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Leite do diabo-da-tasmânia é capaz de matar superbactérias

Compartilhe:     |  27 de dezembro de 2016

Os cientistas descobriram que o leite do diabo-da-Tasmânia contém um arsenal de compostos antimicrobianos que pode matar algumas das infecções bacterianas e fúngicas mais mortais conhecidas pela Ciência – como o estafilococo dourado.

Segundo os pesquisadores, o diabo-da-tasmânia produz seis tipos diferentes destes compostos antimicrobianos – os seres humanos produzem apenas um. Os cientistas sintetizaram a substância no laboratório para testar sua eficácia.

Quando testadas contra 25 diferentes bactérias e seis linhagens de fungos, as seis variedades de compostos antimicrobianos conseguiram combater o estafilococo dourado (Staphylococcus aureus) – responsável pela intoxicação alimentar, pneumonia e síndrome do choque tóxico – e o Enterococcus, responsável por causar infecções do trato urinário e Meningite.

Os compostos também mataram Candida krusei – uma espécie de levedura rara associada com alta mortalidade – e o fungo aéreo mortal chamado Cryptococcus gattii. “Nós mostramos que estes animais podem matar bactérias multirresistentes, o que é muito bom”, comentou uma integrante da equipe, Emma Peel, da Universidade de Sydney, na Austrália.

O animal

O diabo-da-tasmânia é uma espécie que vive exclusivamente na ilha da Tasmânia. Do tamanho de um cachorro pequeno, ele é o maior marsupial carnívoro do mundo. Esses animais estão atualmente sob séria ameaça de doença, com o tumor facial (DFTD) – um câncer facial parasita altamente infeccioso que atinge mais de 70 por cento dos espécimes.

A doença já matou grande parte da população ao longo das últimas duas décadas, mas a espécie está desenvolvendo sua própria resistência ao DFTD. Essa não é a única tenacidade desses animais australianos: eles nascem sem tecidos imunes primários e não desenvolvem a imunidade dos anticorpos até cerca de 90 dias de idade. No entanto, de alguma forma, eles sobrevivem na bolsa de sua mãe, que está repleta de bactérias.

 

A pesquisa

Quando a equipe analisou a estrutura molecular do leite do animal, descobriu seis peptídeos antimicrobianos de ocorrência natural da família das catelicidinas que são “de três a seis vezes mais eficazes” contra uma gama de infecções. Duas variedades de peptídeos – Saha-CATH5 e Saha-CATH6 – são eficazes em matar bactérias prejudiciais aos seres humanos. “Dos seis compostos caracterizados, Saha-CATH5 e 6 têm atividade antibacteriana de amplo espectro e são capazes de matar patógenos humanos problemáticos”, conclui a equipe.

As infecções resistentes aos medicamentos matam, a cada ano, mais pessoas do que o câncer. Os cientistas estão investigando se a versão sintética destes peptídeos pode ser usada com segurança em seres humanos. “O próximo passo para a nossa pesquisa, é saber se estes peptídeos têm potencial anticâncer”, comentou a equipe.



Fonte: Jornal Ciência - Julia Moretto



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