Notícias

Luzes globais serão desligadas para ‘A Hora do Planeta’: tempo de pensar nas mudanças que queremos

Compartilhe:     |  27 de março de 2019

No próximo sábado (3) vai ter “Hora do Planeta”. Isto quer dizer que das 20h30 às 21h30 todas as pessoas, de todo o mundo, devem apagar as luzes e se dedicar, durante este tempo, em casa ou na rua, com amigos, em grupos, a pensar sobre o que é possível fazer para defender a Terra de nós mesmos. É uma cerimônia, uma espécie de rito, ao qual nem todos se sentem convidados por divergirem da necessidade de mudança de hábitos, de consumo e de produção. Aqui neste espaço, porém, creio que a maioria dos leitores se sensibiliza. E se sentirão dispostos a engrossar o time daqueles que, de uma forma ou de outra, neste fim de semana estarão refletindo sobre um novo modelo civilizatório.

As mudanças podem ser sutis, e cada uma valerá ouro. Sabem para quem? Para nós mesmos! Eis a bala de prata.

Em entrevista ao britânico “The Guardian” , a irlandesa Mary Robinson, que foi presidenta em seu país, atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e hoje põe em pauta o espinhoso assunto que envolve os impactos das mudanças climáticas sobre a população mais pobre do planeta, põe o dedo na ferida e não poupa críticas aos céticos do clima:

“Acredito que a negação da mudança climática não é apenas ignorante, é maligna e equivale a uma tentativa de negar os direitos humanos a algumas das pessoas mais vulneráveis do planeta”, disse Mary Robinson.

Chamou-me a atenção na entrevista, além do recado direto e contundente aos negacionistas – sim, é preciso passar a dar a estas pessoas a responsabilidade que têm num processo que precisa do coletivo para ter bons resultados – a forma simples que Robinson usou para dar início às mudanças em sua própria vida: não come mais carne de espécie alguma. Aos 75 anos, ela pode ser um exemplo para quem acha ainda que é preciso ingerir proteína animal diariamente.

Robinson é dura em seu discurso, afirmando que as claras evidências sobre os efeitos das mudanças climáticas exigem ações urgentes.

“É uma injustiça que as pessoas que contribuíram menos para as causas do problema sofram os piores impactos da mudança climática. Na África, vi os impactos devastadores sobre os agricultores, moradores e comunidades pobres porque eles não podem prever quando a estação chuvosa vai chegar”, alertou ela, que fez este mesmo discurso para a plateia de convidados ao Jardim Botânico Real de Kew, em Londres, quando Robinson recebeu uma medalha por seu trabalho com relação à justiça climática.

Falemos, então, sobre as evidências que Robinson aponta e que, aqui neste espaço, estamos sempre a debater. Não faltam estudos, relatórios, pesquisas, que apontam tais evidências e que nos mostram como é importante uma reação conjunta. Por coincidência, hoje mesmo recebi por mensagem de redes sociais um vídeo muito bonito, chamado “Sing for the Climate Belgium” (vale a pena ver abaixo) que faz uma adaptação da canção popular italiana “Bella Ciao”, do século XIX. No vídeo, crianças, jovens e adultos, homens e mulheres dizem que é preciso tomar uma atitude contra os abusos que estamos cometendo. E dizem que isto tem hora certa para acontecer: agora!

A música original tornou-se um símbolo da resistência italiana ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Voltemos às evidências. Um último estudo, publicado na revista “Nature Communication” revelou uma “perda generalizada, nas últimas décadas, de insetos polinizadores na Grã-Bretanha”. Não é um fenômeno qualquer, não pode ser menosprezado. Sem insetos polinizadores nosso ecossistema pode, simplesmente colapsar.

O estudo da revista é o mais recente, mas não é o único. Em outubro de 2017 o próprio “The Guardian” revelou uma pesquisa, liderada pela Universidade Radboud, da Holanda, dando conta de uma escala de perdas de insetos voadores muito preocupante . A média anual de insetos caíra 76% no período de 27 anos, mas a queda foi ainda maior – 82% – no verão, quando o número de insetos atinge seu pico.

Já neste ano, em janeiro, em Porto Rico, o cientista Brad Lister fez uma descoberta aterradora quando visitou a floresta tropical de Luquillo, em Porto Rico, depois de 35 anos sem pisar naquele território: a população de insetos que fornecia alimento abundante para as aves em todo o montanhoso parque havia desmoronado.

“Foi um verdadeiro colapso das populações de insetos na floresta tropical. Começamos a perceber que isso é terrível – um resultado muito, muito perturbador. Estamos, essencialmente, destruindo os sistemas de suporte de vida que nos permitem sustentar a nossa existência no planeta, juntamente com todas as outras formas de vida no planeta. É horrível ver como estamos dizimando o mundo natural assim”, disse ele à reportagem.

Pegando uma carona no duro discurso de Mrs. Robinson, e tendo em vista que não param de surgir evidências sobre os impactos cada vez mais dolorosos ao meio ambiente, gosto da ideia de sugerir um tema para a reflexão do sábado à noite. Já estou quase organizando a reunião com amigos. Pode ter uma boa comida, uma boa bebida, mas não devem faltar pensamentos. A contribuição que sugiro vem de Luiz Marques, professor da História da Unicamp, autor de “Capitalismo e Colapso Ambiental” (Ed. Unicamp).

A música original tornou-se um símbolo da resistência italiana ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Voltemos às evidências. Um último estudo, publicado na revista “Nature Communication” revelou uma “perda generalizada, nas últimas décadas, de insetos polinizadores na Grã-Bretanha”. Não é um fenômeno qualquer, não pode ser menosprezado. Sem insetos polinizadores nosso ecossistema pode, simplesmente colapsar.

O estudo da revista é o mais recente, mas não é o único. Em outubro de 2017 o próprio “The Guardian” revelou uma pesquisa, liderada pela Universidade Radboud, da Holanda, dando conta de uma escala de perdas de insetos voadores muito preocupante . A média anual de insetos caíra 76% no período de 27 anos, mas a queda foi ainda maior – 82% – no verão, quando o número de insetos atinge seu pico.

Já neste ano, em janeiro, em Porto Rico, o cientista Brad Lister fez uma descoberta aterradora quando visitou a floresta tropical de Luquillo, em Porto Rico, depois de 35 anos sem pisar naquele território: a população de insetos que fornecia alimento abundante para as aves em todo o montanhoso parque havia desmoronado.

“Foi um verdadeiro colapso das populações de insetos na floresta tropical. Começamos a perceber que isso é terrível – um resultado muito, muito perturbador. Estamos, essencialmente, destruindo os sistemas de suporte de vida que nos permitem sustentar a nossa existência no planeta, juntamente com todas as outras formas de vida no planeta. É horrível ver como estamos dizimando o mundo natural assim”, disse ele à reportagem.

Pegando uma carona no duro discurso de Mrs. Robinson, e tendo em vista que não param de surgir evidências sobre os impactos cada vez mais dolorosos ao meio ambiente, gosto da ideia de sugerir um tema para a reflexão do sábado à noite. Já estou quase organizando a reunião com amigos. Pode ter uma boa comida, uma boa bebida, mas não devem faltar pensamentos. A contribuição que sugiro vem de Luiz Marques, professor da História da Unicamp, autor de “Capitalismo e Colapso Ambiental” (Ed. Unicamp).



Fonte: G1 - Amelia Gonzalez



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Veterinário dá dicas importantes de como cuidar de cães e gatos com a continuação do isolamento social

Leia Mais