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Milhares de famílias ainda vivem sem acesso à energia elétrica no Piauí

Compartilhe:     |  27 de novembro de 2016

Os agricultores do norte e nordeste do Brasil ainda são os que mais sofrem com a falta de luz na propriedade. Só no Piauí, 23 mil famílias ainda aguardam a instalação de postes, fios, transformadores. No município de Paulistana, a situação se agrava por causa da seca que já dura vários anos.

O caminho é de um só visual, com a caatinga esturricada e a vegetação sedenta. Seja na literatura, nas páginas de jornais e revistas ou até mesmo na televisão, o cenário da seca é sempre impactante. A paisagem cinza, quase sem cor e aparentemente sem vida, reflete as perdas na agricultura e na criação. A situação fica mais grave sem energia elétrica.

Paulistana é um município sofredor do estado Piauí. Os moradores sofrem com a seca e com a pobreza. A situação fica mais grave quando o trabalho depende do que brota do chão. Dos 5.561 municípios do Brasil, Paulistana ocupa a posição de número 5.413 no ranking de desenvolvimento. Na zona rural, a renda per capita da cidade não passa dos R$ 96 por mês.

Sem dinheiro para comprar ração e sem ter água para produzir alimento, o agricultor Augusto Lourenço prepara a foice para derrubar os ramos mais altos da caatinga e ajudar as ovelhas. “Não tem mais comida para dar e não alcança. O modo delas pegar a folha por cima. Elas pega assim a base de meio metro para baixo. De um metro para cima elas não pega mais. Eu tenho que ir com a foice ajudar a derrubar as folhinhas para elas ter um modo de sobreviver”, diz.

A sobrevivência poderia ser mais fácil se a energia elétrica fizesse parte do dia-a-dia do lugar. Essa é principal luta do presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável de Paulistana, Osvaldo Mamédio.

“Você que está de fora acha que a seca é o problema. Mas, o que falta na verdade é tecnologia. Não tem como chegar à tecnologia onde não tem energia. A tecnologia é usada para poder bombear essa água, para chegar até as propriedades, para chegar até as residências. Só para se ter ideia, uma forrageira elétrica para ajudar na trituração da ração dos animais custa R$ 1,2 mil. Uma forrageira a combustão à gasolina custa R$ 5 mil, a combustão à diesel sai R$ 10mil. Ainda tem um custo mais alto que é da manutenção. Não é luxo. É uma necessidade para que tenha uma vida com dignidade”, diz Costa.

A comunidade Umbuzeiro é a mais carente do município de Paulistana. O único poço que atende o povoado foi furado há 23 anos. A água sobe na força do braço. Cada pessoa chega do jeito que dá: montado no jegue, na carroça e caminhando. Pelo lugar não se mede esforço para buscar a água do poço que o agricultor Horácio de Souza ajudou a cavar. “Na hora que eu estava cavando a água começou a minar. Foi uma alegria”, lembra.

A situação se repete na comunidade Abelha Branca, onde a prefeitura chegou a furar dois poços artesianos no ano passado. Sem energia elétrica, na cidade também é preciso ter força no braço para tirar a água de uma profundidade de 60 metros.

Por causa da distância, tem agricultor que prefere levar os animais para beber água perto do poço. Esse é o caso do João José da Costa, que percorre a distância de dois quilômetros para chegar ao lugar. Na volta ao piquete, os animais recebem a silagem, preparada com antecedência, já como alternativa para enfrentar os períodos de seca.

Uma família que mora em uma casa sem energia elétrica tem no cotidiano utensílios que para muitas pessoas já viraram peças de museu. Para ter água fresca, por exemplo, o jeito é conservar o líquido em potes de barro. Há também um liquidificador manual. Para funcionar basta girar a manivela que o aparelho tritura tudo. O ferro de passar roupa só esquenta com a brasa que vem do fogão à lenha. É preciso colocar os paus no fogo para criar brasa para colocar no ferro. A agricultora Maria Cremilda de Carvalho faz todos os dias esse serviço, principalmente para passar as roupas que os filhos usam para ir à escola.

Na esperança de que essa situação um dia mude, o agricultor José Possídio da Silva já garantiu o ventilador para a hora que a energia chegar. “Cinco anos e nunca foi usado. A gente dorme naquele calor porque não tem como usar”, diz.



Fonte: Globo Rural



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