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Leishmaniose Visceral Canina: perigo para cães e donos

Compartilhe:     |  17 de dezembro de 2016

FotoDoença é causada por um protozoário, através da picada de um inseto

Por Jéssica Ferrari

Apatia, lesões de pele, quedas de pelos, emagrecimento, lacrimejamento e crescimento anormal das unhas são sintomas preocupantes para qualquer dono de animal. Mas quando juntos, exibem as principais características de uma doença parasitária grave do cão: a Leishmaniose Visceral Canina (LVC).

Popularmente conhecida como “Calazar”, a LVC é comum na América Latina e nos países mediterrâneos, como Portugal, Espanha, França e Itália. A transmissão do protozoário (parasita microscópico) que causa a enfermidade – Leishmania chagasi – é feita por um flebótomo, um inseto muito parecido com um mosquito, mas em tamanho menor, conhecido como “mosquito palha”.

O primeiro sinal clínico costuma ser a perda de pelo, principalmente ao redor dos olhos, nariz, boca e orelhas. “À medida que a doença avança, o cão perde peso”, explica o médico veterinário, Dídimo Luiz Tanclér Gagliardi, proprietário da Clínica Padre Bento.

Com o tempo é comum ocorrer o aparecimento de uma dermatite ulcerativa (ferida) no cão, que pode se disseminar por toda a superfície corporal, principalmente nas regiões do corpo do animal que têm maior contato com o chão – quando sentado ou deitado. “Quando em fase mais avançada é possível observar ainda sinais relacionados com a insuficiência renal crônica”, conta o profissional.

Se o cão não receber proteção o risco de contagio é alto, especialmente se a área na qual ele se encontra é endêmica. Segundo Gagliardi, o risco é maior se os fatores climáticos forem favoráveis (alta temperatura, umidade, presença de matéria orgânica, ente outros) ou se o animal permanecer fora de casa desde o entardecer até o amanhecer.

“Apesar de pouco conhecida pelos proprietários de cães, ela [a doença] vem se expandindo por todo Brasil”, afirma o médico veterinário. O profissional alerta ainda que a Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida ao homem.

De 2000 a 2009 foram registrados 34.583 casos de LV no país, com média anual de 3.458 casos confirmados. Nesse mesmo período, ocorreram 1.771 óbitos pela doença, representado por uma letalidade de 5,1%, segundo dados do Ministério da Saúde.

O contagio humano

A Leishmaniose Visceral Canina também pode ser transmitida ao homem pela picada de insetos infectados. As chances de contrair a doença são maiores para crianças, idosos e adultos com imunidade prejudicada.

Cuidado com áreas de potencial contágio:

Os proprietários de cães devem tomar alguns cuidados com as áreas úmidas ou de decomposição de lixo. Para evitar o inseto transmissor é preciso:

– Evitar acúmulos de lixo no quintal e descartar o lixo adequadamente: é uma maneira de contribuir para a saúde do meio ambiente e ao mesmo tempo evitar a proliferação dos mosquitos;

– Manter o ambiente do cão, o quintal ou a varanda sempre limpos, livre de fezes e acúmulo de restos de alimentos e folhagens;

– Manter a grama e o mato sempre cortados, com retirada de entulhos e lixo, evitando a formação de uma fonte de umidade e de matéria orgânica em decomposição;

– Utilizar spray repelentes ou inseticidas ou cultivar plantas com ação repelente, como a citronela ou neem, no ambiente.

A Leishmaniose não é transmitida através de lambidas, mordidas ou afagos. O contágio ocorre somente através da picada da fêmea infectada do inseto!

Tratamento

Humanos:
Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento específico para a doença em humanos é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Ele é feito com uso de medicamentos específicos a base de antimônio, repouso e uma boa alimentação.

Cães:
Os cães são considerados os principais reservatórios da doença na área urbana, uma vez que o inseto transmissor ao sugar o sangue do animal infectado pode transmitir a enfermidade para outros indivíduos. Porém, os animais silvestres e os próprios humanos também atuam como tal.

O tratamento da LVC em animais existe, no entanto não permite uma cura completa da doença. “Geralmente consegue-se a remissão dos sinais clínicos, no entanto, o animal pode continuar portador do parasita, situação que chamamos de reservatório da doença”, explica Gagliardi. Por esse motivo, no Brasil o Ministério da Saúde proíbe o tratamento e recomenda a eutanásia dos cães infectados.

Cuidados com os animais

Para evitar a contaminação todo cuidado é pouco, especialmente nos períodos da primavera e do verão, quando a incidência do mosquito transmissor é maior. Segundo Gagliardi, se houver desconfiança de infecção, o correto é conduzir o animal a um médico veterinário, para que sejam realizados exames minuciosos.

Vale lembrar ainda que os animais não são os culpados pela doença, e por isso não devem ser desamparados, excluídos ou esquecidos. A principal arma contra essa enfermidade mortal é o cuidado e a atenção com a higiene do ambiente, e do cão. Assim, a relação entre animais e humanos poderá ser benéfica para ambos.



Fonte: ITU



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