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Melatonina ajuda a combater obesidade e perda da massa muscular

Compartilhe:     |  19 de junho de 2020

Muito se aborda sobre o uso da suplementação de melatonina para distúrbios do sono, mas evidências científicas têm mostrado muitos outros benefícios que são capazes de ser usufruídos com a sua suplementação. Mas o que é a melatonina (N-acetil-5-metoxitriptamina)? É um hormônio derivado do triptofano, um aminoácido essencial, produzido pela glândula pineal (uma pequena glândula endócrina situada próxima ao centro do cérebro) de maneira circadiana; isto é, varia ao longo de 24 horas, com produção máxima durante a noite. Está envolvida na sincronização de ritmos circadianos em funções fisiológicas, incluindo tempo de sono, pressão arterial e muitos outros – sendo o ritmo circadiano o período de 24 horas do ciclo biológico dos seres vivos, influenciado principalmente pela variação de luz entre dia e noite.

Os metabólitos da melatonina, conhecida como “hormônio do sono”, possuem propriedades antioxidantes poderosas e potentes atividades de eliminação de radicais livres tóxicos. Há evidências de que todas as outras células produzem melatonina continuamente ao longo do dia, principalmente como um limpador antioxidante e de radicais livres. Faz parte de uma variedade de processos biológicos, incluindo ritmos circadianos e funções neuroendócrinas, cardiovasculares e imunológicas. Tem efeitos anti-hipertensivos, hipolipidêmicos e antiobesidade. Tem, portanto, um papel no combate à hipertensão, ao colesterol alto e à obesidade.

Nos mamíferos, a melatonina foi identificada em todos os fluidos corporais e em vários locais extrapineais, como pele, trato gastrointestinal, fígado, rim, sistema imunológico, testículo e músculos esqueléticos. Surpreendentemente, durante a última década, foi detectada em várias plantas, ovos e peixes comestíveis, assumindo um papel interessante e promissor como nutracêutico; ou seja, como um suplemento alimentar que contêm a forma concentrada de compostos bioativos de alimentos.

Melatonina e sarcopenia

Sarcopenia é um termo derivado das palavras gregas sarx (carne) e penia (perda), e usado para descrever classicamente o declínio da massa muscular entre os idosos. Atualmente, a sarcopenia é uma condição bem documentada associada à mobilidade prejudicada que ocorre com o envelhecimento. Há cada vez mais evidências, no entanto, de que não apenas o declínio da massa muscular é responsável pela sarcopenia, mas também uma falha na força ou potência muscular.

A evidência convincente de diminuição da melatonina endógena na senescência (processo natural de envelhecimento ao nível celular ou o conjunto de fenômenos associados a este processo) desencadeou intensa pesquisa sobre seu papel potencial como suplemento dietético para prevenir e tratar o envelhecimento e doenças relacionadas à idade.

Notavelmente, a suplementação de melatonina em camundongos foi particularmente benéfica para retardar o início da sarcopenia em animais idosos. Curiosamente, a melatonina exógena regulou a resistência à insulina e melhorou a função mitocondrial nos músculos dos ratos.

O envelhecimento é caracterizado por um aumento do estresse oxidativo, que é exacerbado durante o desenvolvimento da sarcopenia. A relação do estresse oxidativo com a sarcopenia foi definida experimentalmente. Considerando isso, teoricamente, pelo menos, a adição de um antioxidante deve produzir efeitos benéficos nessa condição. No entanto, nem todas as espécies reativas são prejudiciais. Certamente, está bem estabelecido que algumas espécies reativas de oxigênio (ROS), espécies reativas de nitrogênio (RNS) e um nível basal de estresse oxidativo são essenciais para a sobrevivência celular. A geração de oxidantes é essencial para sinalização intracelular e produção ideal de força.

Assim, antioxidantes altamente eficientes podem paradoxalmente ser prejudiciais. No entanto, a melatonina parece não ser um limpador de radicais típico e muitas publicações mostram que a melatonina também regula a homeostase celular e pode até promover a geração de radicais livres quando necessário. Por exemplo, mostramos que quando o estresse oxidativo alto é necessário para o desenvolvimento adequado dos órgãos, as injeções diárias de melatonina induzem inicialmente a uma redução do estresse oxidativo, mas, posteriormente, quando as injeções de melatonina são continuadas, a geração de radicais livres é restaurada. As descobertas coletivas indicam que a melatonina é capaz de reduzir as concentrações de radicais livres, mas mantê-las dentro dos limites homeostáticos.

O aumento do estresse oxidativo na sarcopenia é principalmente resultado da disfunção mitocondrial. Quaisquer distúrbios na função mitocondrial do miócito (célula muscular) são reconhecidos como fatores principais que contribuem para a degeneração muscular dependente da idade, em que há um declínio bioenergético mitocondrial durante o envelhecimento muscular. A melatonina e seus metabólitos são poderosos antioxidantes que protegem a cadeia de transporte de elétrons e o DNA mitocondrial contra danos oxidativos com mais eficiência do que outros antioxidantes convencionais. Essa proteção da cadeia respiratória permite que a melatonina aumente a produção de ATP nas mitocôndrias.

Melatonina e obesidade

A obesidade resulta de um desequilíbrio entre o consumo de energia e o gasto de energia, promovendo um acúmulo anormal ou excessivo de gordura em várias regiões do corpo. Associada ao aumento de gordura, foi observada uma inflamação crônica de baixo grau que contribui para distúrbios metabólicos sistêmicos, como dislipidemia, hipertensão, doenças hepáticas gordurosas não alcoólicas, esteato-hepatite, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até alguns tipos de câncer.

As evidências indicam que o tecido adiposo branco é um dos primeiros tecidos a desenvolver respostas inflamatórias em condições de obesidade, como evidenciado pela ativação das vias pró-inflamatórias; está estabelecido que um desequilíbrio da secreção de adipocinas pró e anti-inflamatórias pelo tecido adiposo branco devido à expansão da massa gorda na obesidade exerce efeitos potenciais sobre distúrbios metabólicos relacionados à obesidade.

Evidências na literatura indicam que a melatonina tem um efeito modulador no metabolismo energético, na secreção de insulina e na ação da insulina, bem como no metabolismo lipídico final da glicose do tecido adiposo de ratos. Portanto, a melatonina pode ser usada como estratégia terapêutica para melhorar a inflamação de baixo grau observada em condições de obesidade.

Considerando a suplementação de melatonina em humanos, observou-se que, após três meses de tratamento, o uso diário de melatonina (3 mg) foi eficaz na redução significativa dos níveis de colesterol total e triglicerídeos. É importante observar que a dislipidemia é frequentemente observada em indivíduos obesos e/ou diabéticos e que altas concentrações plasmáticas de colesterol total e LDL-colesterol estão associadas a um risco aumentado de doença cardiovascular.

Estudo da USP publicado ano passado evidenciou que a suplementação com melatonina por 10 semanas revelou efeitos significativos na redução do ganho de massa corporal, adiposidade e hipertrofia dos adipócitos viscerais, lipídios plasmáticos e glicemia de jejum, bem como a expressão de marcadores pró-inflamatórios no tecido adiposo visceral, podendo-se inferir que a melatonina deve ser considerada um agente terapêutico confiável para o tratamento da obesidade.

Portanto, evidencia-se inúmeros benefícios com a suplementação de melatonina em diversas condições, como na obesidade e no processo de perda de massa magra (sarcopenia). Lembrando que cada caso deve ser individualizado, por isso é necessária a indicação e o acompanhamento com nutricionista e/ou médico.

Referências:

  1. Zarezadeh, M., Khorshidi, M., Emami, M. et al. Melatonin supplementation and pro-inflammatory mediators: a systematic review and meta-analysis of clinical trials. Eur J Nutr (2019). https://doi.org/10.1007/s00394-019-02123-0
  2. Farias TDSM, Paixao RID, Cruz MM, et al. Melatonin Supplementation Attenuates the Pro-Inflammatory Adipokines Expression in Visceral Fat from Obese Mice Induced by A High-Fat Diet. Cells. 2019;8(9):1041. Published 2019 Sep 6. doi:10.3390/cells8091041
  3. Coto-Montes, A., Boga, J. A., Tan, D. X., & Reiter, R. J. (2016). Melatonin as a Potential Agent in the Treatment of Sarcopenia. International journal of molecular sciences, 17(10), 1771. https://doi.org/10.3390/ijms17101771
  4. RAHMAN, Md Mahbubur et al. Melatonin supplementation plus exercise behavior ameliorate insulin resistance, hypertension and fatigue in a rat model of type 2 diabetes mellitus. Biomedicine & pharmacotherapy, v. 92, p. 606-614, 2017.


Fonte: Eu Atleta - Por Guilherme Renke



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