamando a atenção para uma provável crise foi entregue pessoalmente ao governador de São Paulo.  Segundo ele, também estavam presentes o então secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, e a ex-ministra das Relações Institucionais do Governo federal (Ideli Salvatti).

O levantamento, de acordo com o representante, previa o “descompasso entre o crescimento da cidade de São Paulo e a inconsistência do regime de precipitação hídrica, tendendo a um colapso do sistema”.  “A receptividade foi ótima. No entanto, pouco mais de dois anos depois nada foi feito”, disse à GloboNews. “Esse cenário já foi previsto por grandes pesquisadores, tanto do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] quanto da USP [Universidade de São Paulo], e planos de contingência não foram feitos”.

O representante do Brasil na Rio+20 e o governador, na data da entrega do relatório (Foto: Arquivo pessoal)O representante do Brasil na Rio+20 e o
governador, na data da entrega do relatório
(Foto: Arquivo pessoal)

Na opinião de Estevam, no atual estágio da crise hídrica o racionamento é inevitável. Ele é contra a utilização da represa Billings para fins potáveis, como prevê o governo, e defende que o tratamento do Rio Pinheiros seria mais efetivo.

A medida já era defendida no relatório de 2012, e a água seria destinada ao uso industrial. “O tratamento seria próximo à estação da EMAE [Empresa Metropolitana de Águas e Energia], onde temos uma grande concentração de indústrias, que consomem quase 25% da nossa água”, explica. “Daria para suprir essa demanda do polo industrial sem comprometer a demanda para fins potáveis.”

A assessoria do governo de São Paulo informou que “tem investido fortemente na ampliação da produção de água”. “Ao longo dos últimos anos, foram investidos mais de R$ 9,3 bilhões em obras de ampliação da capacidade de fornecer água tratada nos cinco sistemas de abastecimento de RMSP (Alto Tietê, Guarapiranga, Rio Grande, Alto Cotia, Baixo Cotia)”.

“Estas obras aumentaram a produção em mais 15,6 metros cúbicos por segundo – o suficiente para abastecer duas grandes capitais como Salvador e Fortaleza (5,5 milhões de pessoas). A capacidade foi ampliada de 57,2 mil para 73,3 mil litros por segundo no período.
Nesse período também foram planejadas e iniciadas novas obras como a PPP do São Lourenço, que vai ampliar em 4.700 litros por segundo a capacidade de produção de água tratada para a RMSP. Cerca de 1,5 milhão de moradores da capital e da região metropolitana serão beneficiados”, afirma uma nota do governo enviada ao G1.

O governo cita ainda o Aquapolo como “um projeto inovador e sustentável capaz de produzir água de reúso para fins industriais, destinada ao Polo Petroquímico do ABC paulista”.

Reservatórios
Depois de começar fevereiro em queda, após um período de sete dias de estabilidade, o Cantareira manteve o volume do dia anterior nesta segunda-feira (2), permanecendo em 5%. Outros quatro sistemas que abastecem a Grande São Paulo também ficaram estáveis e um, o Rio Claro, apresentou alta, segundo boletim da Sabesp. Choveu em todos os mananciais.

Para este mês, são esperados 199,1 milímetros de chuva no Cantareira, menos que os 271,1 milímetros que eram previstos para janeiro. No primeiro mês do ano, apenas o sistema Guarapiranga bateu a média histórica de precipitações, favorecido pelas pancadas de chuva na capital. Os demais ficaram abaixo da média.

No caso do Cantareira, janeiro foi o 12º mês seguido desde 2014, início da crise, com menos chuva que o esperado.

Previsão
As precipitações devem ficar abaixo da média pelo menos até abril. É o que prevê o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério de Ciência e Tecnologia. O resultado foi divulgado em 16 de janeiro, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília.



Fonte: G1



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