Trilhas da Paraíba

Mãe D’Água

Compartilhe:     |  15 de dezembro de 2019

Mãe D`Água possui um clima agradável e uma paisagem privilegiada para oferecer aos seus visitantes em virtude de grande quantidade de serras que cercam o município, sem contar com as cachoeiras, olhos dàguras, grutas, cavernas e as manifestações populares, compondo assim um cenário convidativo para todas as pessoas que decidem conhecer a região.

O município possui um hotel ( Hotel Mãe d` água) com confortáveis instalações podendo recepcionar áqueles que desejam visitar os Sítios Arqueológicos, que se apresentam em grandes quantidades, demonstrando assim, vestígios da existêmcia de civilizações antigas.

Estes sítios, a exemplo do Serrote das Ovelhas e a Pedra do Letreiro, onde se pode observar gravuras rupestres de importância vital para os estudiosos no assunto, estão sendo rastreados e documentados pelo pesquisador José Romildo de Sousa.

Dentro de todo este contexto, a administração municipal, ciente da sua responsabilidade perante a natureza, já começa a sensibilizar – através de campanhas educativas – os visitantes, seus alunos e o povo em geral, no sentido de criar uma consciência ambientalista para que os sítios e as trilhas que cortam as serras em várias direções venham a ser preservadas, servindo assim, de suporte para um verdadeiro e substancioso programa sustentável de turismo ecológico.

História

No início o século XX um homem de nome Leonardo Camboim, veio do sítio Riacho do Cipó, localizado no município de Catingueira, juntamente com seus irmãos João Camboim, Emiliano Camboim de Cirilo Camboim, para tomar posse de uma gleba de terra, na localidade hoje conhecida como Mãe d’Água.

Pela falta de planejamento tudo leva a acreditar que Leonardo Camboim não tinha intenção de fundar uma vila e/ou cidade, mas devido a grande produção de algodão, cultura em torno da qual girava a maior parte da atividade econômica da região nesse período logo as pessoas foram chegando e construindo suas casas e a população foi crescendo. Inicialmente a vila foi chamada de Umbuzeiro, em virtude da enorme quantidade de umbuzeiro que se concentravam em seus arredores.

Em 1901, Leonardo Camboim construiu uma enorme casa existente até os dias de hoje e pertencente à família Nunes, neste mesmo ano aconteceu a 1ª feira realizada num dia de domingo, a feira foi responsável pela mudança de Umbuzeiro para Vila do Rapa, pelo que pudemos apurar a feria acontecia em baixo de latadas e todos os produtos foram vendidos, isto é, “rapados”, eis o significado para a nova nomenclatura.

Devido a facilidade de encontrar água naquele local pela existência de inúmero olhos d’água, fez com que os moradores acreditassem ser ali a mãe das águas e por isso o pequeno povoado passou a se chamar Mãe d’Água.

Consta-se em cartório de registro de imóvel da comarca, que a área territorial onde hoje existe a cidade de Mãe d’Água foi doada a São Sebastião.

Logo foi construída uma capela em honra a São Sebastião, mas não tinha nenhuma imagem do santo, então Leonardo Camboim, doou uma imagem de Nossa Senhora das Dores, que segundo os entrevistados, foi comprada por Padre Cícero no Juazeiro do Norte, e por isso Nossa Senhora das Dores é a padroeira oficial desta paróquia.

Passados alguns anos a Vila do Rapa teve sua nomenclatura modificada, e passou a se chamar Mariopa, por falta de fontes de pesquisas não conseguimos levantar dados sobre a mudança do nome.

O cartório de registro de nascimento e óbitos foi criado no ano de 1935, tendo como 1º escrivão Angelino Monteiro, atualmente o cartório é dirigido por José Simões Ribeiro Sobrinho.

Até 1941 tudo que aqui chegava ou saia eram transportado em lombo de burros e carroças de boi. Mas nesse mesmo ano um cidadão de nome Zuca, morador do sítio Apertado (município de São José do Bonfim), teve a brilhante iniciativa de solicitar ao prefeito da época, Dr. Otávio (Teixeira-PB) a construção da estrada ligando São José do Bonfim a Mãe d’Água, foi dele também a iniciativa de angariar recursos entre as pessoas do lugar, e como era de se esperar, foi ele quem inaugurou, neste mesmo ano a estrada, vindo até Mãe d’Água em um caminhão cabine de madeira ano 1936. O primeiro automóvel adquirido pelos habitantes do lugar foi comprado em sociedade onde era transportado o algodão produzido no lugar e pessoas que iam, sobretudo a cidade de Patos-PB.

Em 07 de janeiro de 1949, o povoado passou a Distrito pela lei 318. Nessa época as famílias que compunham o Distrito eram numerosas, pobres, viviam basicamente da agricultura de subsistência destacava-se a cultura do algodão e do sisal, havia muitos engenhos onde eram fabricados rapadura e mel, além de algumas casas de farinha.

Até o ano de 1945, não há registro de escolas públicas, os professores que aqui chegavam eram contratados por particulares que podiam pagar para que seus filhos estudassem.

Curiosidade: Conta-se que no ano de 1950, aconteceu uma grande festa no sítio Alecrim pertencente ao município para comemorar a compra de um rádio. Em 1951 foi adquirido o primeiro rádio do distrito e construído o cemitério local.

Em 1952 foi construída a Escola Estadual de 1º Grau de Mãe D’água que inicialmente disponha apenas do Ensino fundamental I ao longo dos anos consolidou seu processo de expansão e em 2003 foi instalado o Ensino Médio. Em 1979 foi construída a Escola Municipal Manoel Nunes Trindade com objetivo de oferecer um maior atendimento no ensino as crianças e jovens do Município.

Pelo que soubemos não houve luta pela emancipação política do Distrito, tudo aconteceu de forma inesperada, em 1961, quando se falava na emancipação do Distrito de Imaculada, uma querela política entre o Pe. João Noronha e lideranças locais, fizeram Mãe d’Água ser elevada a categoria de cidade antes de Imaculada, tendo como líder importante o então deputado José Gayoso, e exatamente aos 26 de dezembro de 1961, Mãe d’Água foi finalmente emancipada.

A energia elétrica chegou em 1969, quando o governador do Estado João Agripino, eletrificou todas as sedes dos municípios da Paraíba.

Em 1971 foi criado o sindicato dos trabalhadores rurais ano em que entrou em vigor o direito de aposentadoria para os trabalhadores do campo.

Curiosidade: O primeiro televisor foi comprado em 1972 por um grupo de pessoas, conta-se que a calçada da casa de Dona Francisca, onde fora colocado o televisor ficava tomada de pessoas para assistirem a programação da única emissora no ar TV Tupy.

A comunicação entre o sítio e a cidade era feita através de telefones a bateria interligadas com fios em postes de madeira e quando chamava um telefone todos os outros despertavam. Somente em 1980 a TELPA instalou uma única linha telefônica que era utilizada por toda comunidade.

A década de 80 é considerada pelos moradores de Mãe d’Água como a “década do desenvolvimento”, isso tudo graças ao esforço e dedicação do seu povo em parceria com a administração Municipal.

A cidade de Mãe d’Água vem sendo palco de muitas transformações, constata-se o crescimento na área da educação e o desenvolvimento na saúde, e na economia, enfim é possível enxergar a melhoria na qualidade de vida das pessoas no jeito de se vestir, de falar, nas refeições, na infra-estrutura das casas, na aquisição de bens de consumo, essa melhoria só aconteceu graças aquelas pessoas que ousaram lutar por seus ideais, graças aquelas pessoas que continuam ousando, buscando realizar os sonhos da comunidade, mesmo que para isso tenham que enfrentar muitos obstáculos.

Esta terra é mãe do sossego, da tranqüilidade, de gente boa e hospitaleira, gente forte e honesta, de gente que sonha e acredita em um mundo mais justo e fraterno.

Aspectos Geomorfológicos

A região do município de Mãe d’Água está inserida no contexto geomorfológico do Pré-Cambriano Superior, com relevo forte ondulado e montanhoso e bastante acidentado com a predominância de rochas cristalinas, onde o processo de erosão tem sido freqüente, apresenta como destaque o Planalto da Borborema.

Entre as serras do município podemos destacar a serra preta, serra velha, Serra de São José, Serra do Estrangeiro, Serra da conceição e a serra do Alecrim.

O município também possui chapadas como exemplo temos a chapada do Amolar e as Guaribas, os montes que merecem destaque são: o serrote dos Picos, do Pão, e do Pelado e ainda o Cruzeiro de Santo Antônio.

O relevo predominante é constituído de alternância de serras e morros, de encostas medianamente inclinadas e vales em forma de “V” e “U”, localmente abruptos e com inclinação forte típica de um relevo jovem.

Localização Geográfica

Com uma área total de 177 Km², representando 0,32% do Estado da Paraíba; 0,0114% da Região Nordeste e 0,0021% do Brasil, Mãe d’Água está situada na micro-região da serra do Teixeira, a uma distância de 340 km da capital João Pessoa, limita-se ao norte com Santa Terezinha e Patos; ao sul com Imaculada e a leste com São José do Bonfim, Teixeira e Maturéia, ao oeste com Catingueira e Olho d’Água.

Acidentes geográficos que delimitam fronteiras no Município de Mãe d’Água

• Planalto da Borborema que forma uma quadrijunção dos municípios de Mãe d’Água, Maturéia, Teixeira e Imaculada
• Serra Preta marco de divisa entre Mãe d’Água, São José do Bonfim e Patos.
• Barragem do Capoeira e Serra do Aleixo que servem como divisores entre Mãe d’Água e Santa Terezinha.
• Rio da Cruz delimita fronteiras entre o Município de Mãe d’Água, Imaculada e Catingueira

Aspectos da Vegetação

A cobertura da vegetação nativa da região do empreendimento é bastante descaracterizada em função das atividades antrópicas ao longo dos anos é representada por Caatinga hiperxerófila.

O estrato herbáceo desse ambiente é periódico devido essencialmente a escassez d’água no período seco. Esta estação induz à queda foliar de boa parte da flora arbustiva e arbórea regional. Fenômeno característico da vegetação em questão. Quando ao período chuvoso, cresce o estrato herbáceo, brotam folhas e surge um bom número de espécies floradas. Esta vegetação apresenta-se quase que exclusivamente como mata secundária, oriunda do desmatamento e do cultivo de algodão, fumo e agricultura de subsistência.

Aspectos da Geologia Regional

Segundo o Mapa Geológico do Estado da Paraíba, a região do município de Mãe d’Água está inserida na Província Borborema, Unidade, Lito-estatigráfica Pré-Cambriana, Zona Geotectônica de Teixeira, do Período Pré-Cambiano Superior, composta por rochas Plutônicas Granulares, granitóides: granitos, granodioritos, monzonitos e tona-litos (PEAGR) e Sienitos (PEAQ), que ocorrem na superfície, como no caso os matacões que afloram na área.

Aspectos climáticos

Mãe d’Água possui clima tropical semi-árido seco e úmido. No Sopé do Planalto da Borborema predomina o clima semi-árido úmido e no restante do município o clima semi-árido seco.

As precipitações são bastante irregulares e distribuídas nos meses de janeiro a maio. A média anual de chuva é de 800 mm. As temperaturas metidas variam entre 25º e 36º ocorrendo oscilações de temperatura durante o ano.

Aspectos Faunísticos

A fauna nativa terrestre da região do município de Mãe d’Água é pouco representativa. O processo de escassez destes animais, subtende-se ao efeito das ações antrópicas desmatamento, caça, ao longo dos anos. Segundo a descrição de moradores do local, as espécimes remanescentes são de pequeno tamanho e reprodutivamente prolíficos, geralmente com seus habitat’s nas matas de encostas de serra da região.

Aspectos Hidrográficos

O Sistema hidrográfico do município de Mãe d’Água pertence a Bacia Hidrográfica do Rio Espinharas, com todos os rios e riachos desaguando no Riacho da Cruz que nasce no Sítio Santo Antonio município de Imaculada na nascente o rio recebe o nome de Rio do Planastro e deságua no Açude do Capoeira, sendo o principal afluente do Rio Espinharas.

A região é caracterizada por drenagens intermitentes. Classificada como de baixo potencial hídrico superficial, com solos pedregosos pouco desenvolvidos altamente impermeáveis. Dá-se o escoamento superficial durante a curta duração das chuvas, e durante a maior parte do ano os riachos secam completamente.

Açude Capoeira

A base da economia após o açude mudou, já que antes os habitantes contavam apenas com o período das chuvas para retirar da terra seu alimento, hoje, eles vivem da pesca feita com canoas artesanais onde a maior parte dos peixes é destinado a venda e da agricultura feita através de irrigação onde plantações de melancia feijão e milho são feitas durante todo o ano as margens do açude.

Dentro do açude aparece vegetações características (aquáticas) e pequenos aglomerados de terras cobertas por vegetação verde que ficam emersas quando o nível da água baixa e são denominados de ilhas onde pescadores constroem cabanas para passar a noite quando estão pescando.

Romano de Mãe D’Água

Mãe D’água, no Sertão paraibano, a 346 Km de João Pessoa, é a terra de Franscisco Romano Caluete, um dos grandes repentistas do cancioneiro sertanejo, que mesmo sendo rico e razoavelmente aquinhoado pela vida, sempre adotou a viola como companheira.

Romano de Mãe D’Água era considerado um homem rico para os padrões da época (nasceu em 1840 e morreu em 1891). Despojado de arrogância e preconceito, não hesitava em duelar, na viola, com Inácio da Catingueira, um mulato escravo, também menestrel de fama como Romano.



Fonte: Famup - A União - Mãe D'água



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