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Missão CaSSIS: a câmera capturando as crateras e cânions de Marte

Compartilhe:     |  14 de fevereiro de 2021

É uma época agitada para Marte no momento.

Este mês, o Planeta Vermelho entrou em seu novo ano, conhecido como Ano 36, e não há muito foi ultrapassado pela Terra em sua órbita ao redor do sol.

A distância entre a Terra e Marte muda constantemente por causa de suas diferentes velocidades ao redor do Sol, portanto, a janela de lançamento ideal para missões é apenas uma vez a cada 26 meses, quando os planetas se aproximam.

Muitos estão prevendo a aterrissagem do rover Perseverance da Nasa – o veículo mais sofisticado já enviado para pousar em um planeta – em 18 de fevereiro.

No entanto, o Planeta Vermelho já está sendo observado de perto.

Desde seu lançamento em 2016 e sua subsequente inserção em órbita ao redor de Marte, um instrumento chamado Sistema de Imagem de Superfície Estéreo e Colorida (CaSSIS, sigla em inglês) tem sido usado para aprimorar o conhecimento dos cientistas sobre a superfície do planeta.

A câmera viaja com o Exomars Trace Gas Orbiter da Agência Espacial Européia (Esa, sigla em inglês), que estuda metano e outros gases raros na atmosfera marciana.

Imagens em cores falsas são usadas por cientistas para enriquecer suas descobertas. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
Imagens em cores falsas são usadas por cientistas para enriquecer suas descobertas. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

O objetivo técnico do CaSSIS é olhar para os locais de pouso em potencial para missões futuras – uma delas é a missão Exomars da Esa, que deve ser lançada em 2022.

No entanto, como parte de suas atividades científicas, também observou uma variedade de minerais, cânions, crateras e outras feições geológicas na superfície.

As imagens, que foram publicadas no Instagram, também mostram depósitos de gelo e tempestades de poeira.

As diferenças de composição nas superfícies são mostradas nesta imagem da Cratera Moni na Bacia da Cratera Kaiser. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
As diferenças de composição nas superfícies são mostradas nesta imagem da Cratera Moni na Bacia da Cratera Kaiser. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

O professor Nicolas Thomas, de Oswestry em Shropshire, construiu o instrumento de alta resolução e lidera o projeto na Universidade de Berna, na Suíça, que já tirou mais de 20.000 imagens de Marte.

“Há coisas que já sabemos, mas temos muito mais informações com o CaSSIS.”

“A capacidade do CaSSIS de ver camadas sedimentares em algumas áreas é muito interessante”, disse ele à BBC News.

O CaSSIS revelou leitos sedimentares como esses em um monte em Juventae Chasma. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
O CaSSIS revelou leitos sedimentares como esses em um monte em Juventae Chasma. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

“Outra coisa que gosto é que vimos numerosas trilhas de redemoinho de poeira na superfície de Marte.”

“Ele se destaca de uma forma que nunca aconteceu quando usamos outros instrumentos.”

Nos últimos meses, o CaSSIS tirou até 300 imagens por semana.

Os recursos de alta resolução do CaSSIS significam que a equipe pode documentar minerais e depósitos de gelo na superfície de Marte. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
Os recursos de alta resolução do CaSSIS significam que a equipe pode documentar minerais e depósitos de gelo na superfície de Marte. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
No inverno, o dióxido de carbono da atmosfera congela na superfície das áreas de alta latitude de Marte. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
No inverno, o dióxido de carbono da atmosfera congela na superfície das áreas de alta latitude de Marte. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

O instrumento tem uma forte capacidade de cores, então a equipe combina suas descobertas com as do sistema de imagem de resolução ultra-alta da Nasa, HiRISE, que voa no Mars Reconnaissance Orbiter.

“Estamos trabalhando muito juntos agora no campo científico”, disse o professor Thomas.

Uma área do Planeta Vermelho fotografada pelo CaSSIS é uma região perto de Sisyphi Tholus, onde depósitos de gelo foram documentados.

Em altas latitudes, o gelo e a geada de dióxido de carbono se desenvolvem, o que pode ser visto com as rachaduras no terreno.

Depósitos residuais de dióxido de carbono na região de Sisyphi Planum. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
Depósitos residuais de dióxido de carbono na região de Sisyphi Planum. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

Como funciona o CaSSIS?

A equipe seleciona alvos específicos de um banco de dados antes de capturá-los.

O CaSSIS voa sobre a superfície a cerca de 3 km/s, então as imagens devem ser tiradas muito rapidamente. O tempo de exposição das imagens é de apenas 1,5 ms.

“Conseguimos cerca de 4,5 m por pixel na superfície a uma distância de cerca de 400 km – é um pouco como olhar para um ônibus de Liverpool em Londres”, explica o professor Thomas.

A câmera usa imagens em cores falsas para enriquecer suas descobertas.

As cores diferem de como apareceriam ao olho humano, mas ajuda a equipe do CaSSIS a pesquisar diferentes minerais que refletem a luz do sol em cores diferentes.

“Queríamos que o CaSSIS fizesse ciência, então decidimos não colocar as cores vermelha, verde e azul simples no sistema de câmera, mas otimizar as cores para o retorno da ciência”, acrescentou o professor Thomas.

Um dos locais que a equipe do CaSSIS examinou é a cratera de Jezero.

É aqui que o rover Perseverance da Nasa deve pousar na próxima semana, antes de começar sua busca por evidências de vidas passadas no planeta.

Esta imagem mostra uma área perto do local de pouso planejado do Perseverance que pode fazer parte das futuras travessias do rover na superfície. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.
Esta imagem mostra uma área perto do local de pouso planejado do Perseverance que pode fazer parte das futuras travessias do rover na superfície. Fonte: ESA/ROSCOSMOS/CASSIS.

O professor Thomas disse que a equipe normalmente tem de quatro a seis oportunidades por ano para tirar fotos de locais como Jezero.

Cinco dias após o esperado toque do Perseverance, o CaSSIS espera capturar seu paraquedas e escudo térmico descartados durante o pouso.

“Temos permissão, se ele tocar na superfície com sucesso, então tudo está bem e devemos ver seu escudo térmico.”

“No entanto, se cair de cabeça para baixo ou de alguma forma em um lugar errado, vamos ajudar a procurá-lo”, acrescentou o professor Thomas.

A câmera continuará orbitando e está programada para auxiliar o ExoMars em sua missão em 2022.

O professor Thomas espera que o projeto seja executado até pelo menos 2025.

Fonte:

Para ler a reportagem original em inglês acesse: https://www.bbc.com/news/science-environment-



Fonte: Ambiente Brasil - BBC News - Samantha Jagger - Tradução: Redação Ambientebrasil - Maria Beatriz Ayello Leite



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