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Misteriosa ‘couve-flor’ mineral pode ser novo indício de vida em Marte

Compartilhe:     |  6 de fevereiro de 2016

Uma misteriosa ‘couve-flor’ mineral pode ser a mais nova pista para a busca de vida em Marte. De acordo com os cientistas Steven Ruff e Jack Farmer, da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, o estranho formato de um material chamado sílica opalina, encontrado na cratera marciana Gusev, pode indicar atividade microbiana no planeta. Se a ideia dos pesquisadores puder ser verificada, esse pode ser um forte indício de vida em Marte, talvez o mais significativo até o momento.

“Devemos ter cautela, pois esta ainda é uma proposta. Até hoje, todos os sinais já encontrados em Marte puderam ser explicados por reações não biológicas e, por isso, nenhuma das descobertas serviu como confirmação inequívoca de vida em Marte” afirma o professor do Instituto de Química da USP, Fabio Rodrigues.

Novas pistas – Em 2008, o robô Spirit da Nasa, descobriu os depósitos de sílica opalina no interior da cratera Gusev, em Marte. O material não chamaria a atenção dos pesquisadores se não tivesse um formato incomum: suas camadas exteriores são cobertas de nódulos minúsculos, como pequenas pontas de um couve-flor. A região da cratera é conhecida pelos astrônomos como um local que pode ter sido cheio de fontes termais e gêiseres que, com o passar dos anos, se tornou árido, seco e desprovido de quaisquer sinais de atividade biológica.

Com a ideia de que esse minério pudesse ter sido “esculpido” por microrganismos, Ruff foi até o deserto do Atacama, no Chile, região considerada a mais seca da Terra e a que os cientistas costumam comparar com a superfície marciana. O solo é semelhante e as radiações ultravioletas que atingem a superfície também imitam as radiações recebidas pelas rochas marcianas. Apesar de Marte não ter a atmosfera repleta de oxigênio, como o Atacama, nem os animais que passeiam pelo local, os pesquisadores acreditam que esse deserto seja uma boa “área de testes” para descobrir como era Marte em seu passado mais quente e úmido. Assim, quando os cientistas encontram algo ali que seja parecido a um evento marciano, é plausível concluir que os dois fenômenos podem ter sido formados da mesma maneira.

Nesse local, no gêiser de El Tato, Ruff encontrou fósseis de sílica muito similares aos identificados em Marte. Essas mesmas formações foram vistas no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, e em Taupo, na Nova Zelândia, regiões com muitos gêiseres. Nesses últimos, a sílica guarda vestígios fossilizados de atividades microbianas – são elas que dão ao mineral a aparência de couve-flor. Se microrganismos ajudaram a criar as formações americanas e neozelandesas, provavelmente também poderiam estar envolvidos nos fósseis do Chile e, provavelmente, de Marte. Foi essa ideia que Ruff e Farmer apresentaram no último encontro da American Geophysical Union, em dezembro do ano passado, incentivando a investigação dos minúsculos fósseis pela comunidade astronômica.

Vida marciana – “O que os cientistas viram foi um mineral de sílica, mas que não tinha a forma normalmente assumida por esse material. O importante não é o formato da couve-flor em si, mas a diferença entre uma formação puramente abiótica (não relacionada à vida) e uma que seria mediada por microrganismos”, diz Rodrigues. “Precisamos de mais estudo para mostrar que a formação desse mineral não tem nada a ver com atividades não biológicas. Só depois poderemos afirmar que ele é um indicativo de vida.”

Por enquanto, Ruff e Farmer estão chamando a atenção dos astrônomos para estudar a fundo as estranhas formações marcianas de sílica opalina. A dupla planeja pesquisar a fundo os fósseis encontrados no Atacama, verificar se são gerados por atividade biológica e, se forem, o próximo passo é descobrir que tipo de microrganismo seria esse – e qual sua possível relação com Marte.

Cinco evidências para provar a existência da vida em Marte

Registros fósseis

Registros fósseis

Na busca por vida fora da Terra, os cientistas procuram o que chamam de “bioassinaturas”, pistas moleculares que trazem indícios diretos da existência de organismos. Um desses rastros seriam microfósseis bacterianos, registros gravados ao longo dos anos em rochas que indicam a passagem de seres vivos por ali. “Como a vida extraterrestre é, provavelmente, microscópica, esses fósseis também seriam minúsculos, pequenos indícios morfológicos da presença das criaturas”, explica o astrônomo brasileiro Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da USP.

Compostos orgânicos

Compostos orgânicos

Outra “bioassinatura” seriam os compostos orgânicos produzidos pelos organismos. Essas substâncias químicas que contêm átomos de carbono e hidrogênio em sua estrutura são produzidas pela atividade orgânica (como respiração ou excreção). Em dezembro de 2014, a sonda americana Curiosity detectou a emissão de gás metano (CH4) em Marte. No entanto, os cientistas ainda não conseguiram comprovar essas evidências ou sua origem. Na Terra, o metano pode ser gerado por organismos vivos, na decomposição de matéria orgânica, e também por processos químicos que não envolvem a presença de vida.

Fonte de calor

Fonte de calor

Um fator fundamental para o surgimento e manutenção da vida é uma fonte de calor eficiente, que promova as reações químicas e biológicas necessárias aos seres vivos. “Regiões mais quentes são as mais propícias para a habitabilidade. As fontes de calor vão proporcionar a combinação das moléculas orgânicas na água para gerar processos vitais”, explica Galante. De acordo com o astrônomo, essa é uma condição essencial para a existência de vida ativa em qualquer planeta.

Ecossistema

Ecossistema

Seres vivos fazem parte de complexos sistemas ecológicos, compostos pelas criaturas (meio biótico), o local onde vivem (meio abiótico, onde estão inseridos componentes como os minerais) e por todas as relações dos seres com o meio e entre si. Evidências ou vestígios de um ecossistema poderiam ser uma prova contundente da existência de vida. “Pode ser que exista um ecossistema debaixo da superfície de Marte”, astrônomo Amâncio Friaça, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). “Mas é bem mais difícil de ser detectado do que se estivesse na superfície.”

DNA

DNA

A prova crucial para a existência de vida em uma região extraterrestre é a detecção de moléculas orgânicas complexas, como o DNA. Formado de aminoácidos, nucleotídeos e outros compostos químicos, os genes são a “assinatura” dos seres vivos: compõe a base da vida terrestre (e, possivelmente, extraterrestre). Se for possível recolher proteínas ou fragmentos dessas estruturas, os cientistas teriam indícios diretos da existência de vida em Marte. “Contudo é muito importante lembrar que essas substâncias podem ser levadas para Marte pelos humanos, em foguetes ou missões. É fundamental diferenciar o que nós levamos e o que surgiu em Marte. A melhor opção seria encontrar uma molécula tão diferente de tudo o que já vimos na Terra que não poderíamos ter dúvida de que é marciana”, explica Galante. A Nasa e Agência Espacial Europeia (ESA) têm planos de enviar para Marte duas missões com a tarefa de encontrar esse tipode substância no planeta. Elas estão agendadas para o fim da década.



Fonte: Veja



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