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Manguinhos no Rio de Janeiro abriga maior horta comunitária da América Latina

Compartilhe:     |  15 de maio de 2021

Batata-doce, quiabo e hortaliças. Para moradores de Manguinhos, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, tais alimentos estão na porta de casa. É em uma área que não entra nos atrativos turísticos da cidade que nasceu a maior horta comunitária da América Latina.

A horta de Manguinhos foi criada em 2013 e integra o programa Hortas Cariocas, desenvolvido pela Prefeitura do Rio. No terreno ocioso, que já abrigou uma cracolândia, hoje 21 moradores trabalham para produzir legumes e verduras. O plantio toma conta de uma área equivalente a quatro campos de futebol.

Com financiamento da prefeitura, os trabalhadores ganham uma bolsa auxílio para se dedicarem aos cuidados à horta. Os alimentos colhidos são repartidos entre eles, doados a outros moradores e também vendidos. Todo o dinheiro obtido também é dividido.

Além de gerar renda, a horta comunitária impacta diretamente a vida de 800 famílias, que adquirem alimentos de graça todos os meses. A produção mensal é de duas toneladas de alimentos.

Os impactos sociais e econômicos são inquestionáveis, mas há ainda outras vantagens como o aumento da qualidade de vida e melhora na saúde por meio do consumo de alimentos frescos produzidos localmente e sem agrotóxicos.

“Pesava 115 quilos, tinha problema de pressão alta e hoje comemoro 17 quilos a menos e taxas normais graças ao consumo de alimentos mais saudáveis. Porém, o mais importante a se dizer é o quanto essa horta beneficiou a comunidade. Grande parte do que consumimos aqui sai da horta. Isso aqui mudou o modo de viver de Manguinhos, que também passou a ser olhado de outra forma. Vivemos muito melhor na comunidade graças a esse projeto. Posso dizer que a felicidade chegou junto com a horta”, afirma Ezequiel Dias Areas, um dos responsáveis pela horta de Manguinhos.

Outros benefícios das hortas comunitárias urbanas incluem aumento da capacidade de infiltração da água no solo, conservação da biodiversidade e diminuição do efeito estufa e da poluição.

Hortas Cariocas

Criado em 2006, o programa Hortas Cariocas usa terrenos ociosos para incentivar o plantio orgânico de alimentos. A prefeitura capacita moradores que vivem ao redor do local escolhido – áreas de vulnerabilidade social.

Além do auxílio financeiro, para a manutenção dos plantios, a prefeitura fornece sementes, ferramentas, equipamentos em geral e fertilizantes orgânicos. Sem uso de agrotóxicos, os produtores são orientados a aplicarem práticas agroecológicas de recuperação do solo e prevenção de pragas.

Hortas urbanas X Fome

Em 2020, a situação da fome e miséria no Brasil foi potencializada pela pandemia. O projeto São Paulo Composta, Cultiva, liderado pelo Instituto Polis, está articulando propostas que incentivam a criação de hortas urbanas para amenizar este cenário. Os idealizadores citam uma pesquisa do Instituto Escolhas que indica que a região metropolitana de São Paulo é capaz de abastecer 20 milhões de pessoas.

Todo esse potencial não é exclusivo de São Paulo. Muitas cidades, inclusive grandes metrópoles pelo mundo, já perceberam que é preciso estimular o plantio urbano – encurtando a distância entre produtores e consumidores. Outra pesquisa, por exemplo, avaliou o potencial de implantar telhados verdes na cidade do Rio de Janeiro e o resultado foi que o cultivo nas superfícies poderia alimentar 39% da população.

A hortas de Manguinhos é uma das 49 unidades espalhadas pela cidade do programa Hortas Cariocas, sendo 24 em comunidades de baixa renda e 25 em escolas municipais. Com a pandemia, as unidades foram orientadas a doarem toda a produção de alimentos para famílias de baixa renda. De forma que, desde março, já foram doadas mais de 33 toneladas de alimentos beneficiando 4 mil famílias. Por conta desta iniciativa, o programa entrou para a lista de ações essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.



Fonte: CicloVivo



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