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Livro mostra falhas nas pesquisas alimentares que condenam a ingestão de gordura

Compartilhe:     |  3 de agosto de 2014

O conceito de alimentação saudável flutua há décadas ao sabor de condenações e absolvições. Novos estudos põem em xeque alimentos considerados saudáveis, ao mesmo tempo que resgatam outros, até então contraindicados. Ovos, leite e trigo já passaram por esse ciclo. Alcançaram o olimpo nutricional, mergulharam no limbo da insalubridade e voltaram, tempos depois, à mesa humana sob as bênçãos da medicina. Entre os nutrientes que consumimos frequentemente, a gordura foi o menos atingido por essa montanha-russa de reputações.

Desde que seu consumo foi associado a problemas do coração, há mais de 50 anos, a recomendação nunca mudou: gordura deve ser consumida com moderação; gordura saturada faz mal. Agora, pela primeira vez, essa imagem de vilã é contestada pelo livro The big fat surprise (A grande e gorda surpresa, em tradução livre), da jornalista americana Nina Teicholz.

O livro, lançado em abril passado, esmiúça a história da gordura na alimentação ocidental com base em pesquisas, números e fatos, para defender uma tese provocativa: a gordura foi injustamente vilipendiada. Nina diz que a diminuição do consumo de gordura por recomendação médica contribuiu para a epidemia de obesidade e de diabetes do tipo 2 (aquela adquirida por hábitos alimentares) nos Estados Unidos e em outros países.

The big fat surprise parte de um paradoxo real (e preocupante). Desde os anos 1970, formou-se um consenso: a gordura é a principal responsável por doenças do coração e por sobrepeso. A partir daí, a onda de alimentos sem gordura, comidas light e orientação médica para cortar manteiga e bacon fez com que o consumo diminuísse em 11% nos Estados Unidos – enquanto a ingestão de carboidratos aumentou 26%, entre 1970 e 2010.

Apesar da redução na gordura, a obesidade e as doenças ligadas à alimentação (como diabetes tipo 2) cresceram como em nenhuma outra época. Em 1985, havia 30 milhões de adultos com diabetes no mundo. Esse número saltou para 173 milhões em 2002, com projeção de chegar a 300 milhões em 2030, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os adultos obesos já são 500 milhões no mundo todo, mais que o dobro do que eram em 1980. Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes.

Como calcular o percentual de gordura dos alimentos (Foto: ÉPOCA)



Fonte: Época



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