Foto: Joseph Lemeris Jr.

Leopardos suportam viver em áreas onde existem populações humanas, mas dependem de presas, florestas e da tolerância dos seres humanos. Foto: Joseph Lemeris Jr.

Por Vandré Fonseca

Um dos maiores e mais conhecidos felinos do mundo, o Leopardo, perdeu 75% de seu território original. Se antes, podiam ser encontrados em uma imensa área de 35 milhões de quilômetros quadrados, que se estendiam desde a África até o Sudeste Asiático, hoje ocupam um território fragmentado e muito menor, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

Os dados são resultado de um estudo que durou três anos, realizado por uma rede de instituições como o National Geographics Society, a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) e a organização Panthera, e publicado na edição de 4 de maio da revista científica Peer J. É o primeiro estudo a analisar o status do território de todas as subespécies conhecidas do animal.

Os pesquisadores confirmam a suspeita de que, embora não estejam em situação tão ruim quanto outros grandes felinos, os leopardos enfrentam uma diversidade de ameaças crescentes. Três subespécies já estão quase erradicadas.  “Nossos resultados desafiam a suposição convencional em muitas áreas de que os leopardos permanecem relativamente abundantes e não seriamente ameaçados”, afirma Andrew Jacobson, líder do estudo.

Os pesquisadores descobriram também que, enquanto os leopardos enfrentam ameaças consideráveis particularmente no Norte e Oeste da África, eles praticamente desaparecerem em muitas regiões da Ásia, incluindo boa parte da Península Arábica e uma vasta área na China e Sudeste Asiático.  O habitat do leopardo nestas áreas já caiu 98% e continua a diminuir.

Para chegar a estes resultados, os pesquisadores analisaram mais de 1.300 fontes sobre leopardos e a área de ocorrência do felino. “Começamos reconstruindo a mais detalhada história do leopardo até agora”, conta Peter Gerngroos, um dos autores do estudo. “Isto nos permitiu comparar o conhecimento detalhado sobre a distribuição atual e onde o leopardo costumava estar e, assim, fazer estimativas mais precisas sobre a perda de área.”

Phillipp Henschel, co-autor do artigo, diz que o status do leopardo no Sudeste Asiático é tão crítica quanto a do tigre, ambos altamente ameaçados. “Um ponto cego grave existia na conservação do leopardo. A comunidade internacional de conservação deve dobrar o apoio as iniciativas de proteção à espécie. Nossos próximos passos irão determinar o destino do leopardo.”

Leopardos são capazes de sobreviver em áreas dominadas pelos seres humanos, desde que contem com cobertura vegetal suficiente, acesso a presas e tolerância da população local. Mas em muitas áreas, o habitat é convertido em terras agrícolas e os animais herbívoros, que servem de alimento aos leopardos, substituídos por gado. A perda de habitat, aliada ao declínio das presas, conflitos com fazendeiros, além da caça ilegal para o comércio de peles ou outros fins, são fatores que contribuem para a redução das populações do animal.

Mas algumas áreas do mundo inspiram esperança, segundo os autores do artigo. Mesmo com redução registrada em regiões como o Cáucaso e o extremo oriente da Rússia e Nordeste da China, as populações de leopardo nestas áreas parecem ter se estabilizado e podem até estar se recuperando, graças a investimentos em conservação, como a criação de áreas protegidas e aumento das medidas contra a caça.

“Leopardos têm uma dieta ampla e são extremamente adaptáveis”, destaca Joseph Lemeris JR, da Iniciativa Grandes Felinos e da National Geographic Society. “Às vezes, a eliminação de perseguição ativa por governos e comunidades locais é suficiente para alavancar a recuperação do leopardo. No entanto, com muitas populações que vão além das fronteiras internacionais, a cooperação política é fundamental”, defende o pesquisador.

Fonte: ((o))eco