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Lixo orgânico e inorgânico: saiba como separar e veja casos específicos

Compartilhe:     |  5 de novembro de 2020

Você certamente já deve ter se deparado com as expressões “lixo orgânico e inorgânico” enquanto estudava sobre reciclagem na escola, ou até mesmo em um ou outro ponto de descarte, certo? A classificação parece simples, mas pode gerar muita confusão para quem ainda não tem prática na hora de reciclar. Isso porque, em linhas gerais, o senso comum denomina “lixo orgânico” tudo aquilo que é de origem natural e não pode ser reciclado (como restos de alimentos, sementes, cascas de frutas etc) e “lixo inorgânico” tudo aquilo que é proveniente da ação do homem e pode ser reciclado (como plástico, papel, vidro). Mas não é bem assim. Na verdade, segundo Ana Maria Luz, presidente do Instituto Gea – Ética e Meio Ambienteessa classificação não é a mais correta. “O mais adequado seria falarmos em três categorias: lixo reciclável, materiais orgânicos ou compostáveis, e rejeitos, sendo rejeito tudo aquilo que não é possível ser reaproveitado naquele local”, explica à Casa Vogue. Tem dúvidas sobre onde cada item se encaixa? Confira, a seguir, mais dicas de Ana Maria Luz para separar adequadamente seu lixo:

Materiais orgânicos compostáveis

São os mais facilmente reconhecidos, e geralmente estão relacionados a restos de alimentos, cascas de frutas e sementes. Este tipo de resíduo não deve ser enviado para a reciclagem, mas pode ser reaproveitado em casa como adubo para plantas em uma composteira doméstica, por exemplo.

Lixo reciclável

É comum pensar que “lixo inorgânico” e “lixo reciclável” são sinônimos, mas é esta ideia incorreta eu gera grandes confusões na hora de reciclar. Segundo Ana Maria Luz, de maneira geral, pode ser considerado reciclável tudo aquilo que for plástico, papéis (desde que não tenham tido contato com dejetos ou fluidos do corpo humano) e vidros em geral, com exceção de vidros planos como aqueles utilizados em janelas. No entanto, existem algumas “pegadinhas”. “Muitos acham que fraldas descartáveis ou absorventes usados, por conterem plástico, são recicláveis, mas na verdade não são. Outro erro comum é enviar para reciclagem papéis com adesivos e embalagens de salgadinho que contenham alumínio misturado com tipos de plástico. [Neste último caso], mesmo que a embalagem diga que aquele material é reciclável, ele não é”, afirma a presidente do Instituto GEA.

E, afinal, é preciso ou não lavar o lixo reciclável antes de enviá-lo para o reaproveitamento? “Para o processo de reciclagem em si, não faz diferença se o material estiver sujo ou não, porque esse processo implica em uma lavagem. Porém, até chegar à empresa ou cooperativa que realiza a reciclagem, os restos de alimentos em uma embalagem suja (de iogurte, leite etc) serão armazenados em diferentes locais e vão apodrecer, atraindo bactérias e ratos, até que se inicie o processo industrial. Por isso existe confusão sobre lavar ou não. Então, para ser objetiva, se você botar para reciclar um material com muito resíduo orgânico, não é bom”, enfatiza Ana Maria. “No entanto, também não vale a pena usar água limpa, um recurso finito, para lavar estas embalagens, porque isso seria um desperdício. Assim, a melhor solução é deixar os itens recicláveis sujos na pia da cozinha quando for lavar os itens de uso cotidiano como pratos, panelas e talheres. Desta forma, o sabão e a água, que já seriam usados de qualquer forma, conseguem tirar a maior parte dos resíduos.”

Rejeitos

São os materiais que não podem ser reciclados e também não podem ser reaproveitados como adubo caseiro. Eles incluem papel higiênico usado, lenços usados, fraldas descartáveis e absorventes usados, embalagens de salgadinho com alumínio misturado com plástico, isopor (dependendo da cidade, já que em algumas regiões existem opções de reciclagem do material), bituca de cigarro, espumas e esponjas, papéis com adesivo e  cartelas de remédios. Segundo Ana Maria Luz, a cerâmica presente nas louças também não é reciclável. “No caso de pedaços de vidro quebrado, eles podem ser reciclados, se você embrulhar bem em um jornal ou algo parecido. No entanto, eu, pessoalmente, descarto cacos de vidro pois tenho medo de cortar alguém que irá realizar a separação manual no processo de reciclagem”, explica.

Ana Maria Luz destaca que, além dos rejeitos já citados, é muito importante frisar que itens com potencial contaminação pelo vírus da Covid-19 também são rejeitos e não devem, de maneira alguma, ser enviados para reciclagem. “Itens como máscaras e luvas, que têm potencial de contaminação, devem ser descartados [e não reciclados]. Não interessa que o material da máscara seja reciclável: ela deve ser enviada para o lixo (de preferência dentro de um saco fechado) e não para reciclagem”, ressalta.

Vale lembrar, ainda, que o lixo eletrônico (como laptops antigos, pilhas e baterias) exigem um descarte especial. Saiba mais sobre como descartar seu lixo eletrônico aqui.

E aí, o que achou sobre o processo de separação do lixo? Para quem mora em prédios e condomínios, o processo de reciclagem geralmente é mais fácil já que os próprios estabelecimentos disponibilizam lixeiras separadas ou algum serviço de coleta seletiva. Já para aqueles que moram em casas, e no atual contexto de pandemia e trabalho remoto, Ana Maria Luz recomenda avaliar se há algum catador ou coletor próximo de você, e conversar com ele /ela para saber quais materiais seriam do seu interesse. “Fora isso, é interessante procurar algum lugar com coleta seletiva, como empresas que tenham pontos de coleta, porque não adianta simplesmente largar na rua em sacos de lixo separados”, finaliza.



Fonte: Casa Vogue - LUIZA QUEIROZ | FOTOS: GETTY IMAGES



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