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Mesmo em meio à pandemia praias ficam repletas de lixo após virada

Compartilhe:     |  4 de janeiro de 2021

Sim, estamos em meio à pandemia de COVID-19 e muito se falou sobre como seríamos pessoas melhores após esse período no qual estivemos reclusos (muita gente ainda está). A esperança era que entenderíamos que não é possível a sociedade viver bem em ambientes insalubres e desequilibrados. Porém, é decepcionante ver os resultados das condições de diversas praias brasileiras após a virada do ano.

Mesmo considerando a grande diminuição na quantidade de lixo gerado com os cancelamentos das festas oficiais à beira-mar por diversos municípios, ainda assim o litoral foi alvo de pessoas que demonstram seu descaso total, não apenas pelo grave fato de estarem se aglomerando em um período de pandemia, como também poluindo mares e colocando a vida de muitos animais marinhos em risco.

Um exemplo desses aconteceu na praia de Maresias, no litoral norte de São Paulo, que amanheceu no tão esperado primeiro dia de 2021 em um estado lamentável, pouco visto antes pelos moradores locais. O fotógrafo Aleko Stergiou estava na praia e registrou a destruição. Em um post em seu perfil ele desabafa: “Eu sou um defensor da natureza, das praias, só queremos viver com dignidade, de poder levar nossos filhos para a praia, de ver o mar limpo, de ouvir o som das ondas, mas estamos longe disso.”

Tsunami de plástico

Já a praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, foi totalmente tomada pelo que podemos chamar de “tsunami de plástico”. O vídeo chocante foi captado pelo perfil do Instituto Mar Urbano (assista aqui).

Em uma tentativa de fazer a diferença, integrantes do Instituto foram até o local para escrever um pedido de socorro (SOS) na faixa de areia. “É preciso entender que a presença do plástico na natureza é exclusivamente responsabilidade de nós, seres humanos, e somos nós os responsáveis por remover o máximo possível do estrago que causamos”, diz o perfil.

Redução na maior parte das praias brasileiras

Segundo a Comlurb, na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, houve uma redução de 89% comparado ao ano anterior. No entanto, a redução só se deu devido ao cancelamento da festa da virada oficial e ao mau tempo e não pela mudança de hábito de seus frequentadores. Nenhum projeto de educação socioambiental ou lei foram criados para tratar exclusivamente desta questão. Ainda assim, 39 toneladas de lixo foram coletadas apenas da praia de Copacabana. Ou seja, o que esperar para os anos pós-pandemia?

A prefeitura de Florianópolis também informou no último sábado (2), que a geração de resíduos de festas públicas de Réveillon diminuiu cerca de 70%. Ano passado foram recolhidas 217 toneladas nas praias e centros, neste ano, foram “apenas” 70 toneladas.

A pergunta que fica é: há motivo para comemorar? Nossos mares já estão saturados e tomados por lixo plástico, tudo o que entra a mais será somado há anos de descaso.

A notícia boa é que tem muita gente fazendo algo a respeito, como o pessoal do Ecosurf que organizou um Mutirão Noturno para limpar as praias de Itanhaém, litoral sul de São Paulo.

Este conteúdo foi inspirado no post de Paulina Chamorro, autora do podcast Vozes do Planeta e co-fundadora da Liga das Mulheres Pelos Oceanos. Ela nos lembra que estamos na Década do Oceano e da Restauração. “Economia, saúde, vida. Falar disso e entendermos que fazemos parte do Planeta. Somos apenas mais uma espécie.”



Fonte: CicloVivo - Artigo de Mayra Rosa



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