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Mamadeiras liberam milhões de partículas microplásticas, alerta estudo

Compartilhe:     |  16 de novembro de 2020

As grande maioria das mamadeiras, hoje, são feitas de plástico. O material leve, resistente e fácil de lavar, segundo o Today Parents, representa mais de 80% do mercado de mamadeiras no mundo todo. No entanto, um estudo recente publicado na Nature Food descobriu que elas podem expor as crianças a milhares ou até milhões de partículas de microplásticos por dia – um número bem mais alto do que se pensava. E a grande questão é se – ou como – isso pode afetar a saúde de um bebê.

“Acho que ninguém esperava níveis tão altos como encontramos”, disse Jing Jing Wang, co-autor do estudo e cientista do Centro de Pesquisa AMBER e Centro de Pesquisa em Nanoestruturas Adaptativas e Nanodispositivos do Trinity College Dublin, na Irlanda, ao site. “Nosso objetivo não é preocupar os pais. Comunicamos com toda a veemência que ainda não conhecemos os riscos potenciais para a saúde da ingestão de microplásticos por bebês. Esta é uma área de pesquisa nova e em rápida evolução e os dados sobre o impacto potencial sobre a saúde humana não está bem desenvolvida”, avisou.

Mas com base no que se sabe sobre o impacto na saúde de animais como ratos e peixes, as consequências incluem distúrbios digestivos e danos cerebrais. O pesquisador acredita que as descobertas sugerem que “devemos tomar medidas para remediar” a liberação de microplásticos – que são pequenos pedaços de plástico, menores que uma semente de gergelim, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration.

DESCOBERTAS DA PESQUISA

Mamadeiras feitas de polipropileno – tipo de plástico típico usado nesses produtos – podem liberar microplásticos quando são aquecidas ou agitadas, descobriu o novo estudo. Os pesquisadores imitaram as etapas que os pais tomam para preparar a fórmula infantil, seguindo as técnicas de limpeza, esterilização e mistura recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Eles, então, mediram a quantidade de partículas microplásticas no líquido interno.

Os resultados foram surpreendentes: mamadeiras de polipropileno vazaram, em média, 4 milhões de partículas microplásticas por litro. A exposição à água em alta temperatura aumentou significativamente a liberação de pedaços de plástico. O estudo estimou que o nível médio de exposição aos microplásticos para um bebê alimentado com mamadeira era de mais de 1,5 milhão de partículas por dia – 2.600 vezes o de um adulto. Os bebês na América do Norte e na Europa consumiram ainda mais pedaços de plástico com base na preferência por mamadeiras de plástico nessas regiões.

O QUE DIZ A INDÚSTRIA

Segundo Today, a indústria de plásticos disse que relatar sobre essas pequenas partículas pode parecer alarmante, mas detectar algo não significa que apresente risco à saúde. A segurança dos plásticos usados ​​em contato com alimentos, incluindo mamadeiras, é “muito bem regulamentada” nos Estados Unidos e Canadá com a ajuda de cientistas especialistas, disse a Divisão de Plásticos do American Chemistry Council em um comunicado. A Food and Drug Administration dos EUA considera as mudanças de temperatura, como aquecimento, como parte de sua abordagem regulatória ao contato com alimentos, observou.

PALAVRAS DE ESPECIALISTAS

Mas os pediatras disseram que os pais estariam certos em ficar alarmados com os resultados do estudo. “A ciência ainda está ‘arranhando a superfície’ das preocupações. Mas quando você vê microplásticos, sabe que o plástico está se quebrando e que a preocupação mais profunda é, na verdade, a menos visível”, comentou Leonardo Trasande, professor de pediatria da NYU Grossman School of Medicine e diretor do Center for the Investigation of Environmental Perigos na NYU Langone, na cidade de Nova York. “São as moléculas químicas que se decompõem a partir dos polímeros”, completou.

Os produtos químicos que são absorvidos pelos plásticos nos alimentos e são de preocupação particular incluem ftalatos, que podem interromper o metabolismo e reduzir o hormônio sexual masculino testosterona; e bisfenóis como o BPA, que é essencialmente um estrogênio sintético e pode aumentar as células de gordura, explicou ele, que foi o principal autor da declaração de política da Academia Americana de Pediatria sobre aditivos alimentares e saúde infantil.

“Acho que os pais deveriam se preocupar com isso”, acrescentou Claire McCarthy, pediatra do Hospital Infantil de Boston e professora assistente de pediatria na Harvard Medical School. “O problema é que não sabemos exatamente o quanto a exposição causa danos ou quais fatores podem aumentar ou diminuir os danos. Mas é justo dizer que todos devemos usar menos plástico, especialmente quando se trata de alimentar nossos bebês e crianças”, finalizou.

CONSELHO AOS PAIS

Para diminuir a quantidade de pedaços de plástico que um bebê consome, os autores do novo estudo aconselharam sacudir e aquecer a garrafa de plástico o mínimo possível; sempre preparar a fórmula em um recipiente não plástico; depois de esfriar à temperatura ambiente, transferir a fórmula para a mamadeira; e evitar reaquecer fórmulas preparadas em recipientes de plástico, principalmente em forno de micro-ondas, que podem gerar “micro bolsas” de líquido superaquecido.

Os pais também devem lavar as mamadeiras à mão em vez de colocá-las na lava-louças, pois a lavagem na máquina com produtos químicos agressivos em altas temperaturas pode produzir desgaste que ajuda a quebrar os polímeros plásticos. No entanto, a solução mais simples é mudar para o vidro. Além do vidro, o aço inoxidável também é uma opção.



Fonte: Revista Crescer



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