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Leite faz bem, mal ou ambos? Os avanços da ciência nem sempre contribuem para desmontar os mitos

Compartilhe:     |  9 de março de 2015

Talvez possa ser exagero, mas não passa despercebido aos consumidores mais atentos: parece que todos os dias há um novo estudo sobre um alimento ou uma bebida que, afinal, faz bem à saúde. Ou mal. Ou ambas, se consumido sem moderação.

A verdade é que, muitas vezes, os avanços da ciência podem ser um verdadeiro quebra-cabeças para quem quer fazer as escolher certas em termos de alimentação. Se há duas décadas o leite era inegavelmente o melhor alimento para aumentar as reservas de cálcio, hoje os especialistas dividem-se e aumentam as intolerâncias à lactose. E este não é o único caso.

O Mashable recolheu oito exemplos de alimentos que, a certa altura, foram considerados prejudiciais pelos especialistas, mas que entretanto voltaram à lista dos “alimentos saudáveis” porque novos estudos – que praticamente “cancelaram” as conclusões dos anteriores – lhes devolveram o estatuto e permitiram recuperá-los do seu estado de desgraça.

Ovos. Em 2012, um estudo do Centro de Prevenção e Pesquisa sobre a Aterosclerose, considerava o consumo de ovos um fator de risco para as pessoas com doenças cardiovasculares. Só que um outro estudo do mesmo ano contrariava esta tese, alegando que comer um ovo diariamente não faria sequer aumentar o risco de enfarte. E agora?

Café. Todos os anos sai um novo estudo sobre os efeitos benéficos ou nocivos da cafeína. Em 2007, um estudo mostrava que o consumo de café podia ser prejudicial para o controlo dos níveis de glucose no sangue dos diabéticos do tipo 2. Já em 2014, a escola de Saúde Pública de Harvard veio demonstrar que quem aumentasse o consumo de café ao longo de quatro anos conseguiria reduzir o risco de contrair diabetes tipo 2 em 11%.

Vinho tinto. Não nos cansamos de ouvir falar das maravilhas da dieta mediterrânica e de como um copo de vinho à refeição até pode ser saudável, devido aos seus antioxidantes. E um estudo feito em 1996 demonstrava mesmo que o vinho era a bebida alcoólica capaz de reduzir o risco de doença cardiovascular. No entanto, um outro estudo publicado em 2014, que seguiu ao longo de nove anos a saúde de 800 pessoas, assegurava que era tudo falso. Alguma informação a reter?

Leite. O melhor a combater a osteoporose, um aliado para ossos fortes. Ou não? Aparentemente, importa se é homem ou mulher. Em 1997, os cientistas chegaram à conclusão de que o aporte de cálcio não reduzia o risco de fraturas ósseas nos homens.

Carnes vermelhas. É quase, quase consensual que devemos reduzir o consumo de carnes vermelhas. Mas uma universidade australiana chegou à conclusão de que a falta de carne na dieta das mulheres estava ligada a um aumento da depressão e da ansiedade, mesmo que outros estudos – inclusivamente de 2013 – insistam que a carne vermelha é prejudicial para a saúde, elevando até o risco de contrair diabetes do tipo 2.

Chocolate. Tal como o vinho tinto, o chocolate é propalado como alimento benéfico no que aos antioxidantes diz respeito. Um estudo de 2014 refere que as pessoas que consomem chocolate preto têm menor risco de ter diabetes porque ganham maior sensibilidade à insulina. Mas o mesmo estudo, antes citado, que dizia que o vinho tinto não tinha qualquer efeito no controlo das doenças cardiovasculares, aplica o mesmo princípio ao chocolate e retira-lhe qualquer propriedade benéfica.

Frutos secos. É suposto incluir frutos secos num regime alimentar saudável? O Mashable dá-lhe a resposta mais sincera: não sabemos. São ricos em calorias mas, se consumidos com moderação, auxiliam no controlo do peso, diz-se. O problema é que um estudo de 2005, que seguiu 90 pessoas que consumiram frutos secos ao longo de seis meses e que depois os excluíram da sua dieta ao longo de outros seis, refere simplesmente que estes adultos ganharam peso enquanto comiam os frutos secos e perderam peso quando pararam. Pois.

Batatas. Não falemos da versão frita, que é consensualmente considerada muito pouco benéfica. Aliás, em 2011, a Universidade de Harvard considerou a batata um dos alimentos mais perigosos para o perímetro abdominal, após ter seguido ao longo de 12 anos a dieta de cerca de 120 mil profissionais de saúde. Só que em 2013 é possível encontrar uma pesquisa que considera a batata um dos vegetais mais nutritivos, devido aos níveis de fibra e potássio. E este mesmo estudo dirige-se aos profissionais que trabalham nas cantinas escolares, procurando auxiliá-los na construção de ementas saudáveis para os alunos.



Fonte: DN Ciência



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