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Medicina dividida em especialidades deve se reintegrar, diz Nobel

Compartilhe:     |  20 de setembro de 2014

Para o prêmio Nobel de Medicina Sydney Brenner, é preciso lutar contra a divisão rígida da medicina em especialidades. O cientista sul-africano falou sobre o assunto em sua apresentação no 1º Fórum Medicina do Amanhã, que acontece nesta sexta-feira (19) e sábado (20) no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

“A pesquisa em medicina se tornou totalmente fragmentada em especialidades. Se você vai ver um médico a respeito do seu pulmão, ele não está interessado em seus rins, ou em seu coração. Muitas pessoas querem saber: ‘Quem está me tratando, eu, que sou o paciente?’”, disse Brenner. “Então eu acho que a maioria das coisas tem que ser reintegradas, acima de todas as especialidades que existem e de todas as restrições impostas por sindicatos. Acho que vamos pesquisar muito mais do tipo de medicina praticado antigamente.”

Brenner foi laureado com o prêmio Nobel de 2002 por seu trabalho relacionado à regulação genética do desenvolvimento dos órgãos e no processo de morte celular.

Revolução em pesquisa
Uma das maiores revoluções na pesquisa biomédica, para Brenner, é a habilidade que se desenvolveu de transformar células de qualquer ser humano em células que têm o potencial de se tornar muitas outras células do organismo: as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas. “Pode-se pegar um paciente, pegar suas células e torna-las células pluripotentes. Agora estamos começando a aprender a transformá-la em células específicas diferenciadas do organismo.”

Ter à disposição essas células pluripotentes de um paciente amplia as oportunidades de fazer análises profundas sobre doenças que atingem diferentes órgãos do corpo. “Temos uma oportunidade notável de enriquecer o campo da biologia humana e entender a saúde, a doença e todas as outras coisas.”

Da beira do leito para a bancada
Para Brenner, o modo como se faz pesquisa biomédica geralmente, buscando formas de aplicar os conhecimentos adquirido nas bancadas de pesquisa prática clínica, não é a forma ideal de resolver os principais problemas da área. “Temos que mudar toda a direção disso e, em vez de ir da bancada para o leito, temos que ir do leito para a bancada. A pessoa que está no leito tem um problema que pode ser resolvido pela ciência. A medicina não pode ser a aplicação da ciência, mas a ciência em si mesma.”

Responsabilidade pela saúde
Apesar do otimismo em relação ao progresso da medicina, Brenner observa que o conhecimento também tem limitações e que as pessoas devem assumir uma responsabilidade maior em relação à sua própria saúde, prevenindo o surgimento de doenças. “Hoje o homem comum pensa que pode fazer qualquer coisa que quiser, comer o que quiser, assistir TV o quanto quiser, e se qualquer coisa acontecer, a medicina tem que salvá-lo com uma pílula” diz. “As pessoas têm que assumir mais responsabilidade por sua saúde. Coisas muito importantes como o estilo de vida terão que se tornar parte da educação das pessoas que estão vivendo nas sociedades completamente artificiais que temos hoje.”



Fonte: G1



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