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Mapa que monitora tubarões em tempo real terá exemplares ‘brasileiros’

Compartilhe:     |  26 de julho de 2014

Um projeto científico que acompanha em tempo real tubarões de várias partes do planeta vai também monitorar a partir dos próximos dias exemplares que circulam pelo litoral brasileiro. O objetivo é acompanhar o comportamento desses animais e conhecer melhor a migração de diversas espécies.

A ação é feita pelo projeto Ocearch, idealizada por cientistas dos Estados Unidos e que conta com um supernavio, que está em sua 20ª expedição, desta vez no Brasil.

A organização investiga como fomentar políticas de conservação, combatendo a sobrepesca e ameaças a diversas espécies de tubarões. Uma delas é o “finning”, quando o animal é descartado ainda vivo no mar após ter sua barbatana retirada por pescadores.

Na última quarta-feira (23), a embarcação Ocearch iniciou sua viagem pelo nordeste do país, começando por Recife (PE), com o objetivo de estudar a população de tubarões-tigre presentes no litoral. O foco também será a prevenção de ataques a humanos, principalmente em Pernambuco, estado registrou 59 ataques de tubarão, com 24 mortes, desde 1992.

Tubarão via satélite

Na imagem é possível analisar o percurso feito pelo tubarão "Anne Morrow", que recebeu a marcação em maio deste ano durante passagem da expedição pelos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Ocearch)Na imagem é possível analisar o percurso feito pelo tubarão “Anne Morrow”, que recebeu a marcação em maio deste ano durante passagem da expedição pelos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Ocearch)

Ao menos 200 animais já receberam as marcações nos continentes africano, europeu e americano (Américas do Norte, Central e do Sul). Atualmente, 85 podem ser acompanhados.

Os pesquisadores capturam os animais com a ajuda de lanchas, levam até o barco principal, equipado com laboratórios, e lá instalam um micro-equipamento na nadadeira, que deve permanecer no animal por, no mínimo, dois anos. Isso permitirá checar em tempo real o movimento do tubarão. O sinal é captado por satélite quando o espécime vai até a superfície.

No site da Ocearch há um grande mapa-mundi onde é possível observar e clicar em pontos coloridos, que indicam um animal já marcado por cientistas da organização em viagens anteriores. No site ainda não há nenhum ponto na costa brasileira, já que o trabalho de pesquisa e captura de tubarões ainda está na fase inicial.

No Brasil, o navio de pesquisa americano deve permanecer até 13 de agosto. Serão 20 pesquisadores brasileiros coordenados por Fabio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que investiga os tubarões há 30 anos. Quatro expedições vão acontecer em águas de Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, além do Arquipélago de Fernando de Noronha.

Hazin explica que a população de tubarões-tigre sofreu com alterações realizadas pelo homem nas proximidades de Recife. Um surto de ataques registrado nas últimas duas décadas, principalmente nas praias de Boa Viagem e Piedade, obrigou a adoção de medidas para conter os acidentes e evitar mortes.

Estudos feitos pelo governo pernambucano apontaram que a construção do porto de Suape e o impacto do tráfego marítimo permitiram a aproximação desses peixes em um trecho de 20 km de praias densamente povoadas.

Os cientistas analisaram os tubarões dessa área e verificaram que, após o registros de ataques, os animais seguiam para áreas mais altas do Nordeste brasileiro. A localização exata é um dos focos da expedição.

“Sabemos que 80% dos tubarões estão subindo para o norte, mas não sabemos para onde estão indo. A ideia é entender melhor o comportamento deles e, à medida que obtivermos dados, poderá permitir um aprofundamento sobre a estrutura populacional dos tubarões-tigres”.



Fonte: G1



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