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Missões até Marte e eclipse na Patagônia: o que vai rolar na astronomia em 2020

Compartilhe:     |  1 de janeiro de 2020

Há quase 10 anos, astronautas entravam em uma cápsula para simular como seria uma viagem até Marte. Ficaram confinados por 1 ano e meio, e a ideia era tentar entender as reações e o convívio humano no “Planeta Vermelho” durante a viagem.

Ainda não é a hora de ocuparmos Marte, mas 2020 trará mais missões importantes para conseguir, quem sabe, chegar lá. Também teremos uma segunda chance para quem não conseguiu assistir ao eclipse solar total em julho de 2019: um novo ocorrerá em dezembro deste ano e também no Chile e na Argentina. Quem tiver sorte, assistirá na Patagônia.

O G1 mostra, além disso, o que irá acontecer em 2020 na astronomia:

Missão Europa Clipper

Uma das 79 luas de Júpiter, Europa será alvo de uma investigação mais detalhada.

Nove instrumentos serão levados até a órbita do planeta para produzir imagens de alta resolução e determinar a composição de Europa. Existem fortes evidências de que exista água líquida abaixo de uma crosta gelada. Como sempre, estamos tentando encontrar vida fora da Terra.

Serão 45 sobrevoos em Europa, com altitudes que variam de 2,7 mil quilômetros a 25 quilômetros acima da superfície.

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Mars 2020

A Mars 2020 é mais um passo em busca de descobrir vida ou de como viver no Planeta Vermelho. A janela de lançamento da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral abre em 17 de julho, quando a posição entre a Terra e Marte estará mais propícia para a viagem. A aterrissagem está prevista para fevereiro de 2021.

Toda a missão deverá durar 1 ano marciano: 687 dias terrestres. Com a ajuda de mais um robô, uma broca irá coletar amostras nas rochas e no solo para ter mais informações sobre a composição da superfície.

Objetivos da missão:

Determinar se já existiu vida em Marte

Mostrar como é o clima do planeta

Mostrar como é a geologia de Marte

Preparar-se para uma futura exploração humana

Vale destacar que tanto a missão Curiosity, que já está no Planeta Vermelho, e a missão Mars 2020 contam com a participação fundamental do brasileiro Ivair Gontijo. Na primeira missão, ele ficou responsável pelos equipamentos que mapeavam a superfície de Marte durante os 7 minutos de terror, de modo a escolher o melhor ponto de pouso. Agora na segunda missão, ele desenvolveu a integração entre vários dos equipamentos científicos, fazendo-os se comunicar com o sistema do jipe.

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Huoxing-1

Quem também está de olho em Marte é a China, que deve lançar entre julho e agosto, sua ambiciosa missão de exploração do Planeta Vermelho. Ambiciosa no sentido que, além de colocar um satélite na órbita de Marte, pretende também pousar um jipe em sua superfície logo na primeira tentativa. A missão tem o nome provisório de Huoxing-1 e vem na esteira da missão malsucedida de 2012, quando seu orbitador Yinghuo-1 foi destruído com a falha da missão russa Fobos-Grunt. A partir de então, a China decidiu desenvolver seu próprio programa espacial para Marte.

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O orbitador irá carregar câmeras de média e alta resolução, capazes de identificar estruturas com 2 metros de tamanho e espectrógrafos para identificar a composição química elementar do terreno, além de um radar com capacidade de estudar o subsolo. O jipe também carregará um radar como esse, capaz de penetrar 100 metros abaixo da superfície, além de atuar como estação meteorológica e identificação de campos magnéticos.

Missão Al-Amal

Quem também quer estudar Marte são os Emirados Árabes Unidos, com seu orbitador Al-Amal, ou “esperança”, em português. A missão, a primeira de um país árabe com destino a Marte, representa uma parceria entre o Centro Espacial Mohammed bin Rashid e as Universidades do Colorado e do Arizona, nos Estados Unidos. A sonda deve ser lançada no meio do ano por um foguete do Japão. A chegada do satélite está prevista para o ano que vem para coincidir com as comemorações dos 50 anos da formação dos Emirados Árabes Unidos.

O objetivo da missão é estudar a atmosfera marciana, dando um panorama mais amplo e global. Todos os dados obtidos serão compartilhados entre 200 universidades e institutos de pesquisa do mundo inteiro e de forma gratuita! A missão faz parte do projeto de tornar o país uma nação com economia baseada em conhecimento.

Missão Chang’e 5

A missão Chang’e 5 é a sequência no programa espacial lunar da China e, na verdade, deveria ter começado em dezembro do ano passado. Vale lembrar que sua antecessora teve a proeza de pousar de forma segura no lado oculto da Lua e mantém um jipinho robótico operando durante os dias lunares, que representam 14 dias terrestres.

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O próximo e ousado passo do programa espacial chinês é lançar sua nova sonda equipada com um laboratório de análises de solo, incluindo um radar para estudar alguns metros abaixo da superfície e também um braço para coletar amostras a uma profundidade de 2 metros.

O laboratório de análises também será responsável por separar as amostras, isolando-as em compartimentos para enviá-las à Terra. A principal inovação trazida pela Chang’e 5 será coletar aproximadamente 2 kg de amostras do subsolo lunar e enviar tudo para a Terra. A última vez que conseguimos fazer isso foi em 1976 com a missão Luna 24 da ex-URSS enviando 170 gramas do solo lunar em amostras.

A Chang’e 5 tem um módulo gêmeo, a Chang’e 6, com as mesmas capacidades e que deve ser lançada em 2023 ou 2024 com o objetivo de coletar amostras da região polar sul da Lua. A missão seguinte, a 7, vai estudar com mais detalhes a geologia e a topografia do polo sul lunar, para que a missão Chang’e 8 encerre o programa testando tecnologias que serão usadas na futura base chinesa na Lua.

Eclipse solar total

Em 14 de dezembro, Chile e Argentina terão o privilégio de assistir pela segunda vez em menos de dois anos um eclipse solar total.

No ano passado, em 2 de julho, o G1 e a TV Globo mostraram o eclipse solar total no Deserto do Atacama. Foi 1 minuto e 52 segundos de “escuridão”. A Lua se posicionou em frente ao Sol na perspectiva da Terra. Em 2020, o fenômeno irá se repetir, mas por 2 minutos e 10 segundos e em outro ponto turístico da América Latina: a Patagônia. Como sempre nos eclipses desse tipo, boa parte dos hotéis já estão lotados e eventos já estão planejados.



Fonte: Correio do Lago - G1



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